Espaço virtual Sem Diplomacia

livro 'Sem diplomacia: Um mundo de equilíbrios precários' (Cultura Acadêmica, 286 páginas), organizado por Luis Fernando Ayerbe, pode ser baixado gratuitamente em:
http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=511

A obra é resultado da pesquisa desenvolvida pelo programa Sem Diplomacia, parceria entre o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI-UNESP) e a Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp (ACI).

Na perspectiva de contribuir para a análise, a informação e o debate sobre a conjuntura internacional, o objetivo da investigação é compreender a racionalidade de atores que são decisivos na geração de acontecimentos ou intervenção neles, tomando como fontes principais visões de teor mais ideologizado e partidarizado, muitas vezes relegadas pelos grandes meios de comunicação por seu “descuido” com o “politicamente correto”, já que vão direto ao ponto, sem rodeios, Sem Diplomacia.

Na pista das razões e interesses de grandes protagonistas, nossa escolha metodológica busca submeter ao contraditório eventos e processos. A partir dessa perspectiva, a equipe do projeto concentra o foco da análise em duas vertentes temáticas: 1) razões e interesses da atuação internacional dos EUA, especialmente na América Latina, evidenciando polarizações internas entre posições vinculadas ao “conservadorismo”, “liberalismo”, “direita” e “esquerda”; 2) razões e interesses que alimentam polarizações políticas na América Latina, estruturadas em torno de posições associadas ao “neoliberalismo”, “populismo”, “esquerda” e “direita”.

Os resultados, divulgados no site http://www.unesp.br/semdiplomacia, contemplam três modalidades de produtos: 1) Artigos, em que são postadas matérias selecionadas de meios de comunicação, levando o mesmo título da fonte de origem, acompanhada de síntese explicativa sobre seu conteúdo, dispensando comentários opinativos, e o link para acesso à versão completa; 2) Análises oriundas da equipe ou de colaboradores externos, veiculadas nas seções Opinião, Podcast e Videocast; 3) Programa em vídeo Em Debate, com convidados que discutem em cada edição um tema relevante na área de relações internacionais.

Com a publicação deste livro, é inaugurada uma nova modalidade de divulgação, apresentando ao público leitor nove capítulos elaborados pela equipe do projeto a partir do acompanhamento da conjuntura internacional iniciado em 2013, ano de criação do Sem Diplomacia.

Sobre o organizador
Luis Fernando Ayerbe
Professor-titular da Unesp, atuando no Departamento de Economia do campus de Araraquara e no Programa San Tiago Dantas de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Unesp, Unicamp e PUC/SP, além de coordenar o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI-Unesp).

Leia trecho da apresentação
O primeiro capítulo, “Um mundo de equilíbrios precários”, toma como base a temática central do livro, analisando eventos e posicionamentos de atores de diferentes espectros políticos e ideológicos que evidenciam uma preocupação de crescente destaque nos debates sobre as relações internacionais: a “ordem”, a “desordem”, e o lugar dos Estados Unidos no mundo. Retomando o título de uma das obras do historiador Eric Hobsbawm, coloca-se a questão que desafia a análise: estamos frente a uma nova Era de Extremos?

Os três capítulos seguintes tomam como foco exclusivo os Estados Unidos. Em “Conservadorismo nos EUA, um conceito fora de lugar?”, Ariel Finguerut discute a trajetória conservadora a partir da segunda metade do século XX, procurando demonstrar sua peculiaridade e suas diferentes formas de articulação para, na sequência, construir elementos para aprofundar o debate contemporâneo em torno do neoconservadorismo, da Nova Direita, e das polarizações ideológicas dos anos recentes. Em “Os Libertários”, Ariel Finguerut e Marco Aurélio Dias de Souza abordam as principais ideias, formas de mobilização e impacto desse movimento, apresentando o contexto histórico e ideológico da sua emergência nos EUA, sua relação com o espectro conservador mais amplo, as ideias, conceitos, contradições e desafios internos enfrentados na atualidade, situando os principais contornos que permitem discutir algumas das propostas libertárias diante da sucessão de Barack Obama. Em “Da primavera ao outono: as narrativas discursivas da The National Interest sobre as crises na Ucrânia e na região entre a Síria e o Iraque (2013-2014)”, Roberto Moll aborda o debate sobre o posicionamento do governo Obama com relação às duas crises, tomando como referência o polo conservador, especificamente o site nationalinterest.org. A análise busca responder a algumas perguntas que ajudam a iluminar aspectos relevantes sobre a política interna e externa do país: como é narrado o desenrolar desses processos de crise em diferentes regiões do Oriente? Nessas narrativas, como se descreve o “outro”? Como é avaliado o papel dos Estados Unidos? Quais ações são propostas?

Perspectivas conservadoras presentes nos EUA aparecem também em alguns dos cenários de polarização da América Latina abordados nos três capítulos dedicados à região. Em “A esquerda latino-americana no poder: principais embates e debates do biênio 2013-2014 e análise do caso venezuelano”, Carolina Silva Pedroso faz um acompanhamento das eleições presidenciais em Equador, Venezuela, Paraguai, Honduras, Chile, El Salvador, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Bolívia, Brasil e Uruguai a partir de um recorte metodológico baseado em fontes que se apresentam como parte da esquerda e/ou do progressismo. Temas como neoliberalismo, tratados de livre-comércio, política externa e estratégias de inserção regional e internacional foram foco comum dos debates, tendo na Venezuela a principal referência regional em termos de disputa. Em “Democracia e polarização na Argentina kirchnerista”, Matheus de Oliveira Pereira traça um panorama dos embates políticos no período de doze anos de governos de Néstor e Cristina Kirchner. O foco do texto está especialmente direcionado às posições da oposição, frequentemente vocalizadas em veículos como os jornais Clarín e La Nación, os principais do establishment midiático argentino, e de portais online como o Infobae, a partir de uma crônica pautada em temas específicos: a lei de meios, a política externa e a questão dos “fundos abutres”. Em “Polarização política e política externa nas eleições brasileiras de 2014”, Sara Basilio de Toledo e Lucas Mesquita analisam os embates em torno do PT e do PSDB, que ganhou fôlego com as eleições presidenciais de 1994 e vem se intensificando até alcançar seu ápice em 2014.

Diferentemente de algumas políticas domésticas que não se radicalizaram de maneira tão pontual em suas propostas, a política externa polarizou posições na medida em que os modelos apresentados de inserção internacional brasileira na região e no mundo se distinguiram significativamente. Entre as fontes da análise destacam-se os Programas de Governo, discursos, entrevistas, debates oficiais e materiais de agências de notícias.

Em “Obsessiva desigualdade”, Adalton Oliveira trata de tema que atravessa as polarizações dos diversos atores e processos analisados nos capítulos anteriores. Partindo do debate entre conservadores e progressistas a respeito do significado filosófico e econômico da desigualdade, analisa seu desdobramento na política. Com um acompanhamento ilustrado por gráficos sobre a evolução recente nos Estados Unidos e na América Latina, mostra uma tendência de aumento da inequidade no primeiro e de queda na América Latina. Destacando os casos de Bolívia e Brasil, enfatiza-se o peso dos programas sociais governamentais, objeto de forte polêmica nas recentes eleições presidenciais, dado o peso decisivo nas respectivas continuidades de Evo Morales e Dilma Rousseff.

Fechando o livro, “Rumo aos futuros mais próximo e distante”, de Oscar D’Ambrosio, Daniel Patire e Cínthia Leone, coloca em relevo a parceria entre a ACI e o IEEI no Sem Diplomacia, analisando o conteúdo dos programas Em Debate. “Por que os EUA espionam o Brasil?”, “Venezuela: Crise Política e Econômica”, “Os Estados Unidos perderam influência na América Latina?”, “Guerra contra o Estado Islâmico”, “O panorama político na América do Sul em 2015”, “Conflitos armados internacionais e a radicalização da violência contra civis”, “Ordem e Desordem Mundial”, “O reatamento diplomático entre Cuba e EUA”, são os títulos de algumas das edições veiculadas até o momento, com pautas que atravessam temas diretamente vinculados às linhas de pesquisa do projeto.

Portal Unesp

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