quelônios da Amazônia

Um quelônio encontrado mais de 10 anos depois. Um animal monitorado que percorreu mais de 100 quilômetros. Esses são alguns dos resultados do estudo sobre  padrões de crescimento e movimentação da espécie de quelônio amazônico Iaçá (Podocnemis sextuberculata) realizado desde 1996 pelo Instituto Mamirauá em uma região da Amazônia.

Para a pesquisadora do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ana Júlia Lenz, "um dado muito interessante foi recapturar um bicho 10 anos depois, indicando que ele sobreviveu todo esse tempo e com isso, é possível avaliar o crescimento dele. Para essa espécie, Iaçá, não se tem dados de crescimento e não se sabe exatamente quanto tempo elas levam para se tornarem adultas. Então, tem uma série de lacunas para serem estudadas da biologia dessa espécie".

A pesquisa busca avaliar o padrão de crescimento e movimentação da espécie nas áreas amostradas, por meio das recapturas realizadas pela equipe. Cada animal encontrado em campo pelos pesquisadores recebe uma marca de identificação. Suas medidas e peso são registrados e podem ser comparados posteriormente, no caso da recaptura do mesmo animal em vida livre.

Ao longo desses 20 anos de trabalho com quelônios na Reserva Mamirauá, foram capturados cerca de sete mil indivíduos de Iaçás, e desse número, 271 recapturados. A pesquisa também busca investigar o motivo do retorno dos animais às áreas onde foram vistos anteriormente. Os pesquisadores inferem que pode ser um bom lugar para reprodução, já que é uma área com pouca movimentação de pessoas.

A baixa taxa de recaptura, de acordo com os pesquisadores, pode ser em função do deslocamento da espécie, ou seja, elas podem estar migrando para outras áreas da reserva ou pela exploração da espécie, muito apreciada como alimentação na região.

Ainda de acordo com a pesquisadora, com os resultados desse estudo conseguiram calcular taxas de crescimento de Iaçá, de indivíduos juvenis e adultos. Sendo que os jovens apresentaram crescimento superior aos indivíduos na idade adulta. “Outro aspecto que a gente avaliou foi a movimentação. Por exemplo, quando a gente marcou um indivíduo em um local em um ano e depois recapturou em outro local, em uma determinada distância, a gente conseguiu avaliar que eles podem se deslocar até 100 km", afirmou.

“Conhecer o desenvolvimento desses animais, como: o quanto eles crescem, quanto tempo para chegar à maturidade, para onde vão e quais são as rotas de migração é importante. Pois, com o estudo e a compreensão desses dados será possível elaborar estratégias de conservação para essas espécies”, reforçou a pesquisadora.

Texto: Aline Fidelix
Foto: Amanda Lelis
Instituto Mamirauá

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