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Estudo realizado pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, Câmpus de São José do Rio Preto, diz que a melatonina, hormônio produzido no cérebro humano durante a noite, reduz o crescimento de células de câncer de mama. A pesquisa foi publicada na última edição da revista Genes & Cancer, uma das mais renomadas dos EUA.

Juliana Ramos Lopes, autora do estudo, defendeu sua tese de doutorado neste ano pela Unesp de Rio Preto, e desenvolveu parte da pesquisa na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e outra na Michigan State University (MSU). “O objetivo do meu estudo foi verificar se a melatonina tem efeito inibitório sobre as células-tronco do câncer de mama”. 

Segundo ela, o cérebro produz melatonina durante a noite, especificamente entre às 3 h e 4 h da manhã, e este hormônio tem como principal função regular os ciclos do sono. Alguns pesquisadores têm especulado que a falta de melatonina coloca as mulheres em maior risco de desenvolvimento do câncer de mama. “As dificuldades encontradas por algumas mulheres que precisam trabalhar no período noturno, por exemplo, e que ficam privadas de sono no período em que o cérebro produz o hormônio, pode aumentar a chance de desenvolver a doença”, explica Juliana.

Para o estudo, a pesquisadora cultivou em laboratório células-tronco de câncer de mama de mulheres. Após o crescimento das células-tronco tumorais, a pesquisadora tratou estas células com duas substâncias químicas conhecidas por induzir o crescimento do tumor: o Bisfenol A (composto químico muito utilizado na produção de embalagens plásticas), e o hormônio natural estrógeno.

Em outra etapa, as células foram tratadas com o hormônio melatonina. Por fim, a pesquisadora pode avaliar o efeito do tratamento do Bisfenol A, estrógeno e melatonina, sobre o crescimento celular.

“A partir dos resultados obtidos, observei que o aumento no crescimento celular tumoral induzido pelo Bisfenol A e estrógeno foi reduzido pelo tratamento com melatonina, demonstrando seu potencial uso terapêutico no câncer de mama”, pontuou Juliana.

De acordo com ela, as células-tronco tumorais vêm sendo estudadas em tumores humanos nos últimos anos, e são consideradas as responsáveis pela recorrência do tumor e resistência a terapias. “A utilização da melatonina em futuros tratamentos do câncer de mama com base nestas descobertas ainda está distante, no entanto, os resultados fornecem aos cientistas base fundamental para futuras pesquisas”, finaliza.

O estudo teve orientação da professora Debora Zuccari, colaboradora do Programa de Pós-graduação em Genética da Unesp de Rio Preto e docente da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). A pesquisa teve financiamento da Capes.

Maristela Garmes
Portal Unesp

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