Artigo é publicado na revista revista Science Advances

O declínio dos grandes herbívoros do mundo, especialmente na África e partes da Ásia, está levantando o espectro de uma "paisagem vazia" em alguns dos ecossistemas mais diversos do planeta. Muitas populações de animais como rinocerontes, zebras, camelos, elefantes e antas estão diminuindo ou ameaçadas de extinção em cerrados, savanas, desertos e florestas, dizem os cientistas.

Uma equipe internacional de ecólogos animais selvagens que conta com a participação do Professor de Ecologia da Unesp de Rio Claro, Mauro Galetti, realizou uma análise abrangente de dados sobre maiores herbívoros do mundo (mais de 100 kg), incluindo o estado de ameaça de extinção, ameaças e consequências ecológicas de declínio. Eles publicaram suas observações hoje na revista Science Advances.

Os autores focaram em 74 espécies de grandes herbívoros - animais que se alimentam de vegetação - "Sem intervenção radical, grandes herbívoros continuarão a desaparecer no mundo com enormes custos ecológicos, sociais e econômicos" conclui o pesquisador William Ripple da Universidade do Oregon. "Nós esperávamos que a destruição do habitat seria o principal fator que causa o comprometimento de grandes herbívoros, mas surpreendentemente, os resultados mostram que os dois principais fatores na queda de herbívoros são a caça por seres humanos e mudança de habitat. Eles são ameaças gêmeas " complementa Ripple.

Na América do Sul, as 4 espécies de antas, os maiores herbívoros selvagens, estão cada vez mais ameaçados. “No ano passado foi descoberta uma nova espécie de anta e ela já se encontra ameaçada devido ao garimpo, caça e a construções de hidroelétricas” comenta o Professor Galetti.

Os pesquisadores alertam para as consequências da extinção desses animais. "Nossa análise mostra que a extinção de animais grandes não é apenas uma questão de conservar animais bonitos e que podemos ver em zoológicos, mas muitos possuem um papel fundamental em serviços ambientais ao homem”, complementa Galetti.

A extinção de grandes herbívoros sugere que outras partes da ecossistemas selvagens irá diminuir, escrevem os autores. As consequências prováveis incluem: redução da comida para os grandes carnívoros, tais como leões, tigres e onças pintadas; dispersão de sementes de plantas que dependem de grandes animais; incêndios mais frequentes (pela falta de animais para comer a biomassa produzida pelas plantas) e intensas; ciclagem mais lenta de nutrientes de vegetação para o solo (já que não existem mais animais para digerir a vegetação); reduções no habitat para os animais menores, incluindo peixes, aves e anfíbios.

"O Brasil possui muitas áreas protegidas que poderiam assegurar a conservação de grandes animais, mas todas não possuem proteção real e a caça e a destruição do habitat continua”. “Infelizmente o nosso governo não parece se importar para o que os cientistas vem alertando” complementa Galetti.

Os cientistas alertam que ainda existe tempo para revertermos esse quadro de extinções. “As sociedades organizadas devem pressionar os governos a inibirem a caça e retirada de produtos animais dos ambientes naturais ou fomentarem seu uso sustentável”, conclui o professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.

Acesse texto e imagem aqui.

Informações
Mauro Galetti
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Portal Unesp

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