mortalidade idoso

No Brasil, os idosos constituem a faixa etária que mais cresce no país trazendo desafios e preocupação para diversas áreas, entre as quais o cuidado em saúde. Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) observou maior chance de morrer nas idades mais avançadas nas internações por doenças cerebrovasculares, nos casos com presença de comorbidades mais graves, nas internações em que a pneumonia e a perda de peso foram registradas como diagnóstico secundário, nas admissões por urgência, na especialidade de clínica médica e nas internações em que houve uso de Unidade de Terapia Intensiva. Nesse contexto, a dissertação da aluna de mestrado em Saúde Pública, Paula Brito Cordeiro, orientada pela pesquisadora Mônica Silva Martins, analisa as altas taxas de hospitalização e a tendência a internações mais frequentes e prolongadas, que tornam cada vez mais evidente a importância do monitoramento da qualidade do cuidado hospitalar prestado à população idosa. Esse estudo concentra-se sobre assistência hospitalar prestada ao idoso no Sistema Único de Saúde (SUS) nos quatro estados da Região Sudeste entre 2011 e 2012.

A escolha por essa região, informa Paula, deve-se à maior concentração da população com 60 anos ou mais. Trata-se de um estudo transversal, observacional, com base em dados secundários obtidos por meio do Sistema de Informação Hospitalar (SIH), que analisou a taxa de mortalidade intra-hospitalar decorrente de internações devido a doenças hipertensivas, doença isquêmica do coração, insuficiência cardíaca congestiva e doenças cerebrovasculares.

O universo do estudo incluiu 385.784 internações de idosos na Região Sudeste pelas doenças do aparelho circulatório selecionadas. A idade média dos pacientes foi de 72,9 anos e 51,1% das pessoas internadas eram do sexo masculino. A insuficiência cardíaca foi responsável pelo maior volume de hospitalizações entre os diagnósticos selecionados (36,8%), mas as maiores taxas de mortalidade hospitalar bruta foram por doenças cerebrovasculares. Um número expressivo de internações ocorreu em caráter de urgência (90,3%). A maioria das internações ocorreu em hospitais privados filantrópicos. As hospitalizações ocorreram majoritariamente nos estados de São Paulo (51,0%) e Minas Gerais (30,5%).

Segundo Paula, o interesse sobre o tema proposto surgiu dos questionamentos sobre a qualidade do cuidado hospitalar prestado aos idosos internados no SUS, em especial, por doenças do aparelho circulatório, devido à sua magnitude no perfil de morbi-mortalidade. Além disso, a pesquisa objetivou avaliar a capacidade preditiva de modelos de ajuste de risco aplicados para a população idosa, considerando a disponibilidade de informação sobre produção hospitalar brasileira.

Na opinião da aluna da Ensp/Fiocruz, apesar dos limites do estudo, os resultados apontam a necessidade de mais investigações sobre a qualidade da assistência hospitalar destinados aos idosos no Brasil. Também demonstram serem necessárias mais pesquisas, disse ela, de modo a analisar a integração dos cuidados voltados a esse grupo etário, a efetividade da Atenção Primária e o acesso aos serviços especializados, cujas ações são fundamentais para prevenir a ocorrência de casos mais graves, nos quais uma hospitalização poderia ser evitada.

Sobre a autora

Paula Brito Cordeiro é graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006), com especialização em Psicogeriatria pela mesma universidade, e em Saúde Pública, pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Possui experiência em atividades de pesquisa em Psicologia Social e Psicologia Cognitiva, e na área clínica: psicoterapia individual e de grupo, estimulação cognitiva e grupo terapêutico para familiares de idosos com demência.

Informe Ensp

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