Mandabeira

Por solicitação da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, a Fiocruz foi convidada a acompanhar a comitiva do ministro da pasta, Roberto Mangabeira Unger, ao evento Agenda Goiás: Participação e Produtividade, realizado na última sexta-feira (19/6), em Goiás. O ministro se reuniu com o prefeito de Anápolis, João Batista Gomes Pinto, secretários municipais e empresários, com a finalidade de discutir o Complexo Industrial da Saúde e a utilização das vantagens competitivas do estado para sinalizar um caminho para o país. Mangabeira também visitou as instalações da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica, o maior complexo industrial do gênero na América Latina, situado em Anápolis. Pela Fiocruz, esteve presente o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Jorge Bermudez.

“Somos favoráveis a uma convergência futura, de longo prazo, e de incentivos”, disse o governador Marconi Perillo. “Exportávamos há 20 anos para menos de 50 países, hoje exportamos para mais de 150”, afirmou o governador. Ao falar sobre agenda do futuro, questionou: “Qual seria a agenda pós-incentivos fiscais?”. Para respondê-lo, Mangabeira apontou a necessidade imediata de construir um desenho institucional que promova o acesso a crédito, à tecnologia, capacitação e a mercados mundiais. E advertiu: “Só crédito não adianta”.

Perillo destacou a queda da desigualdade no estado e o aumento da competitividade das escalas produtivas: “Os 20% mais pobres tiveram crescimento em sua renda de 7,3 vezes em uma escala de 0 a 3 nos últimos dez anos. A curva da desigualdade social diminuiu muito e Goiás saiu na frente”. O governador aposta que para o estado continuar crescendo o compromisso deve passar pela educação e pelo produtivismo: eixos centrais da proposta da SAE/PR, na construção de um novo modelo de desenvolvimento brasileiro.

“É preciso definir uma estratégia forte na primeira fase do ensino médio e começar daí para chegar aos outros níveis. O segundo gargalo é a melhoria da competitividade. Contratamos consultoria para Goiás ser o mais competitivo em três anos. E isso passa pela educação e melhoria da produtividade”, afirmou o governador.

Além do campo da Saúde, Mangabeira reconhece em Goiás um dos maiores produtores de minérios com grande potencial futuro, pois, para ele, se trata de uma riqueza só parcialmente aproveitável e conhecida. O ministro diz que Goiás não deve ficar nas mãos das mineradoras e propõe discussão acerca de nova forma de empreender. Ele sugeriu que os estados se associem com o capital privado, obedecendo às regras do mercado, mas que, em um momento conveniente no futuro, vendam a participação pública. “Estou propondo empreendimento privado onde o governo seja acionista. O objetivo é instigar a produtividade”, disse o ministro, que pretende que Goiás assuma a liderança de “organizador do Centro-Oeste”.

Mangabeira pontuou o que deve constar na agenda dos estados do Centro-Oeste, propondo a definição de um currículo em comum para o Ensino Médio; a criação de uma agência interestadual de empreendedorismo com foco no fomento da mineração e da produção e inovação no campo da saúde; a recuperação de pastagens degradadas nos estados e políticas para o extrativismo rural. De Goiânia, Mangabeira seguiu para Anápolis e visitou o Brainfarma, o maior complexo industrial farmacêutico da América Latina. Ele disse a empresários da região que “o complexo industrial da saúde do Goiás é terreno propício ao vanguardismo empreendedor no Centro-Oeste”.

Após visitar as instalações da fábrica e escutar as demandas dos empresários locais e quais são os entraves principais que emperram as pesquisas, inovações e práticas produtivas locais, o ministro concluiu: “O que vi, me entusiasma. Estou querendo agora trabalhar muito diretamente com o governador Marconi Perillo e com todos os governadores da região neste movimento do Centro-Oeste, para uma nova estratégia nacional de desenvolvimento baseada em fortalecimento de capacitação educacional e ampliação de oportunidades produtivas”.

A BrainFarma

A Brainfarma é subsidiária industrial que concentra as atividades de fabricação de medicamentos do grupo Hypermarcas, gerando hoje 3,5 mil empregos diretos em Anápolis. O que se consome de medicamentos no Brasil, 30% sai do eixo Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiás. Rivalizar com os mercados mundiais é um grande desafio que os empresários de Goiás expuseram ao ministro. Com foco no segmento de produtos genéricos, a empresa atua em 12 classes terapêuticas – antibióticos, antidepressivos, antidiabéticos, anti-hipertensivos, antilipêmicos, anti-histamínicos, antimicóticos, antiinfecciosos, analgésicos, antiinflamatórios, miorrelaxantes e glicocorticóides. A empresa tem quatro unidades: em Cajamar, Caxias, Contagem e Anápolis.

Ascom da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República

Pin It