Webinar

O Instituto Serrapilheira reuniu em webinar dirigentes de instituições de fomento à pesquisa científica e tecnológica para debater o financiamento de projetos durante a pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). O debate foi mediado por Cristina Caldas, diretora de Ciência do Instituto Serrapilheira.

Participaram do encontro, realizado em 29 de abril, o diretor científico da FAPESP, Luiz Eugênio Mello, o secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcelo Marcos Morales, a presidente do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino, Fernanda Moll, e o diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, Hugo Aguilaniu.

Luiz Mello contou que, 10 dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia de COVID-19, a FAPESP lançou dois editais, no valor de R$ 30 milhões, para apoiar projetos de pesquisa sobre a doença e sobre o vírus SARS-CoV-2.

No edital “Suplementos de Rápida Implementação contra COVID-19”, voltado a pesquisadores com auxílios vigentes nas modalidades Temático, Jovem Pesquisador, Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEP) e Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE), já foram aprovados 31 projetos – de antivirais a testes rápidos – em um valor total de R$ 9,6 milhões. “Podemos alocar mais recursos para outras propostas nessas modalidades de apoio”, afirmou. O prazo de submissão termina em 22 de junho.

O segundo edital, “Pesquisa para o Desenvolvimento de Tecnologias para Produtos, Serviços e Processos para o Combate à COVID-19”, no valor de R$ 20 milhões, oferece, no âmbito do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE-Fase 3), em parceria com a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), uma linha especial de financiamento a startups e pequenas empresas dispostas a aplicar ou escalonar processos ou produtos inovadores relacionados à doença, como kits diagnósticos, ventiladores pulmonares, equipamentos de proteção individual (EPIs), entre outros.

“Seis propostas já foram aprovadas, em um total de R$ 6 milhões. Entre os projetos há o de um tomógrafo por impedância elétrica para o tratamento de pacientes com COVID-19. Faltam R$ 14 milhões para serem empenhados”, contou. As empresas interessadas têm prazo até 22 de maio para submeter propostas ao edital (leia mais em: agencia.fapesp.br/f33095/).

Fernanda Moll contou que o Instituto D´Or voltou os esforços de seus pesquisadores para projetos de análise de base de dados, diagnóstico, novas drogas e comunicação científica. “Engajamos nossos pesquisadores para desenhar projetos com agilidade, usando sua expertise para responder rapidamente ao desafio da pandemia”, afirmou. “Buscamos dar respostas que vão desde a biologia do vírus e imunização até o desenho de ensaios clínicos para novas terapias.”

O Instituto D´Or tem parceria com empresas de tecnologia para mapeamento de infectados e também com hospitais, visando construir uma base de dados unificada.

O Instituto Serrapilheira está investindo em projetos com “alto grau de certeza” e baixo risco, “com chance de produção rápida de conhecimento”, disse Aguilaniu. “Liberamos fundos para a crise e estamos apoiando três projetos.”

O primeiro projeto, conduzido pelo epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), vai levantar o número real de infectados por COVID-19 no país. O segundo, liderado pelo virologista Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga a resposta imune dos brasileiros ao SARS-CoV-2. E o terceiro, conduzido por Tiago Pereira da Silva, da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, analisa a dispersão do vírus a partir de modelos matemáticos. Pereira da Silva é pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

Morales afirmou que o MCTIC tem atuado como articulador de ações relacionadas à pandemia e, a exemplo do que fez no surto de zika, constituiu a Rede Vírus com o objetivo de orientar decisões em áreas prioritárias ao combate do novo coronavírus.

Uma dessas ações, sublinhou, foi o descontingenciamento de R$ 100 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) no mês de abril. “Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) foram acionados para desenvolver vacinas em Minas Gerais e em São Paulo”, disse.

As iniciativas do ministério estão focadas no desenvolvimento de ensaios clínicos, medicamentos, diagnóstico e laboratórios de campanha. Morales adiantou que o MCTIC buscará parceria das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de diversos estados para “obter recursos para financiamento”.

Todos concordaram que a pandemia de COVID-19 colocou a ciência em destaque. Aguilaniu ressaltou, no entanto, que a ciência tem “dificuldade de responder na urgência”, já que sua dinâmica é mais longa. “Estamos usando agora o conhecimento que já existe. É a hora de colhermos os resultados dos investimentos realizados antes da crise.”

Ainda assim, o número de publicações científicas depositadas como preprints em repositórios públicos é significativo. Luiz Mello ressalvou, no entanto, que a metodologia é um item crítico no compartilhamento de resultados. “As metodologias são diferentes”, disse. E completou, citando um provérbio africano que sintetiza o paradoxo que a pandemia colocou para a pesquisa científica: “Se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá em grupo”.

Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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