Especialistas de diversos centros de pesquisa

O inverno já passou, mas a vigilância das doenças cujo pico de transmissão ocorre na estação mais fria do ano não para. De olho no histórico dos dados epidemiológicos de Influenza e buscando antecipar possíveis cenários, cerca de 20 especialistas de diversos centros de pesquisa e saúde do país se reuniram na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na última sexta-feira (4/10). O Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi o anfitrião da iniciativa.

Dentre os presentes, estava o diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (Devit) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Julio Croda. Participaram, também, representantes da Coordenação-geral de Laboratórios de Saúde Pública e da Coordenação-geral do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, além de pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, Instituto Adolfo Lutz, Instituto Butantan e do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz).

A reunião teve como objetivo estudar a reestruturação do programa de vigilância em Influenza brasileiro, buscando ampliar e aperfeiçoar a distribuição das unidades sentinelas no país. “Já possuímos uma estrutura de vigilância forte e bastante eficaz no que diz respeito ao vírus da gripe. No entanto, buscamos sempre melhorar. Nos estados com produção de suínos e aves, por exemplo, as redes precisam estar sempre aptas a detectar possíveis variantes de Influenza”, salienta Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC/Fiocruz, que atua como referência nacional em diagnóstico laboratorial do vírus Influenza junto ao Ministério da Saúde e integra o Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A rede de unidades sentinelas, distribuídas em serviços de saúde de todos os estados brasileiros, aliada a uma rede de laboratórios de referência, dentre eles, o Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC/Fiocruz, permite o acompanhamento da circulação do microrganismo no país. Nas dependências do Instituto são realizadas atividades de acompanhamento da evolução dos distintos grupos de Influenza, por meio de análises filogenéticas, além de identificação de cepas variantes dos vírus que circulam durante as epidemias sazonais – aquelas que acontecem a cada ano, principalmente no inverno.

Graças ao empenho constante da rede foi possível identificar nesse ano uma circulação antecipada do vírus no Norte do país. Em resposta, o Ministério antecipou em 21 dias a campanha de vacinação contra Influenza nos estados da região. “Esta ação gerou um impacto importante em termos de hospitalização e mortalidade”, comemorou Julio Croda. Neste contexto, o diretor do Devit destacou a importância da cooperação em rede. “É a primeira vez que temos uma reunião conjunta entre a vigilância, o Ministério da Saúde, nosso laboratório de referência aqui na Fiocruz e o nosso produtor de vacina oficial, que é o Instituto Butantan. Então, estamos iniciando o planejamento agora, em outubro de 2019, pra anteciparmos e termos um planejamento mais adequado para a próxima sazonalidade de Influenza, em 2020”, complementou.

Lucas Rocha e Vinicius Ferreira
IOC/Fiocruz

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