mecanismo para impedir que motoristas falem ao celular enquanto conduzem

Equipe de estudante de física da USP idealizou um dispositivo para impedir uso de celular no trânsito. Proposta venceu competição de empreendedorismo

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,3 milhão de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito.Nos Estados Unidos, cerca de 25% desses acidentes são provocados pelo uso indevido do telefone celular, de acordo com pesquisa realizada pelo National Safety Council (Conselho de Segurança Nacional) do país. Desde o início deste mês, no Brasil, usar o aparelho enquanto dirige passou a ser considerada uma infração gravíssima.

Tendo como ponto de partida os dados alarmantes, a equipe de um estudante do Instituto de Física (IF) da USP idealizou um dispositivo chamado B-safeTech, com a proposta de impedir que motoristas falem ao celular enquanto conduzem. A ideia surgiu durante uma competição no Workshop de Empreendedorismo para Cientistas e Engenheiros, realizado de 17 a 21 de outubro no Instituto de Física Teórica da Unesp, em São Paulo. O evento reuniu estudantes de graduação, pós-graduação, professores e pesquisadores da área da ciência e da engenharia que assistiram palestras de oradores nacionais e internacionais, obtendo competências empresariais para comercializar as suas ideias e invenções científicas.

Participantes do workshop na Unesp
Participantes do workshop na Unesp – Foto: Divulgação/IFT

time formado por Luan Delarion e professores de universidades da América Latina e do Brasil consagrou-se vencedor da competição. O desafio proposto era criar, a partir de uma ideia científica, o modelo de negócios de um produto que se mostrasse viável comercialmente. 

Apesar do foco da competição não ser a criação de um dispositivo ou produto em si, o projeto mostrou-se cientificamente possível de ser realizado. O grande diferencial do produto pensado pelos vencedores em relação aos bloqueadores de sinal já disponíveis no mercado é isolar apenas o motorista, não afetando o uso do celular pelos demais passageiros do veículo.

 

Luan
Luan durante apresentação do projeto – Foto: Divulgação/IFT

Para Delarion, que precisou de duas cartas de recomendação e proficiência em inglês para participar do workshop, falta aos estudantes e profissionais da área da física interesse em arriscar-se no mundo dos negócios. “A mentalidade dos graduandos, dos professores da área de física não é voltada para o empreendedorismo, eles preferem ficar na área acadêmica”, explica o estudante do IF.

Segundo ele, apesar do incentivo da organização do workshop à participação de físicos, poucos estudantes e profissionais da área se engajaram no evento. Delarion acredita que é nesse vácuo de interesse pelo empreendedorismo que as empresas juniores (EJs) de física podem ajudar. “As EJs têm um papel de fazer o estudante da graduação se preparar para isso desde cedo. Ter participado da IFUSP Jr. (a empresa júnior do IF) foi o que me estimulou e me abriu a cabeça para tudo isso.”

equipe de Delarion
Proposta da equipe de Delarion venceu competição de empreendedorismo – Foto: Divulgação/IFT

As noções de empreendedorismo adquiridas na IFUSP Jr. ajudaram o estudante e sua equipe a alcançar o primeiro lugar da competição com o B-safeTech. Um dos principais pontos do plano de negócio apresentado é explorar o vasto mercado de seguradoras no Brasil.

“A ideia seria mostrar para as seguradoras que as estatísticas de acidentes envolvendo celular são relevantes”, explica o estudante, que está no último ano do curso de bacharelado em Física. A partir dessa percepção, o B-safeTech entraria como uma forma de os motoristas baratearem o preço do seguro, já que o dispositivo reduziria o número de acidentes.

O próximo workshop será no México, e Delarion participará como convidado da organização. Segundo o futuro físico, iniciativas do tipo são importantes para fazer boas ideias saírem do papel e estimular cientistas a levarem adiante seus projetos. “Muitos professores (que desenvolvem projetos científicos) já não têm mais ânimo para superar as barreiras de colocar uma ideia no mercado, às vezes sequer a patenteiam e deixam a ideia morrer”, finaliza.

Jornal da USP

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