preservacao de audiovisuais

Em plena 4ª Semana Fluminense do Patrimônio (SPF), o Centro de Estudos do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com a VideoSaúde Distribuidora e a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), promoveu o 2° Seminário do Patrimônio Audiovisual em Saúde na Fiocruz. A segunda edição do evento (9/11) discutiu a preservação audiovisual e os seus desafios contemporâneos, com a presença de Mauro Domingues, coordenador geral de Processamento e Preservação do Acervo do Arquivo Nacional, e Marcos José Araújo Pinheiro, vice-diretor de Informação e Patrimônio Cultural da COC. O mediador foi Eduardo Thielen, pesquisador e documentarista da VideoSaúde.

Na abertura do seminário, foi exibido um vídeo com imagens históricas de ações da saúde, que estão sob a guarda da COC/Fiocruz, e do projeto de restauração, feito pela VideoSaúde, com o antes e depois do documentário que registra a participação de Sérgio Arouca na 8ª Conferência Nacional de Saúde. Logo em seguida, o diretor do Icict/Fiocruz, Umberto Trigueiros, citou os desafios enfrentados pelo patrimônio atualmente, sugerindo caminhos e estimulando a disponibilização dos materiais de forma que sejam alcançados por toda a sociedade. “O desafio está lançado: ir atrás dos registros, convencer as pessoas da relevância deles e conseguir trabalhá-los. É um desafio que só pode ser feito em parceria, não só com as unidades da Fiocruz, mas também com outras instituições, como o Arquivo Nacional. Eu acho que esse esforço pelo patrimônio, pela memória histórica e cultural do Brasil, deve ser um esforço nacional, não deve se restringir a uma instituição. É preciso criar uma consciência e uma mobilização para isso”, constatou.

Completando a abertura, o diretor da COC/Fiocruz, Paulo Elian, parabenizou a VideoSaúde e o Icict/Fiocruz pela iniciativa do evento e pediu por mais parcerias que estimulem a difusão e preservação do audiovisual. “Estamos falando aqui dos acervos audiovisuais, mas a Fiocruz possui um amplo, significativo e expressivo acervo que dá suporte aos mais diversos campos, o que para nós é objeto de atenção de uma política integrada que olhe para isso. Temos que avançar bastante e trazer para essa discussão, de maneira efetiva, os segmentos que atuam mais na produção de materiais audiovisuais”, salientou. Ele também destacou a função social da unidade como instituição pública: tratar o acervo e torná-los bens públicos.

“Desafio não é novidade para quem trabalha com preservação audiovisual”

A sessão de palestras iniciou com Mauro Domingues, do Arquivo Nacional. O palestrante constatou, logo no começo, que a preservação do audiovisual é hoje um desafio perdido, “Nós perdemos muitas batalhas, pois a maior parte dos acervos audiovisuais do Brasil foram perdidos. Se nós pensarmos nas produções cinematográficas do período silencioso, mais de 80% delas foram perdidas. E nós já perdemos também filmes das décadas de 60 e 70. Desafio não é uma palavra nova para quem trabalha com preservação audiovisual”, disse. Mauro exibiu alguns vídeos recuperados pelo Arquivo Nacional, falou sobre as dificuldades de preservação antes do surgimento da tecnologia digital e apontou esta como a possível solução que levará à vitória, “temos a tecnologia, mas não utilizamos a nosso favor”, alertou.

O segundo a falar, Marcos José Araújo Pinheiro, trouxe detalhes do Projeto Preservo, uma das principais estratégias da Fiocruz. “Esse Projeto nasce, a partir de 2006, com uma perspectiva de se pensar os acervos da Fiocruz como um todo, uma perspectiva mais integradora. O Preservo é o complexo de acervos da Fiocruz”, comentou Pinheiro. Ele apresentou também algumas das políticas de preservação dos registros científicos e culturais da instituição, mostrou como se dá o processo de manutenção dos acervos e falou sobre a gestão de risco.

Liberar e trabalhar o audiovisual também é preservar

Ao final das palestras, foi levantado pelo mediador, Eduardo Thielen, um debate que abordou a questão da preservação em meio ao Acesso Aberto dos audiovisuais e em tempos de internet e YouTube, “A não visualização também pode ser um risco à preservação do material audiovisual?”, questionou. Mauro, do Arquivo Nacional, afirmou concordar que “mexer, reutilizar, compartilhar” também seja uma forma de preservar, apesar de ter suas contraindicações quanto a entrega de material audiovisual a instituições privadas. Já Pinheiro deixou uma indagação: “Quem define o que vai ser preservado e quem define onde isto vai estar localizado?”, uma discussão ainda em andamento.

Em um balanço do que foi abordado no seminário, Thielen retomou o ponto sobre a necessidade de parcerias entre as instituições que produzem, preservam, usam e divulgam audiovisuais. Para ele, esta falta de integração é um dos principais desafios enfrentados pela preservação atualmente: “quanto mais agregar, mais vai preservar”.

Fonte: Icict/Fiocruz

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