revista Science

O pesquisador Luiz Alcântara e a pós-doutoranda Marta Giovanetti, da Fiocruz Bahia, assinam artigo publicado na revista Science sobre a origem do vírus zika nas Américas. O estudo, considerado a primeira análise genômica completa do vírus, até a data em que foi publicado (24/3), aponta que a doença chegou ao Brasil entre os meses de maio e dezembro de 2013, tendo seu primeiro diagnóstico feito apenas em maio de 2015. Desta maneira, os autores sugerem que o vírus desembarcou no país durante a Copa das Confederações, em 2013, e não no decorrer da Copa do Mundo de 2014, como se pensava anteriormente.

Entre os autores do trabalho, intitulado Zika virus in the Americas: early epidemiological and genetic findings, estão mais de cinquenta pesquisadores oriundos de diferentes instituições de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior, como o Instituto Evandro Chagas, Universidade de Oxford, Instituto Adolpho Lutz, Fiocruz Bahia, Universidade Estadual de Feira de Santana, Universidade de Washington, Instituto Oswaldo Cruz, Universidade de Toronto, Li Ka Shing Knowledge Institute, Universidade do Texas e Ministério da Saúde.

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Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores fizeram a análise do genoma de sete novas amostras isoladas do Brasil juntos com outras provenientes de diversos locais da América (Martinica, Colômbia, Haiti, Guatemala, Suriname, Puerto Rico) e da Ásia (Polinésia Francesa, Ilhas Cook, Tailândia). Por meio da análises evolutivas destes genomas, os pesquisadores conseguiram concluir que o vírus zika encontrado no Brasil é oriundo da Polinésia Francesa, de onde teria vindo o primeiro indivíduo infectado.

Segundo os especialistas, o período de consolidação do microorganismo no território nacional condiz com um aumento das viagens originadas nos arquipélagos do Pacífico Sul, onde ocorria uma epidemia do mesmo agente infeccioso encontrado aqui.

De acordo com Luiz Alcântara, essa análise constitui-se como a base fundamental para futuros estudos e para que se possa responder algumas perguntas que permanecem sem respostas a respeito do vírus, a exemplo do período de incubação da doença até o surgimento dos sintomas, que só se manifestam em cerca de 20% dos pacientes, e das formas de contágio, ainda pouco compreendidas.

O pesquisador afirma ainda que a continuidade das ações de pesquisa de seu grupo estão voltadas para a execução de um projeto que ele possui parceria e que acaba de ser aprovado na Inglaterra, tendo como coordenador central, o pesquisador Nicholas James Loman, da Universidade de Birmingham. O novo estudo, que terá início entre os meses de maio e junho de 2016, visa sequenciar 750 cepas do vírus Zika provenientes das nove capitais brasileiras localizadas nas regiões Nordeste e uma da região Norte (Belém).

Repercussão

A publicação na revista Science pautou reportagem na editoria de Saúde do jornal Correio Braziliense, com sede no Distrito Federal, nos jornais Washington Post e New York Times e também na rede de TV BBC. A matéria Zika chegou ao Brasil em 2013 no Correio Braziliense, publicada no dia 25 de março, conta com depoimentos de Marta Giovanetti, da Fiocruz Bahia, Nuno Faria, da Universidade de Oxford e Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas. A publicação conta ainda com um infográfico contendo uma linha do tempo ilustrando a primeira vez que o vírus foi isolado em Uganda, em 1947, e o caminho percorrido da África, Ásia até as Américas. Também aparecem informações sobre os sintomas, informações e tratamento da doença.

Fiocruz Bahia

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