Indústrias automotivas

O Centro de Pesquisas em Engenharia Professor Urbano Ernesto Stumpf, organizado por iniciativa e apoio da FAPESP e da PSA (detentora das marcas Peugeot, Citroën e DS), está em busca de novas parcerias com indústrias automotivas interessadas em desenvolver soluções voltadas ao aumento da eficiência energética e à redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) por meio de motores movidos a biocombustíveis.

As atividades de pesquisa do Centro, além dos principais resultados dos projetos desenvolvidos e novas oportunidades de colaboração, foram apresentadas para representantes de montadoras e indústrias de autopeças em um evento realizado no dia 28 de novembro no auditório da FAPESP.

Lançado em 2014, o Centro Urbano Ernesto Stumpf tem o objetivo de realizar pesquisas pré-competitivas visando à melhoria de motores movidos a biocombustíveis. O primeiro projeto realizado, previsto para ser encerrado em outubro de 2018, foi um estudo conceitual de um motor desenvolvido com etanol avançado que possibilite explorar e aproveitar melhor as características do biocombustível.

O projeto foi realizado por pesquisadores vinculados à Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (FEM-Unicamp), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

“Os motores flex existentes hoje são uma solução de compromisso. Eles já foram mais voltados para a gasolina e hoje estão mais dedicados ao etanol, mas ainda assim são uma solução de compromisso. A ideia é desenvolver um motor dedicado ao etanol, que pode apresentar muitas características interessantes aproveitando as limitações da gasolina”, disse Waldyr Luiz Ribeiro Gallo, professor da FEM-USP e diretor do Centro.

Os pesquisadores pretendem avaliar a possibilidade de desenvolver um motor a etanol que consiga competir com motores a diesel de pequeno porte, como os utilizados em veículos urbanos de carga, por exemplo. Para isso, irão analisar todas as propostas de motorização que têm sido aplicadas para motores a gasolina em diversos países em um motor dedicado a etanol.

“Se conseguirmos desenvolver um motor a etanol que seja muito eficiente a ponto de poder competir com um motor a diesel leve isso pode abrir um nicho de mercado interessante”, avaliou Gallo.

Algumas das linhas de pesquisa do Centro de Pesquisas em Engenharia Professor Urbano Ernesto Stumpf hoje são de fenomenologia básica, como o tamanho de gotas do etanol que são introduzidas no motor com o ar na forma de sprays gerados pelos bicos injetores. “Existem muitas informações sobre isso para a gasolina, por exemplo, mas pouquíssimas para o etanol”, comparou Gallo.

Um grupo de pesquisadores do IMT, por exemplo, tem levantado o perfil de emissões e a eficiência de motores a combustão interna próximos da realidade de uso a fim de avaliar a capacidade de um motor dedicado a etanol.

Outro grupo de pesquisadores do ITA tem se dedicado a estudar os processos de combustão do etanol, que podem ter diversas aplicações em sistemas que usam a energia térmica liberada por essas reações.

Já o foco do grupo de pesquisadores da Poli-USP é o estudo da combustão turbulenta e a análise de sprays de etanol. E uma das linhas de pesquisa de um grupo da FEM-Unicamp, coordenado por Gallo, é a simulação termodinâmica de motores.

“Os resultados obtidos até agora pelo Centro são muito importantes. Estamos bastante motivados para começar em 2018 a segunda fase com novos parceiros”, disse Frank Turkovics, gerente de Inovação Powertrain do grupo PSA e vice-diretor do Centro Urbano Ernesto Stumpf.

“Esperamos que os resultados obtidos nas pesquisas realizadas possam ser usados pelos parceiros no Rota 2030 [novo regime automotivo que deverá suceder o Inovar-Auto, que se encerra no final de dezembro]”, disse Turkovics.

“Esse tipo de parceria, em que a FAPESP se associa com empresas com o objetivo de desenvolver determinadas tecnologias têm crescido bastante”, disse José Goldemberg, presidente da FAPESP, sobre o Programa FAPESP de Centros de Pesquisa em Engenharia. 

“Temos sido procurados cada vez mais por empresas dispostas a realizar parceria que permita alavancar os recursos destinados à pesquisa tanto da FAPESP como também do setor privado, e que possibilita que pesquisadores ligados a universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo desenvolvam produtos e soluções de interesse social”, avaliou Goldemberg. 

Nova política automotiva

A nova política automotiva, coordenada pelo Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), prevê a concessão de incentivos às montadoras, como créditos tributários, para desenvolverem projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados a aumentar a eficiência energética dos automóveis que produzem e comercializam no país.

O programa também estabelecerá metas de eficiência energética a longo prazo para os veículos em megajoule por quilômetro (MJ/km) – medida que indica a capacidade de um veículo rodar com um litro de combustível.

“Ainda não foi estabelecida a portaria que estabelece essa política industrial, mas as montadoras já estão preocupadas e têm se movimentado para buscar uma melhor forma de atender as metas de eficiência energética que deverão ser propostas pelo Rota 2030”, disse Renato Romio, chefe da divisão de motores e veículos do IMT e integrante do Centro.

“Os veículos a etanol permitem que elas consigam atender essas metas de eficiência energética com um produto mais barato”, avaliou. O programa também prevê a concessão de bônus em MJ/km para veículos movidos a etanol.

Os veículos flex que apresentarem eficiência energética rodando com etanol igual ou superior a 70% do desempenho da gasolina ganharão um bônus de 0,04 MJ/km.

“Essa política permitirá a continuidade da produção de veículos flex no Brasil e que as fabricantes aumentem a eficiência do etanol em relação à gasolina”, disse Francisco Emilio Baccaro Nigro, professor da Poli-USP e integrante do Centro.

Mais informações sobre o Centro de Pesquisas em Engenharia Professor Urbano Ernesto Stumpf: http://cpebio.com.br.

 Elton Alisson
Agência FAPESP

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