Metodologias detectam fraudes
Centro de Pesquisa, em São Carlos, estuda modelagem estatística para diminuir golpes bancários
Entre as pesquisas do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CEPID-CeMEAI), uma está diretamente ligada ao uso da estatística para evitar fraudes em cartões de banco.  Os pesquisadores desenvolveram novas metodologias para a detecção de fraudes com o uso de modelagem estatística e computacional.  O estudo é coordenado pelo professor Francisco Louzada, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Em março, de acordo com dados da Serasa-Experian, foram mais de 183 mil tentativas de fraudes contra os consumidores. Isso significa que a cada 14 segundos um brasileiro foi vítima de fraude com cartões ou cheques no País. É o maior número desde 2003, quando a pesquisa passou a ser realizada. Quase a metade das tentativas de fraude foi registrada no setor de telefonia, seguido pelo setor de serviços e pelos bancos.

Metodologias detectam fraudesLouzada, que também é Coordenador de Transferência Tecnológica do CEPID CeMEAI, explica a pesquisa: “Nós desenvolvemos novas metodologias para a detecção de fraudes com o uso de modelagem estatística e computacional. Levamos em consideração a estrutura aleatória e volátil da fraude para conseguir maior capacidade de prevê-la”, conta. “Porque um modelo pode indicar corretamente quem é e quem não é o fraudador, mas também pode errar e concluir que você é fraudador mas você não é (falso positivo). Ou o contrário: indicar que você não seja um golpista, mas na verdade você é (falso negativo). Então tentamos desenvolver, com a maior certeza possível, modelos estatísticos que possam prever de forma adequada uma possível fraude. E avaliar casos em que não foi fraude, mas sim um erro do sistema, ou do internauta dono do cartão usado”.

Francisco Louzada também reforça que é possível usar esse tipo de pesquisa em outras áreas. “Em bancos de sangue, eu preciso descobrir por exemplo, quais bolsas devem ser descartadas porque podem ser de doadores com doença de Chagas. Mas pra fazer um exame como o de detecção do DNA do parasita(trypanossoma cruzi), o processo pode ser demorado e caro. Mesmo que eu peça um exame de fezes do doador, ele pode não detectar o parasita, mesmo a pessoa portando-o. Então você pode fazer combinações de modelos (chamadas de blendagens) pra aumentar a capacidade preditiva da modelagem e direcionando a um descarte eficiente de bolsas de sangue.

Ambiente interdisciplinar
O Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), com sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP. O CeMEAI é especialmente adaptado e estruturado para promover o uso de ciências matemáticas (em particular matemática aplicada, estatística e ciência da computação) como um recurso industrial. As atividades do Centro são realizadas dentro de um ambiente interdisciplinar, enfatizando-se a transferência de tecnologia e a educação e difusão do conhecimento para as aplicações industriais e governamentais.

As atividades são desenvolvidas nas áreas de Otimização Aplicada e Pesquisa Operacional, Mecânica de Fluidos Computacional, Avaliação de Risco, Inteligência Computacional e Engenharia de Software. Além do ICMC, o CEPID-CeMEAI conta com outras cinco instituições associadas: o Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (CCET-UFSCar); o Instituto de Matemática Estatística e Computação Científica da Universidade Estadual de Campinas (IMECC-UNICAMP); o Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (IBILCE-UNESP); a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT-UNESP); o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE); e o Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP).

Para evitar fraudes em cartões de crédito, é recomendado olhar detalhadamente sua fatura e contatar imediatamente e empresa do cartão caso haja algo estranho; guardar sempre cupons, recibos e protocolos e não emprestar nunca o cartão a outras pessoas. No caso da prevenção de fraudes em compras ou cadastros na internet, é sugerido criar senhas difíceis de serem descobertas, atualizar antivírus e softwares, não responder e-mails que peçam seus dados pessoais ou senhas, só fornecer dados a sites confiáveis e se receber e-mails suspeitos, comunique a empresa de seu cartão.

Em lojas, é preciso estar atento. Certifique-se que não há pessoas nem câmeras que possam copiar sua senha. Em caso de cartões sem chip, onde é necessária a assinatura, verifique o recibo antes de assiná-lo.  Em caso de esquecimento do cartão em algum estabelecimento, comunique a perda imediatamente.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: (16) 3373-8159, na Assessoria de Comunicação do CeMEAI

Agência USP

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