Rede Brasileira de Bancos de Leite

O 1º Workshop Brics sobre Banco de Leite Humano, realizado em Brasília entre os dias 28 e 30 de agosto, resultou na construção de uma agenda internacional e na assinatura de ata de comprometimento para mobilizar esforços para expandir e compartilhar os conhecimentos e tecnologias focadas na segurança alimentar e nutricional neonatal e cuidados na infância, com o direito à saúde como valor central. A ação será coordenada e terá como referência a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), da Fiocruz. O workshop integra as comemorações dos 120 anos da Fiocruz.

O documento será levado à próxima reunião de ministros do Brics – grupo de países de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, marcada para outubro, para basear a criação de Redes de Bancos de Leite Humano em seus países.

Brasília é um exemplo para Brasil e para o mundo. A capital federal foi escolhida para sediar o evento porque é a única cidade autossuficiente em bancos de leite humano do mundo, conseguindo oferecer leite humano a 100% dos recém-nascidos internados nas unidades de terapia neonatal intensiva e semi-intensiva. A cidade receberá um estudo piloto do primeiro Centro Colaborador da Rede de Banco de Leite Humano. “Nada melhor que um evento deste nível e porte para mostrar o que efetivamente esperamos. O workshop demarca a importância que a Fiocruz Brasília representa neste processo, aqui é como um polo difusor de tecnologia”, afirmou o coordenador da Rede Global de Banco de Leite Humano, e pesquisador da Fiocruz  João Aprígio. 

Segundo ele, o evento foi um demarcador importante na perspectiva da saúde global e superou os objetivos. “Percebemos que os representantes de instituições de pesquisa que aqui estiveram, depositam muita confiança e esperança na nossa cooperação, como sendo uma importante estratégia para ajudá-los a vencer dificuldades e problemas que eles têm nessa área tão importante e esquecida que é a segurança alimentar e nutricional na atenção neonatal”, explicou. Ele afirmou que a Fiocruz contribuiu para esta área no Brasil e em outros locais da América Latina, Caribe Hispânico, Península Ibérica, África, e agora com os Brics. “Eles precisam de nós e nós precisamos deles, esses países têm muito a oferecer, com uma cultura milenar na perspectiva de alimentos funcionais. E nós já trabalhamos o leite materno como alimento funcional. Será uma ação futura com muitos benefícios para todos nós”, completou. Aprígio contou que agora inicia uma nova fase, com um novo modelo de gestão, maior regionalização e comparticipação e integração de novas unidades regionais.

Para a coordenadora de Políticas de Aleitamento Materno e do Banco de Leite Humano da Secretaria de Saúde, Miriam Santos, o Centro Colaborador é o que faltava em Brasília porque muito leite é coletado e distribuído e muitas mulheres são atendidas, mas não há estudos publicados sobre esse trabalho desenvolvido. “A expectativa é nos qualificarmos na forma científica. Já temos uma boa gestão da Rede e precisamos agora colocar no papel até para servir de modelo para outras pessoas. Que nós sejamos exemplo de como podemos trabalhar o aleitamento materno e como fazer coleta de leite humano, para que as nossas crianças tenham uma saúde melhor e a partir daí, teremos adultos melhores,  menos sobrecarga no sistema de saúde”, ressaltou.

Os representantes dos Brics puderam conhecer de perto a experiência de coleta, pasteurização e armazenamento no Banco de Leite Humano do Hospital Regional de Taguatinga, que existe há 41 anos e foi o primeiro do DF e o quinto do Brasil, para coleta, pasteurização e armazenamento.

Nathállia Gameiro
Fiocruz Brasília

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