Intervozes

É a crise, não há quem negue. E como em todas as crises, a narrativa sobre seus significados, causas e desdobramentos é um dos objetos em disputa. A grande mídia cumpre seu papel. Aliada dos grupos que fabricam e gerem as crises, tenta passar a ideia de que a debacle financeira não é mais do que produto da tristeza de um mercado a quem maus políticos contrariam. É essa a voz que tenta impor sua versão da história e fazer do algoz, o capital com suas crises cíclicas, a vítima. (Entre as muitas contrariedades que lhe são impostas pelos políticos, o excesso de direitos, ainda que de excessivo pouco se tenha em termos de direito, por essas plagas). Por sorte que há outras vozes, outros diálogos. Com a proposta de oferecer um espaço livre de reflexão e conversa, foi lançada a Revista Intervozes. A publicação é uma parceria da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) com a Faculdade Arthur Sá Erp Neto (FASE), de Petrópolis, e a Universidade Federal Fluminense (UFF). A ideia dos editores é atrair novos olhares sobre os temas relacionados às transformações no mundo do trabalho e as condições de vida e saúde da população.

Intervozes, segundo o editorial de seu número de lançamento, vai abordar temas como a gestão do trabalho nas organizações, os sentidos e representações envolvidos na produção e reprodução do trabalho e os aspectos culturais relacionados à essa dinâmica.

“ A revista não quer ser apenas mais um periódico científico: pretende ser uma experiência nova, tanto no conjunto da publicação como no processo de trabalho. Temos a impaciência de quem quer transformar o mundo e acreditamos que o conhecimento e a educação são as principais ferramentas. Por isso, tomamos a realização da revista como um projeto políticopedagógico”, diz um trecho do editorial.

Ainda de acordo com seus editores, a intenção é fugir dos modelos de publicações acadêmicas, dando voz a alunos de graduação e pós-graduação, trabalhadores e a quem mais queira participar de um diálogo inovado sobre temas relacionados à saúde, trabalho e cultura.  

“Queremos fazer ouvir muitas e diferentes vozes, de quem teoriza e de quem vive a experiência, os sujeitos pesquisadores e os sujeitos da pesquisa, acadêmicos e não acadêmicos”, complementa o editorial.

 Os pesquisadores da Ensp/Fiocruz Eduardo Stotz e José Augusto Pina fazem parte do conselho editorial de Intervozes. Eduardo acredita que a troca entre a revista e a Ensp/Fiocruz vai ser profícua.

 - A Escola, por dispor de um departamento voltado para a saúde do trabalhador, com a oferta regular de cursos de especialização e pós-graduação stricto sensu, pode atrair estudantes e pesquisadores da instituição e de outras congêneres, seja para a publicação nas diversas seções, seja para a apropriação dos conteúdos de cada número na dimensão do ensino e da pesquisa. A Ensp desempenha esse papel com a particularidade de assumir a publicação da revista numa perspectiva fortemente dialógica, por entender a construção do conhecimento científico como parte da disputa pela interpretação de sentidos dos fatos e processos em curso na sociedade.

Em seu primeiro número, Intervozes traz textos que debatem a intensificação do trabalho em Taylor; discute a necessidade de saúde como conceito, valor e política, fala dos processos de trabalho dos agentes comunitários de saúde e traz uma análise histórica da acessão e queda da indústria têxtil em Petrópolis, em uma abordagem que procura não só destacar a dimensão material, mas também aspectos sociais, culturais e a produção simbólica desses processos.

Confira a revista Intervozes na íntegra.

Ensp/Fiocruz

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