Bullying

Pesquisa com mais de 100 mil estudantes mostra que a prática é maior entre alunos, com 26,1%

Uma pesquisa realizada com 109.104 estudantes do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas mostra que a prática do bullying é proporcionalmente maior entre os estudantes do sexo masculino (26,1%) do que do feminino (16,0%). O estudo, que envolveu escolas localizadas em zonas urbanas e rurais, de todo território brasileiro, também aponta que 20,8% dos estudantes já praticaram algum tipo de bullying contra os colegas.

Foram pesquisados 109.104 alunos do 9º ano do ensino fundamental
Foram pesquisados 109.104 alunos do 9º ano do ensino fundamental

Outro dado levantado é que 7,2% dos alunos que foram vítimas dessa prática são, em sua maioria, meninos cujas mães têm baixa escolaridade e são negras ou indígenas. Estes resultados acabam de ser publicados no artigo Causas do bullying: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde da Escola, publicado na última edição na Revista Latino Americana de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

Outros resultados importantes levantados no estudo são as causas/motivos que levam os alunos a praticarem o bullying, sendo que 51,2% dos estudantes não souberam especificar um motivo. Entre os que apontaram as causas, a maior parcela dos casos estão relacionados à aparência do corpo (18,6%), seguida da aparência do rosto (16,2%), raça/cor (6,8%), orientação sexual (2,9%), religião (2,5%) e região de origem (1,7%).

Educação e saúde
“O bullying manifesta-se por meio de diferentes signos, comportamentos e preconceitos nas relações interpessoais entre escolares. Ações de educação e promoção de saúde na escola são modos diferentes de atuar na atenção primária, que podem resultar na construção de novas formas dos estudantes relacionarem-se com o mundo e entre si”, defendem Marta Angélica Iossi Silva, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, e seus co-autores.
A partir dos resultados dessa nova pesquisa, os pesquisadores incentivam a criação de novas políticas públicas, pois o estudo “oferece indicadores que podem auxiliar no delineamento de estratégias de enfrentamento, a serem construídas de forma intersetorial e interdisciplinar, numa perspectiva de construção de uma cultura não violenta, articulando os setores da saúde e educação”. Ao mesmo tempo, eles reconhecem que outras análises são necessárias, principalmente as qualitativas e as que permitam a compreensão do processo de construção da prática do bullying, bem como seus significados e suas dinâmicas nas escolas brasileiras.

Comportamento violento
O bullying, palavra originária do inglês que quer dizer valentão, brigão; compreende comportamentos de diversos níveis de violência, que vão desde chateações inoportunas ou hostis até fatos francamente agressivos, sob formas verbais ou não, intencionais e repetidas, sem motivação aparente, provocados por um ou mais alunos em relação a outros, causando dor, angústia, exclusão, humilhação, discriminação, entre outras sensações.

Essa prática não deve ser encarada como uma característica normal do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, e sim um indicador de risco que poderá originar em comportamentos violentos mais graves, incluindo o porte de armas, agressões e lesões frequentes, sem falar que a vivência do bullying expõe as crianças e os adolescentes à condição de vulnerabilidade.

Assinam o artigo os pesquisadores Wanderlei Abadio de Oliveira e Malta de Mello, doutorandos da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, Marta Angélica Iossi Silva, da EERP; Flávia Carvalho e Denise Lopes Porto, da Coordenação Geral de Informações e Análise Epidemiológica, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde; Andréa Cristina Mariano Yoshinaga, mestranda da EERP; Deborah Carvalho Malta, professora adjunto da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: com Marta Angélica Iossi Silva, no e-mail This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Carolina Medeiros, especial para a Agência USP de Notícias
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Agência USP

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