Meio Ambiente

capa da Nature

No solo das florestas, algumas espécies de fungos e de bactérias se associam a raízes de árvores para crescerem juntas, de modo a obterem benefícios mútuos. Os microrganismos auxiliam as plantas a absorver água e nutrientes do solo, a sequestrar carbono e a resistir aos efeitos das mudanças climáticas. Em troca, recebem carboidratos essenciais para seu desenvolvimento, produzidos pelas plantas durante a fotossíntese.

Uma colaboração de mais de 200 cientistas de diversos países, incluindo 13 de diferentes regiões do Brasil, mapeou a distribuição global dessas associações entre organismos de espécies diferentes (simbioses), fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas florestais. Com base nesse mapeamento foi possível identificar fatores que determinam onde diferentes tipos de simbioses podem

Abelha

Pesquisadores financiados pelo Conselho de Pesquisa em Meio Ambiente Natural (NERC, na sigla em inglês), do Reino Unido, deram início a uma série de projetos colaborativos com parceiros na Argentina, Brasil, Chile e Peru para melhor compreender o papel social e econômico da biodiversidade na América Latina e como geri-la de forma mais sustentável.

Os quatro projetos analisarão a gestão da pesca, da polinização, das florestas e de espécies invasoras de forma regional e também por toda a América Latina, uma das regiões de maior biodiversidade do mundo. Os estudos ajudarão a entender como a biodiversidade possibilita aos ecossistemas fornecer serviços vitais às populações, como água potável, alimentos e recursos naturais. Esse entendimento pode gerar

 reflorestamento

Um experimento realizado na Mata Atlântica sugere que a silvicultura intensiva – com uso de herbicida e maior quantidade de fertilizantes – é mais eficaz para promover a regeneração de florestas tropicais e o ganho de biomassa do que o método tradicional, baseado no controle do capim com roçada e menor adubação.

O estudo foi coordenado por Pedro Henrique Santin Brancalion, professor de Silvicultura de Espécies Nativas no Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), e teve apoio da FAPESP.

O trabalho contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e

desastres naturais

Nos últimos anos, Moçambique enfrentou, pelo menos, 10 grandes desastres naturais. O pior aconteceu em março deste ano, quando a passagem do ciclone Idai atingiu uma área de 3 mil quilômetros quadrados, causou 242 mortes e deixou 400 mil pessoas desalojadas no país.

Embora o país e o restante do continente africano estejam longe de ser os maiores emissores de gases de efeito estufa, são os que mais têm sofrido e estão entre os mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas globais. Além disso, poderão ser os mais afetados pela degradação da terra que tem acontecido em diferentes partes do mundo.

O Sumário para Formuladores de Políticas da primeira avaliação global do estado da natureza

água

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFDG), em estudo realizado na Amazônia, descobriram que mudanças no padrão alimentar de uma família de insetos aquáticos (Chironomidae Diptera), presentes nos igarapés da Amazônia Oriental, podem servir como importante indicador das alterações ambientais causadas pela atividade agrícola.

Foi a primeira vez que as consequências de diferentes usos e coberturas do solo foram avaliadas utilizando esses insetos. Como esses animais podem ter uma maior ou menor sensibilidade à poluição e às mudanças no ambiente, necessitando de condições específicas para se desenvolverem, eles indicam aos cientistas a extensão e intensidade de impactos ambientais em um ecossistema aquático e na bacia. Para isso, são analisados fatores como

Márcia Grise

Tocantins pode dar uma importante contribuição para a redução de gases de efeito estufa. Quem afirma é a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Márcia Grise, que na última quinta-feira, em palestra na Agrotins, falou sobre o potencial de uso de sistemas agrícolas e pecuários sustentáveis na mitigação de gases que promovem o aquecimento global. “Ao estabelecer o Plano ABC estadual, Tocantins se propôs a recuperar 1,2 milhões de hectares de pastagens degradadas”, afirma ela. A área é equivalente a 12 mil campos de futebol. No Brasil, estima-se que 100 milhões de hectares de pastagens no país estariam com nível de degradação forte ou moderado, necessitando alguma forma de intervenção.

Vale ressaltar que, na prática,

cupuaçu

Pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) identificou que a técnica de solarização dos frutos é uma opção ecológica e eficaz para quebrar o ciclo biológico do besouro Conotrachelus sp., conhecido como broca-do-fruto do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum Schum.)

De acordo com os especialistas, a técnica é uma alternativa acessível para reduzir a incidência dessa praga na cultura, mantida majoritariamente por agricultores familiares. A broca-do-fruto é a principal praga do cupuaçuzeiro e o problema atinge sobretudo os estados da Amazônia Ocidental, como Amazonas, Rondônia e Acre.

A solarização consiste em ensacar os frutos colhidos e deixá-los expostos ao sol no campo. No estudo, foi verificado que a partir do 30º dia de solarização ocorre a morte de

Fábrica

A Embrapa iniciou o AgriCarbono, projeto de pesquisa que vai utilizar gás carbônico (CO2) para a produção de suportes (material para formação de cápsulas) de liberação controlada de agroquímicos. De acordo com o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Agroenergia Sílvio Vaz Jr., serão desenvolvidos suportes em nanoescala para liberação controlada de moléculas de agroquímicos, que podem ser um fertilizante, um antibiótico ou um semioquímico (substância envolvida na comunicação entre seres vivos como insetos e utilizado em manejo de pragas).

O objetivo é, por meio da liberação controlada, aumentar a eficácia de aplicação e reduzir a poluição ambiental, inerentes ao uso dos agroquímicos convencionais. O trabalho conta com recursos da Eletrobrás Companhia de Geração

Transformations to Sustainability

O Belmont Forum, grupo de agências de fomento à pesquisa sobre mudanças globais, acaba de lançar um site para a iniciativa Transformations to Sustainability (T2S).

O site é produzido em conjunto com o New Opportunities for Research Funding Agency Cooperation in Europe (Norface).

Segundo as instituições, o programa de pesquisa T2S “contribui para a reestruturação do domínio da pesquisa em sustentabilidade, ao colocar as ciências sociais, bem como as humanidades, no cerne da pesquisa interdisciplinar sobre sustentabilidade, fazendo uma mudança de escala e escopo para a programação da pesquisa na área”.

O T2S reúne 12 projetos de pesquisas transnacionais, quatro deles contando com pesquisadores do Estado de São Paulo e apoiados pela FAPESP (www.fapesp.br/12471). Os

tartaruga marinha

As taxas de extinção de espécies animais e vegetais estão aumentando em uma escala sem precedentes. A abundância média de espécies nativas na maioria dos principais hábitats terrestres caiu em, pelo menos, 20%, principalmente desde 1900. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos corais e mais de um terço de todos os mamíferos estão ameaçados.

Essa perda é resultado direto da atividade humana e constitui uma grave ameaça ao bem-estar humano em todas as regiões do mundo, alerta um grupo de cientistas de 50 países, incluindo do Brasil. Eles são autores da primeira avaliação global do estado da natureza da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

Nariane Bernardo

Depois de cruzar a cidade de São Paulo, onde recebe uma alta carga de poluentes provenientes principalmente do esgoto sanitário, a água do rio Tietê apresenta uma melhora progressiva de qualidade à medida que avança para o interior paulista. Ao passar por Barra Bonita (294 quilômetros distante da capital) torna-se mais clara e, ao chegar a Buritama (a 546 km da cidade), já está transparente.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), nos campi de Presidente Prudente e de São José dos Campos, indicou que essa mudança na qualidade da água do Tietê no interior de São Paulo deve-se a um processo de filtração por uma sequência de barragens durante o trajeto