Ano Internacional dos Solos

O ano de 2015 foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como o ano internacional dos solos. A ideia de se comemorar essa data não representa a organização de grandes festividades e sim um alerta para que todos os povos entendam a importância de se manter e preservar esse recurso não renovável. Uma boa definição para não renovável está no sentido de que sua perda e degradação não é recuperável no tempo de uma existência humana, e mesmo assim o solo é muitas vezes ignorado pela maioria das pessoas e entidades públicas.

Estima-se que hoje 33% (trinta e três por cento) dos solos do planeta estão moderadamente a altamente degradados devido a ação antrópica que para manter as economias desenvolvidas e emergentes promove a erosão, a salinização, a compactação, a acidificação e a contaminação química dos solos. O Brasil nesse cenário parece estar bem desenvolvido e apresenta cada vez mais áreas degradadas. O próprio Ministério do Meio Ambiente destacou que o Brasil possui áreas com solos mediamente degradados que correspondem duas vezes ao tamanho do território da França ou a dois Estados de Minas Gerais.

Buscando minimizar a crescente degradação dos solos, a campanha do ano internacional dos solos foi elaborada em torno de seis temáticas básicas com objetivo de apresentar para todos os interessados as várias maneiras pelas quais todos nós dependemos dos solos. As temáticas básicas são:  1. Solos saudáveis são a base para a produção de alimentos e pessoas saudáveis;  2. Os solos são a base para a vegetação que cresce e produz alimentos, fibras, combustível e medicamentos;  3. Os solos sustentam a biodiversidade do planeta e abrigam um quarto dela;  4. Os solos ajudam a combater e se adaptar às mudanças climáticas devido ao seu papel fundamental no ciclo de carbono;  5. Os solos armazenam água filtrada melhorando nossa capacidade de combater as inundações e secas;  e 6. O solo é um recurso não renovável, sua conservação é essencial para a segurança alimentar e o futuro sustentável das nações

Dentro dessas temáticas básicas apresentadas eu ousaria dizer que, em última instância, os solos ainda se transformam no receptáculo para os rejeitos humanos onde alguns acreditam que gerações futuras poderão resolver os problemas do presente.

Nesse escopo surge então uma pergunta natural: Como podemos preservar e proteger os nossos solos? Muitas ações podem ser feitas em vários níveis organizacionais e até mesmo pessoal para promover a gestão sustentável dos solos e mantê-los saudáveis para futuras gerações. Educação, programas de extensão eficazes e a promoção de tecnologias apropriadas desempenham um papel fundamental neste aspecto.

Dentre outras ações incluem maiores práticas de gestão e investimentos dos governos para a adaptação e mitigação dos solos degradados, juntamente com uma legislação forte e rigorosa no desenvolvimento de políticas inclusivas por parte dos governos. Outro aspecto envolve as mudanças de atitudes dos empresários, agricultores e outras pessoas em contato direto com o solo. As mudanças devem ser direcionadas na compreensão melhor dos benefícios das práticas de gestão conservacionista e sustentável de terras nas diferentes dimensões de aplicação.

Dessa maneira, se entendermos melhor onde pisamos, com certeza seremos mais cuidadosos e nossa percepção da significância e magnitude dos solos e da Terra alcançará as estrelas. Portanto, cuidar dos solos é cuidar da nossa própria natureza. Que de uma forma muito poética nosso cantor compositor Gilberto Gil explicou em versos:

"E quanto mais longe da terra/Tanto mais longe de Deus"

Admilson Irio Ribeiro é professor de recuperação de área degradadas no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da Unesp, Campus de Sorocaba. E-mail: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Gerson Araújo de Medeiros é professor de gestão ambiental no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da Unesp, Campus de Sorocaba. E-mail: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Regina Márcia Longo é professora de manejo de solos urbanos no programa de Pós graduação em Sistemas de Infra estrutura Urbana PUC-Campinas. E-mail: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Este artigo foi publicado orinalmente no Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba, SP, de 7 de julho de 2015.

Portal Unesp

 

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