Meio Ambiente

Daniel Buss

Daniel Buss não tem dúvidas do impacto da mudança climática sobre a saúde das populações. “É uma ameaça existencial, e global, a mais tangível que se tem”, declara o Assessor Regional para Mudanças Climáticas e Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). “Não é algo que acontecerá no futuro, é algo que já acontece. E nós já temos um alto grau de certeza de que está causando efeitos sobre a saúde humana”, alerta.

Em conversa com a Radis, direto de Washington, onde fica a sede da Opas, ele diz enxergar o ano de 2019 como um momento fundamental e estratégico, por se realizarem três grandes conferências para discutir ações que possam enfrentar o problema. A

Planta com fusariose

O uso de resíduos orgânicos em culturas agrícolas pode contribuir para o manejo de doenças de plantas e melhorar a fertilidade do solo. Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) observaram que a incidência da murcha de Fusarium, a mais importante doença que acomete bananeiras (ver quadro), foi menos severa após a aplicação no solo do lodo de esgoto compostado.

"A redução do índice de doença variou de 9% a 67% com a aplicação de lodo de esgoto nas concentrações de 1% a 5% em relação ao grupo controle. Assim, o nível de controle vai depender da quantidade aplicada", revela o pesquisador da Embrapa Wagner Bettiol frisando que essa prática também aumentou o crescimento das plantas.

canola

Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Agroenergia (DF) com o objetivo de tropicalizar a canola (Brassica napus L.) já obtiveram ótimos resultados no Cerrado e começaram experimentos em locais de clima Semiárido. Em lavouras no Brasil Central, os cientistas registraram produtividades de até três mil quilos por hectare (kg/ha), número que ultrapassa o dobro da média nacional de 1,3 mil kg/ha, observada na mesma safra de 2016/2017 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O trabalho de tropicalização da canola contou com os primeiros experimentos em 2004, com a colaboração de universidades e assistência técnica nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraíba. Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo (RS) Gilberto Tomm, a introdução da cultura

viveiro da Cedae

O lodo de esgoto, ou biossólido, é uma alternativa econômica, prática e ecológica para o reflorestamento da Mata Atlântica. Foi o que revelou um estudo pioneiro realizado pela Embrapa Agrobiologia (RJ) em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em plantios de espécies nativas em áreas de restauração florestal. A eficácia dessa prática pode ser comprovada nos viveiros da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Estado do Rio de Janeiro (Cedae), que já produz mais de um milhão de mudas utilizando o material como substrato. “Além de ser um recurso reciclável, o biossólido aumenta a possiblidade de sucesso do reflorestamento porque as plantas crescem mais rapidamente, têm maior taxa de

doença no cultivo do feijão

Com o aumento da temperatura do planeta, muitas doenças de plantas podem alterar sua distribuição nas regiões produtoras, aumentando as dificuldades de manejo e os riscos de perdas na produção. Entre os males que afetam as raízes, a podridão radicular seca, causada por fungos do gênero Fusarium, pode se intensificar em lavouras de feijão das regiões Sul e Sudeste do Brasil e dificultar o cultivo do grão no Centro-Oeste devido à restrição de condições ambientais favoráveis para o feijoeiro. Essa é a expectativa de um estudo da Embrapa e da Universidade Federal de Goiás (UFG) publicado na revista científica PLOS ONE.

O trabalho de tese de doutorado de Renan Macedo, com orientação do pesquisador Murillo

acesso a água

Analisar o acesso adequado à água e ao esgotamento sanitário dos moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi o objetivo de um estudo desenvolvido pelo Grupo de Políticas Públicas e Direitos Humanos em Saúde e Saneamento da Fiocruz Minas. Os pesquisadores se debruçaram sobre os dados dos dois últimos censos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos anos de 2000 e 2010, verificando o acesso aos serviços nos 34 municípios que compõem a RMBH.

Os resultados mostraram que, em sua totalidade, a RMBH conta com 97,1% de cobertura em relação aos serviços adequados de abastecimento de água e com 87,7% em esgotamento sanitário, números bem superiores à média nacional que

Fernando Carneiro

O atual contexto socioambiental preocupa ambientalistas, pesquisadores e, mais ainda, os povos e comunidades tradicionais que guardam a sociobiodiversidade dos biomas brasileiros. Em entrevista ao Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), o pesquisador da Fiocruz Ceará Fernando Carneiro, aborda a importância de se demonstrar cada vez mais, por meio de estudos científicos, a importância da proteção naturalmente exercida pelos chamados povos dos campo, das florestas e das águas na salvaguarda da sociobiodiversidade brasileira. Ele tem sua trajetória profissional ligada à promoção da saúde no campo e integra GT Saúde e Ambiente da Abrasco e o Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e das Águas – Teia de Saberes e Práticas (OBTEIA).

Humberto Simão

Nos últimos sete anos, 21 mil pessoas foram capacitadas em tecnologias de baixa emissão de carbono em todo o estado

Acontece entre os dias 17 e 19 de junho, na Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO), a “Capacitação continuada de agentes multiplicadores em tecnologias de ILPF”. Com 20 horas de duração, o curso é voltado para técnicos e produtores proprietários de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) que participaram dos módulos anteriores. O objetivo é continuar o treinamento de agentes multiplicadores em tecnologias de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). 

No estado, o trabalho de transferência de tecnologias do Plano ABC – que incentiva uma agricultura com baixa emissão de carbono –  é realizado por meio da parceria da Embrapa

Mata Atlântica

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançou oficialmente o Projeto Gigante Guarani, dedicado a restaurar a Mata Atlântica em áreas de recarga do Aquífero Guarani na Cuesta de Botucatu (SP).

O foco principal do projeto no momento é restaurar 200 hectares de Mata Atlântica no entorno de mananciais em Áreas de Preservação Permanente dos municípios paulistas de Itatinga, Bofete e Pardinho.

Área de Preservação Permanente é uma área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

Segundo a Unesp, foram assinados termos

 Programa BIOTA-FAPESP

Pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos (Nupecce) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, reintroduziram uma população de cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) em uma área central do Estado de São Paulo na qual tais animais estavam extintos.

O trabalho foi feito graças à parceria dos pesquisadores com parques e Unidades de Conservação. Anos depois da reintrodução dos animais, a população está crescendo e o monitoramento das espécies continua. “Sem o apoio das Unidades de Conservação, seria praticamente impossível conseguirmos fazer nossos projetos”, disse José Maurício Barbanti Duarte, coordenador do Nupecce.

Duarte apresentou os resultados de anos de projeto durante reunião na FAPESP para o lançamento de novo edital de pesquisa que visa incentivar

risco climático

Os impactos associados ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), criado pela Embrapa, trouxeram uma economia de cerca de R$ 16,8 bilhões para o agronegócio brasileiro no ano passado. A estimativa foi calculada para o Balanço Social 2018 da Embrapa e equivale, principalmente, a prejuízos que o País deixou de sofrer com perdas de safras e às consequentes indenizações securitárias que elas provocariam. De acordo com a metodologia do Balanço, o trabalho da Embrapa é responsável por 40% desses resultados, o que equivale a cerca de R$ 6,7 bilhões.

Isso porque, baseado em dados climáticos históricos, o Zarc indica as datas de plantio em que há menor risco de frustração de safra provocada por condições ambientais