Debate acontece um mês depois de a China divulgar seu último relatório sobre Direitos Humanos

Papel das universidades foi um dos tópicos de encontro realizado em São Paulo

No último dia 8 de junho, o governo chinês divulgou a mais recente edição do Livro Branco sobre Direitos Humanos, relatório em que o país apresenta suas realizações e prioridades no assunto. Para debater o tema e discutir experiências brasileiras e chinesas na área, um grupo de gestores e professores da universidade recebeu, no dia 1º de julho, uma delegação de autoridades chinesas.

O encontro durou cerca de uma hora e foi realizado no Instituto Confúcio, em São Paulo, SP. O grupo chinês foi encabeçado por Huang Junxian, assistente do diretor-geral do Departamento de Direitos Humanos do país, que iniciou a conversa ressaltando a presença do tema em debates realizados durante os recentes congressos do partido.

O documento intitulado Progressos em Direitos Humanos na China em 2014 é o 12º relatório publicado pelo governo chinês desde o lançamento de sua primeira edição, em 1991. A China costuma receber críticas da comunidade internacional por não obedecer ao tratado mundial de Direitos Humanos e desenvolver um modelo próprio que visa corresponder às condições específicas do país. Entre os pontos observados pelo último relatório estão avanços significativos em proporcionar julgamentos justos aos seus cidadãos e no direito ao desenvolvimento social e econômico.

"Brasil e China estão em estágios parecidos de desenvolvimento e por isso têm questões semelhantes relacionadas aos Direitos Humanos", destacou Huang Junxian, cuja delegação esteve anteriormente no México com a mesma finalidade. A autoridade chinesa admitiu falhas de seu país em relação ao tema e apontou que uma das prioridades da versão chinesa para os Direitos Humanos é promover uma sociedade mais justa e levar o desenvolvimento para todos os seus cidadãos.

À frente da representação da Unesp, o professor Luis Antônio Paulino, diretor do Instituto Confúcio, agradeceu a visita chinesa e comentou alguns esforços do governo brasileiro na questão, como iniciativas empreendidas na última década na redução da desigualdade e no acesso à educação.

Também estiveram presentes na reunião o diretor-adjunto do Instituto, professor Marcos Cordeiros Pires, a professora Carolina Kraus Luvizotto, e do professor Clodoaldo Meneguello Cardoso, coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos (OEDH) da Unesp, localizado no campus de Bauru.

O professor Cardoso falou sobre o trabalho no observatório e a atuação da Unesp em Direitos Humanos focadas especialmente na educação, promovendo, por exemplo, a aproximação do tema com outras áreas do conhecimento da universidade. "Atualmente estamos desenvolvendo também um projeto sobre violência que visa tornar a universidade mais humanizada,reflexiva e democrática", explica.

Também acompanhando a delegação chinesa, o professor Zhang Yongh e destacou a participação das universidades chinesas no processo de discussão dos Direitos Humanos no país. O docente da Southwest University of Political Science and Law coordena um centro de educação e estudo sobre o assunto dentro da instituição. ZHangh ofereceu aos professores brasileiros a última edição do relatório elaborado a partir de uma pesquisa sobre a opinião pública chinesa em Direitos Humanos. O cônsul-geral adjunto Cheng Baoxiang também participou da reunião.

Marcos Jorge
Portal Unesp

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