Meio Ambiente

desastres naturais

Nos últimos anos, Moçambique enfrentou, pelo menos, 10 grandes desastres naturais. O pior aconteceu em março deste ano, quando a passagem do ciclone Idai atingiu uma área de 3 mil quilômetros quadrados, causou 242 mortes e deixou 400 mil pessoas desalojadas no país.

Embora o país e o restante do continente africano estejam longe de ser os maiores emissores de gases de efeito estufa, são os que mais têm sofrido e estão entre os mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas globais. Além disso, poderão ser os mais afetados pela degradação da terra que tem acontecido em diferentes partes do mundo.

O Sumário para Formuladores de Políticas da primeira avaliação global do estado da natureza

cupuaçu

Pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) identificou que a técnica de solarização dos frutos é uma opção ecológica e eficaz para quebrar o ciclo biológico do besouro Conotrachelus sp., conhecido como broca-do-fruto do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum Schum.)

De acordo com os especialistas, a técnica é uma alternativa acessível para reduzir a incidência dessa praga na cultura, mantida majoritariamente por agricultores familiares. A broca-do-fruto é a principal praga do cupuaçuzeiro e o problema atinge sobretudo os estados da Amazônia Ocidental, como Amazonas, Rondônia e Acre.

A solarização consiste em ensacar os frutos colhidos e deixá-los expostos ao sol no campo. No estudo, foi verificado que a partir do 30º dia de solarização ocorre a morte de

tartaruga marinha

As taxas de extinção de espécies animais e vegetais estão aumentando em uma escala sem precedentes. A abundância média de espécies nativas na maioria dos principais hábitats terrestres caiu em, pelo menos, 20%, principalmente desde 1900. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos corais e mais de um terço de todos os mamíferos estão ameaçados.

Essa perda é resultado direto da atividade humana e constitui uma grave ameaça ao bem-estar humano em todas as regiões do mundo, alerta um grupo de cientistas de 50 países, incluindo do Brasil. Eles são autores da primeira avaliação global do estado da natureza da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

Nariane Bernardo

Depois de cruzar a cidade de São Paulo, onde recebe uma alta carga de poluentes provenientes principalmente do esgoto sanitário, a água do rio Tietê apresenta uma melhora progressiva de qualidade à medida que avança para o interior paulista. Ao passar por Barra Bonita (294 quilômetros distante da capital) torna-se mais clara e, ao chegar a Buritama (a 546 km da cidade), já está transparente.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), nos campi de Presidente Prudente e de São José dos Campos, indicou que essa mudança na qualidade da água do Tietê no interior de São Paulo deve-se a um processo de filtração por uma sequência de barragens durante o trajeto

Plano ABC

Investir nas práticas de recuperação de pastagens traz retornos financeiros consideráveis ao produtor. Foi o que atestou o engenheiro agrônomo Francisco Chagas da Silva em sua dissertação de mestrado na Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV). O mesmo trabalho mostrou que o aplicativo AgroTag, o protocolo GHG e o Sistema de Análise Temporal da Vegetação (SATVeg) são ferramentas eficazes para monitoramento e qualificação de práticas do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Silva avaliou o uso das três tecnologias de monitoramento, relato e verificação (MRV) no acompanhamento físico-financeiro de contratos do Plano ABC para a recuperação de pastagens.

água

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFDG), em estudo realizado na Amazônia, descobriram que mudanças no padrão alimentar de uma família de insetos aquáticos (Chironomidae Diptera), presentes nos igarapés da Amazônia Oriental, podem servir como importante indicador das alterações ambientais causadas pela atividade agrícola.

Foi a primeira vez que as consequências de diferentes usos e coberturas do solo foram avaliadas utilizando esses insetos. Como esses animais podem ter uma maior ou menor sensibilidade à poluição e às mudanças no ambiente, necessitando de condições específicas para se desenvolverem, eles indicam aos cientistas a extensão e intensidade de impactos ambientais em um ecossistema aquático e na bacia. Para isso, são analisados fatores como

raia

Não existe antídoto ou tratamento específico para o veneno da raia de água doce, apesar de acidentes envolvendo ferroadas do animal serem comuns em rios amazônicos e de outras regiões.

Um trabalho pioneiro conduzido no Instituto Butantan, em São Paulo, tem analisado o conjunto de toxinas produzido por esses animais para entender como elas agem e tentar encontrar métodos terapêuticos. Uma das descobertas relevantes é que o veneno dos membros da família Potamotrygonidae, todos de água doce, é variável mesmo entre indivíduos de uma mesma espécie.

Enquanto a ferroada de raias jovens causa muita dor à vítima – o que, possivelmente, ajuda esses animais a afugentar predadores –, as toxinas inoculadas pelos indivíduos adultos têm

abelha

Um novo estudo realizado por biólogos brasileiros sugere que o efeito dos agrotóxicos sobre as abelhas pode ser maior do que se imagina. Mesmo quando usado em doses consideradas não letais, um inseticida encurtou o tempo de vida dos insetos em até 50%. Além disso, os pesquisadores observaram que uma substância fungicida considerada inofensiva para abelhas alterou o comportamento das operárias, tornando-as letárgicas – fato que pode comprometer o funcionamento de toda a colônia.

Resultados da pesquisa foram publicados na revista Scientific Reports, do grupo Nature. O trabalho foi coordenado por Elaine Cristina Mathias da Silva Zacarin, professora na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus Sorocaba. Também participaram pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Fábrica

A Embrapa iniciou o AgriCarbono, projeto de pesquisa que vai utilizar gás carbônico (CO2) para a produção de suportes (material para formação de cápsulas) de liberação controlada de agroquímicos. De acordo com o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Agroenergia Sílvio Vaz Jr., serão desenvolvidos suportes em nanoescala para liberação controlada de moléculas de agroquímicos, que podem ser um fertilizante, um antibiótico ou um semioquímico (substância envolvida na comunicação entre seres vivos como insetos e utilizado em manejo de pragas).

O objetivo é, por meio da liberação controlada, aumentar a eficácia de aplicação e reduzir a poluição ambiental, inerentes ao uso dos agroquímicos convencionais. O trabalho conta com recursos da Eletrobrás Companhia de Geração

queimadas

Um estudo conduzido por cientistas do Brasil, Estados Unidos e Portugal investigou a acurácia e a consistência de diferentes coleções de dados obtidos por satélites relativos à localização e à extensão das áreas queimadas no Cerrado.

Os resultados, divulgados no International Journal of Applied Earth Observation and Geoinformation, devem contribuir para a melhoria dos produtos gerados no âmbito do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dedicado ao monitoramento de focos de queimadas e de incêndios florestais detectados por satélites, ao cálculo e à previsão do risco de fogo da vegetação.

A pesquisa está vinculada ao projeto Sistema brasileiro Fogo-Superfície-Atmosfera (BrFLAS), apoiado pela FAPESP. Foi coordenada pela professora Renata Libonati, da Universidade Federal

transporte de carga

A substituição do óleo diesel pelo gás natural liquefeito (GNL) no transporte de carga reduziria significativamente o custo do combustível e as emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes no Estado de São Paulo. É o que mostra um estudo conduzido no Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI), constituído pela FAPESP e pela Shell.

Com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), o RCGI é um dos Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE) financiados pela FAPESP em parceria com grandes empresas.

“Os maiores benefícios, tanto no que diz respeito à redução da poluição quanto do preço dos combustíveis, são percebidos na capital paulista e em Campinas, regiões