promoveu um seminário científico

O Centro de Estudos do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) promoveu um seminário científico sobre a Pesquisa Nacional de Saúde, que foi elaborada pelo Laboratório de Informação em Saúde e contou com a coordenação da pesquisadora Celia Landmann Szwarcwald. O encontro trouxe uma apresentação dos métodos de coleta e análise de dados e também apontou algumas possibilidades de usos das informações, bem como sua importância para a gestão pública em saúde.

A Pesquisa Nacional de Saúde – PNS 2013, teve seu segundo volume lançado essa semana, com informações aprofundadas sobre algumas características dos domicílios da amostra pesquisada, além de dados sobre o acesso da população brasileira aos serviços de saúde, violências e acidentes. “Esses dados devem dar um norte a nossas políticas, do ponto de vista da prospecção que tem que ser feita. Que grandes problemas vamos enfrentar, que investimentos devem ser feitos?  Isso deve informar nossos principais programas, nas áreas de assistência, planejamento, e políticas públicas de saúde”, avaliou Umberto Trigueiros, diretor do Icict.

A palestra de abertura trouxe uma apresentação detalhada dos processos realizados para a concretização da pesquisa. “O grande objetivo nosso hoje é mostrar a capacidade de análise desses dados e o que nós, as instituições acadêmicas, podemos fazer com base nas evidências encontradas”, iniciou Szwarcwald. A equipe de atuação foi mista e incluiu técnicos e pesquisadores da Fiocruz, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, além de universidades federais.

A coordenadora informou que a PNS faz parte do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares do IBGE, o que torna possível a partir de então realizar análises cruzadas com informações de outros levantamentos, como a Pesquisa de Orçamentos Familiares, dentre outras. Os eixos levantados pela pesquisa foram: avaliação de desempenho do sistema nacional de saúde, do ponto de vista da população ususária; estabelecimento do estado de saúde da população; vigilância das doenças crônicas não transmissíveis; e, a questão dos determinantes sociais que influenciam as condições de saúde da população.

“Uma grande prioridade do Ministério da Saúde era de dimensionar o acesso a diferentes níveis de atenção à saúde em termos de deslocamento geográfico, tempo de espera e dificuldades para conseguir o atendimento médico”, detalhou Celia Landmann Szwarcwald. Além das entrevistas, foram realizadas medições médicas, que estão em fase de análise e serão publicadas futuramente. Um dos dados levantados é que dentre a população que buscou atendimento no sistema público de saúde, (cerca de 71%) quase 95% delas foram atendidas na primeira tentativa de acesso.

O segundo momento do evento foi a rodada de apresentações de pesquisadores convidados. O mediador foi Christovam Barcellos, também pesquisador do LIS, que saudou o trabalho e as equipes participantes. “São muitas parcerias importantes que foram realizadas e isso deve se reconhecer”, afirmou. O pesquisador ainda destacou o esforço de se realizar um estudo dessa amplitude. “Como é possível realizar uma amostra de uma população num país tão complicado, tão diversificado como o nosso? A gente fala do Brasil, e isso não é pouca coisa. Isso é uma potência enorme e temos isso aqui dentro do LIS”, completou o pesquisador.

Mariza Theme foi a primeira a se apresentar, com o tema das doenças crônicas e destacou a importância da autoavaliação informada pelos entrevistados. “A autoavaliação tem a capacidade de predizer a possibilidade ou risco de morbidade, quando relacionada a outras variáveis”, explicou. A pesquisadora colaborou com a PNS e foi orientada por Szwarcwald em seu doutorado em informação em saúde. Dados da pesquisa apontam que as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) respondem por mais de 70% das causas de morte no país, incluindo as doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, enfermidades respiratórias crônicas e doenças neuropsiquiátricas.

Em seguida, se apresentou Gulnar Azevedo e Silva, do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que apontou possibilidade de leituras da PNS focando-se nos casos de diagnóstico de câncer. Ela deu início a sua fala saudando a realização da pesquisa. “A PNS veio com um atraso de 20, 30 anos, mas mesmo assim, podemos perceber que todo o processo foi muito bem feito e temos resultados consistentes”, elogiou. Ao apontar os dados de morbidade relacionados ao Câncer no país, ela buscou uma linha comparativa com duas medições anteriores, da Pesquisa Nacional Domiciliar em Saúde, e apontou a necessidade de delimitar alguns pontos para análise. “Para analisar esses indicadores, devemos pensar na história natural dessas doenças e da história social da doença”, informou.

Paulo Borges, do LIS e do programa de pós-graduação do Icict apresentou elementos técnicos do desenho da amostra do estudo e em seguida abriu-se para perguntas e comentários da plateia. Participaram do debate pesquisadores como José Noronha e Francisco Viaccava, do Icict, e Maria do Carmo Leal, da Escola Nacional de Saúde Pública, que realizou a pesquisa Nascer no Brasil, além de pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e outras instituições de pesquisa. À tarde, foi realizada uma reunião técnica entre pesquisadores e colaboradores da PNS no auditório do Icict.

André Bezerra
Ascom Icict

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