Inseminação artificial contribui com o melhoramento genético do rebanho nacional

Um modelo que simula as melhores opções de biotecnologias reprodutivas para rebanhos leiteiros pode ser um grande aliado dos pecuaristas na tomada de decisão sobre qual a melhor técnica reprodutiva a utilizar. O trabalho foi desenvolvido pelo médico veterinário e zootecnista Oscar Alejandro Ojeda Rojas em seu mestrado profissional pelo Programa de Pós-graduação em Gestão e Inovação na Indústria Animal, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), da USP, em Pirassununga.

Ojeda trabalhou simulando quatro cenários distintos de biotecnologias reprodutivas: a inseminação artificial seguida de detecção de cio usando sêmen convencional, a inseminação artificial seguida de detecção de cio usando sêmen sexado, a inseminação artificial em tempo fixo usando sêmen convencional, e a inseminação artificial em tempo fixo usando sêmen sexado.

A inseminação artificial é uma técnica muito usada em rebanhos leiteiros a qual tem contribuído significativamente para o melhoramento genético do rebanho nacional. Ela pode ser feita de duas formas. A primeira é a inseminação artificial seguida de detecção de cio – como o próprio nome diz, a partir da verificação se as fêmeas estão no cio, e portanto, aptas a receber a inseminação. O problema desse método é que o ciclo da vaca dura 21 dias e o período de permanência no cio é de cerca de 12 horas, podendo ser de no mínimo 6 e no máximo 16 horas.

“Para saber se está ou não no cio, os funcionários da fazenda precisam observar o comportamento da vaca duas ou três vezes ao longo do dia. E diante da constatação de que ela está no cio, o animal é separado para que a inseminação seja providenciada”, explica Ojeda. A eficiência desse método é muito baixa, de aproximadamente 50%: de cada 10 animais que entram no cio, apenas 5 são detectados corretamente.

O segundo método é a inseminação em tempo fixo. São administrados hormônios que simulam o ciclo reprodutivo da vaca, induzindo o cio e a posterior ovulação: são os chamados protocolos de sincronização. Com eles, o produtor sabe exatamente qual dia o animal será inseminado, tirando o problema da detecção de cio e aumentando a taxa de serviços para 100%.

Já o sêmen sexado é aquele que determina se a inseminação vai originar uma maior proporção de machos ou de fêmeas. Para este estudo em particular foi simulado o uso de sêmen sexado, com uma eficiência de 85% de produção de fêmeas. Ele é mais custoso e menos fértil em relação ao convencional (que pode originar a mesma proporção tanto de machos como fêmeas).

Retorno financeiro
De acordo com o pesquisador, a grande questão é que os resultados econômicos desses métodos somente poderão ser observados dias ou até mesmo meses depois. “Calcular o valor de cada um desses investimentos é fácil. Difícil é o produtor avaliar o retorno financeiro a longo prazo em cada uma dessas biotecnologias, visto que os retornos são visíveis apenas dias ou meses depois do processo de inseminação”, informa.

A pesquisa teve o objetivo de simular o que acontece em uma fazenda e qual o impacto de cada uma dessas biotecnologias. Utilizando uma planilha de Excel, Ojeda desenvolveu um modelo matemático determinístico, com base em dados da literatura, em função de parâmetros produtivos, reprodutivos e econômicos, para representar a conformação de um rebanho em períodos de 21 dias ao longo de 25 anos, totalizando 425 ciclos.

O pesquisador considerou as despesas e receitas do período e usando a metodologia de fluxo de caixa, calculou três indicadores de viabilidade econômica: PayBack, que mostra o tempo necessário para recuperar o investimento; o Valor Presente Líquido (VPL), que permite calcular, em valores atuais, todos os fluxos de caixa futuros, usando para isto uma taxa de desconto; e a Taxa Interna de Retorno (TIR), que calcula qual taxa deveria ser utilizada para que o VPL fosse zero.

Resultados
As análises dos dados mostraram que, no geral, os cenários de inseminação artificial em tempo fixo apresentaram um desempenho melhor quando comparados à inseminação seguida de verificação de cio. O melhor cenário econômico foi verificado na inseminação artificial em tempo fixo com sêmen sexado. O segundo melhor cenário econômico foi o da inseminação artificial em tempo fixo com sêmen convencional. E o pior desempenho econômico foi verificado na inseminação artificial seguida da detecção de cio usando sêmen sexado.

A pesquisa de mestrado Modelo de simulação para análise econômica do uso de biotecnologias reprodutivas em rebanhos leiteiros foi apresentada no último mês de julho sob a orientação do professor Augusto Hauber Gameiro, do Departamento de Nutrição e Produção Animal (VNP) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, em Pirassununga.

De acordo com o pesquisador, a ideia, agora, é fazer alguns ajustes finais nas planilhas e disponibilizar o modelo de simulação no site do Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal, do VNP, para os interessados.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: email This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it., com Oscar Alejandro Ojeda Rojas

Valéria Dias
Agência USP

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