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Todo o cuidado é pouco quando se trata de experimentar cosméticos já usados nos olhos e lábios, que são áreas mais sensíveis a desenvolver alergias e irritações. A mucosa labial ainda pode ser porta de entrada para uma série de doenças

Muitas lojas de maquiagem ou de departamento oferecem a possibilidade da cliente testar rímel, delineador, lápis de olho, gloss e batons, antes de comprar o produto. Mas experimentá-los não é tão simples assim: “As mulheres que usam as maquiagens gratuitas do balcão devem se preocupar, pois os batons e outras maquiagens de demonstração estão expostos, de forma constante, a uma quantidade enorme de germes, como é o caso do estafilococos, estreptococos e E. Coli”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy of Dermatology (AAD). “Quando aproximamos este tipo de bactérias dos olhos, nariz ou boca, há um risco maior de se ter uma constipação e infecção na garganta ou até doenças mais sérias, como herpes, que podem ser transmitidas através do compartilhamento do batom, se passado diretamente nos lábios. Já as maquiagens para os olhos podem causar infecções bacterianas ou virais”, acrescenta a médica.
Essa é uma das grandes causas de dermatite de contato alérgica, conjuntivite de repetição e muitas vezes até a contaminação através do herpes, segundo a médica, porque se uma pessoa portadora experimentou o batom antes, a chance da contaminação é enorme.
Um estudo da Universidade de Rowan (EUA) publicado em 2010 descobriu, que 100% dos testers de maquiagem, quando testados ao fim de semana em grandes superfícies, continham germes. A equipe de pesquisadores foi disfarçada em três lojas populares de maquiagem dos Estados Unidos (Sephora, Macy's e Ulta) para coletar amostras de testadores de maquiagem e então os enviou para um laboratório de microbiologia certificado para testes. Em todas as três lojas, algumas amostras de maquiagem voltaram com bactéria prejudicial.

Além disso, de acordo com a Dra. Claudia Marçal, muitas vezes esse produto que está em exposição não é devidamente guardado em lugar fresco e seco, fica debaixo de luzes, é manipulado de modo inadequado e com isso acaba tendo um potencial de conservação muito menor. Então, como as amostras costumam ficar muito tempo abertas e expostas, além de serem usadas constantemente por diversos clientes, isso pode facilitar o contágio de doenças.
Se usado após um curto intervalo de tempo que uma pessoa experimentou, há ainda o risco de contágio de gripe, mononucleose ou doenças respiratórias e causadas por bactérias, já que a transmissão se dá por causa da saliva. “A forma mais segura de testar a maquiagem é utilizando o seu pulso, onde não existe risco de contato com a corrente sanguínea, ou para se aproximar mais da cor dos lábios, teste a cor na ponta dos dedos. Se precisar ver a cor na sua face, molhe o batom em álcool durante uns segundos para matar a maioria das bactérias, mas isso também não é 100% seguro”, afirma. Outra recomendação é usar um pincel descartável para provar o batom e pedir para a vendedora derramar um pouco de álcool na bala do produto, além de raspar a parte mais externa. “Use no pincel o que está embaixo. Mesmo que a maquiagem apresente boas condições, o uso de instrumentos descartáveis é a melhor opção para aplicá-la na pele”, afirma.

Fonte: Dra. Claudia Marçal
Dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School.

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