Parceria Fiocruz-Inpe

Uma parceria entre a Fiocruz, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Ministério da Saúde (MS) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS) viabilizará o projeto Atualização dos dados do Sistema de Informações Ambientais Integrado à Saúde, uma plataforma on-line que possibilitará a avaliação da exposição à poluição atmosférica e seus impactos na saúde humana. A ferramenta fornecerá não apenas os dados recentes de estimativas de concentrações de poluentes provenientes de queimadas, poluentes urbanos e industriais, como também os de monitoramento de focos de queimadas e os meteorológicos pretéritos, entre os anos 2000 e 2018, para todos os municípios do Brasil.

O projeto foi criado com a finalidade de possibilitar a continuidade do desenvolvimento da Plataforma do Sistema de Informações Ambiental Integrado à Saúde Ambiental (Sisam), originalmente iniciada em 2008, e que compõe um sistema de informação que auxilia os programas de saúde da SVS/CGVAM/MS

A nova ferramenta disponibilizará dados referentes aos seguintes parâmetros/variáveis: umidade relativa do ar próximo da superfície; temperatura do ar próximo da superfície (°C); velocidade (m/s) e direção do vento (graus) próximo da superfície; precipitação acumulada (mm); focos de queimada; concentração de monóxido de carbono (CO) próximo da superfície (ppb); concentração do material particulado inalável fino (PM2.5) próximo da superfície (μg/m3); concentração de ozônio (O3) próximo da superfície (ppb); concentração de dióxido de nitrogênio (NO2) próximo da superfície (ppb); e concentração de dióxido de enxofre (SO2) próximo da superfície (μg/m3).

“O sistema fornecerá dados sobre os efeitos da poluição atmosférica oriundas das queimadas na Amazônia, das indústrias e da poluição urbana, por exemplo. Com base na plataforma, vincularemos as principais fontes de poluição atmosférica à exposição e aos efeitos na saúde, principalmente em relação ao risco que essa poluição representa para as populações mais vulneráveis, incluindo gestantes, recém-nascidos e idosos”, explicou Sandra Hacon, coordenadora do projeto pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

A abrangência da plataforma foi ressaltada por Beatriz Oliveira, pesquisadora da Fiocruz Piauí e docente do Programa de Saúde Pública e Meio Ambiente da Ensp/Fiocruz. “Não temos estações de monitoramento com uma cobertura nacional, uma vez que a maioria está concentrada nos centros metropolitanos, principalmente no Sudeste. Trata-se de uma ferramenta facilitadora porque possibilitará a associação dos dados de exposição a esses poluentes, fornecidos pelo Inpe, aos dados de saúde”, afirmou.

Os resultados permitirão o desenvolvimento de estudos de poluição atmosférica e mudanças climáticas em relação à saúde humana. “O aumento de temperatura, associado ao aumento da poluição, exacerba os efeitos das mudanças climáticas, assim como a poluição atmosférica. Serão produzidos novos estudos relacionados não só à poluição, mas também à combinação entre o aumento de temperatura, à variabilidade da umidade relativa do ar e às ondas de calor, por exemplo”, completou Hacon.

De acordo com o consultor do Inpe Alessandro Palmeira, a plataforma está em fase de desenvolvimento, com validação dos dados, e, conforme o cronograma, ficará on-line até o final de 2019. Ele explica que, como previsto, o sistema apresentará dados meteorológicos e dados químicos, de concentração de exposição, diários, para todos os municípios do Brasil, de 2000 a 2018, inicialmente.

Informe Ensp

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