Dinheiro chinês pode resgatar país da crise ou criar dependência

O acordo bilionário assinado entre os chefes máximos dos governos brasileiro e chinês nesta terça-feira (20) cria uma expectativa para que o país saia da crise econômica com a injeção de US$ 53 bilhões em investimentos. Por outro lado, é evidente o interesse chinês em importar commodities, o que pode fazer o Brasil ficar dependente e vulnerável às variações de preço deste tipo de produto, que não passa pelos mesmos períodos de altas históricas como na década passada. A pedidos do Jornal do Brasil, três professores universitários, um deles Marcos Cordeiro Pires, da Unesp de Marília, fizeram uma breve análise de alguns pontos importantes a serem considerados no trato Brasil-China.

Questionado sobre possíveis "amarras" que o Brasil pode acabar criando com a China, o professor de Relações Internacionais ressalta: "Um país que necessita de outros para se desenvolver cria uma relação de dependência. E no caso do Brasil, isto não é novidade". Rogério Faleiros vai mais além, e diz que o país "pode ficar muito vulnerável a qualquer oscilação nos preços de commodities, como a soja ou o minério de ferro. Além disso, esse tipo de produto de exportação passa por cenário diferente da década anterior, onde seus preços atingiram altas históricas".

Marcos Pires enfatiza que o acordo não teria como "piorar o que já é ruim". Ele diz que indústrias brasileiras nesses setores já não são competitivas. "Não temos capacidade de concorrer com outros países no que diz respeito à tecnologia da informação ou eletroeletrônicos. A debilidade nesses setores já está evidenciada por uma falta de infraestrutura".

Marcos Cordeiro Pires, da Unesp, diz que há correntes políticas nos Estados Unidos que enfrentam essa relação de duas maneiras. "Alguns veem como uma ameaça estratégica, e outros analisam como uma relação exclusivamente comercial. já do ponto de vista brasileiro, acordos com um outro país que forma o BRICS se mostra importante para criar uma "institucionalidade paralela" a órgãos controlados pelos EUA e seus aliados, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Reportagem completa em
http://www.jb.com.br/economia/noticias/2015/05/19/especialistas-destacam-pontos-positivos-e-negativos-do-acordo-entre-brasil-e-china

Fonte: Jornal do Brasil/Luís Guilherme Julião/Do programa de estágio do JB
Portal Unesp
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