Manguinhos

Ao buscar conhecer mais profundamente os aspectos socioambientais como parte dos determinantes sociais do adoecimento da população no território de Manguinhos, os pesquisadores do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Rosália Maria de Oliveira e Paulo Roberto de Abreu Bruno desenvolveram o projeto Diagnóstico Socioambiental do Território Teias Manguinhos. A pesquisa integra a iniciativa da Vice-Presidência de Pesquisa e Laboratórios de Referência (VPPLR/Fiocruz), elaborada no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Saúde Pública da Fiocruz (PDTSP/Teias): Portfólio Rede de Pesquisa no Território de Manguinhosuma parceria entre academia, serviços de saúde e sociedade civil. Inicialmente, essa pesquisa teve o propósito de investigar aspectos socioambientais próximos à Refinaria de Manguinhos. No entanto, seu escopo foi ampliado para todo o território e agregou dados sobre o lixo, vetores, enchentes, renda da população, coleta de lixo e abastecimento de água.

A participação na Rede PDTSP-Teias, segundo o Portfólio, viabilizou a parceria com outros projetos para a análise socioambiental. Compreender os problemas do cotidiano valorizando as experiências de vida no território e fomentar a aproximação e troca compartilhada de saberes com os atores sociais locais foram alguns dos aspectos propiciados por tal parceria. Essas articulações visaram ao surgimento de estratégias conjuntas de ação para o enfrentamento das iniquidades, na perspectiva da promoção da saúde e fortalecimento do tecido social local. Atualmente, o projeto está na etapa de análise dos resultados, e o produto é o mapeamento do território, expressado pela espacialização das análises de contaminantes de solo e condições socioambientais nos pontos geográficos. A coordenação ainda pretende sistematizar a produção em um Atlas Socioambiental do Território de Manguinhos, cujo tema já foi abordado em matéria publicada no ano de 2013 pelo Informe Ensp Pesquisa analisa região da Refinaria de Manguinhos. 

Os coordenadores apontaram como principal desafio a etapa de formação da equipe para a pesquisa de campo. Segundo eles, essa etapa consumiu aproximadamente seis meses de trabalho não previstos no desenho inicial do projeto. Entretanto, sua estruturação e capacitação agregaram jovens moradores de Manguinhos ao projeto, o que suscitou grande satisfação em Rosália e Paulo Bruno. De acordo com Rosália: “A metodologia de coleta de amostras foi trabalhosa, tendo em vista a realização de inúmeras campanhas para validar o método”.

Outro ponto ressaltado por ela sobre o processo de recolhimento de amostras foi o aspecto relativo à violência local, como a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no território. Para Rosália, esse fato provocou o atraso no processo de trabalho e a impossibilidade do cumprimento de todas as etapas da pesquisa. “O projeto precisou realizar ajustes relacionados tanto à execução como ao tempo de financiamento. De modo que obter financiamento para sua conclusão tornou-se outro desafio nas mãos da equipe, cujo sucesso foi obtido com a aprovação de um novo edital Papes/Fiocruz”, detalhou.

Conforme explicaram os pesquisadores da Ensp, a motivação para inserir esse projeto na Rede PDTSP-Teias pode ser traduzida como forma de incentivo à construção de novos produtos e processos de trabalho voltados à temática de saúde ambiental. Nessa pesquisa, de acordo com o Portfólio, priorizou-se a atuação em territórios urbanos vulneráveis por compreender que se tratam de espaços ocupados pelas camadas menos favorecidas da população em situação de desproteção no que se refere à garantia de direitos sociais e civis básicos para a atenção, prevenção e promoção da saúde.

Além de Rosália e Paulo Bruno, integram o projeto Danielle de Almeida Carvalho, Graciara da Silva, Geralda de Almeida, Otavio de Leo Cabrera, Eduardo Júnior Andrade Santos, Felipe Miceli de Farias e Cristine Ariel Campos da Silva.

Informe Ensp

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