Um piano nas barricadas

Livro do escritor Marcello Tari marcou época ao contar a história do movimento Autonomia Operária, na Itália dos anos 1970.

As imagens de estudantes em confronto com a polícia em maio de 1968, na França, correram mundo e influenciaram pessoas e movimentos. Porém, no começo dos anos 1970, na Itália, um movimento tão importante quanto despontou: o “Autonomia Operária”. Tinha visão inovadora e na pauta de discussões e debates sobre a multiplicidade dos feminismos e questões ligadas gays. É justamente essa história - publicada pela primeira vez no Brasil –  que conta o livro “Um piano nas barricadas”, de Marcello Tari, uma coedição das editoras GLAC e N-1. O lançamento  acontece no próximo domingo, dia 15 de dezembro, a partir das 15h, na Galeria Reocupa da Ocupação Nove de Julho (Rua Álvaro de Carvalho 427, São Paulo).

“Um piano nas barricadas” traz à luz a importância do movimento Autonomia Operária, um conjunto de ações e práticas - mais radicais se comparadas a  Maio de 68, movimento que em parte se institucionalizou criando até mesmo partidos políticos (o movimento da Autonomia, por sua característica radicalmente experimental ficou conhecido inclusivo como Maio Rastejante). A Autonomia Operária foi, de uma forma diversa, mais potente que o movimento francês em termos de experimentalismos revolucionários no que consiste nas práticas criativas e inventivas. Por esta razão, o livro traz outra forma de se pensar insurreições sociais que não tenham caráter institucional. O livro abre caminhos para quem compreendamos os acontecimentos de junho 2013, quando uma onda de protestos tomou conta do país. “Um piano nas barricadas” também ilumina a compreensão para fatos recentes acontecidos nos nossos vizinhos de América Latina, como Equador, Bolívia e Chile.

A obra de Marcelo Tari, que era jovem quando participou dos acontecimentos da Autonomia em 1970, foi concebida em período turbulento da história da Itália. Naqueles tempos o país estava mergulhado em greves descontroladas, trabalhadores que odiavam a fábrica, jovens selvagens que praticavam outros modos de vida, feminismos, contraculturas, lutas armadas. A Itália dos anos setenta era selvagem em quase todas as suas expressões.

Sobre o autor
Marcello Tarì é um pesquisador independente e pensador propositor da autonomia, autor de numerosos ensaios. Viveu nos últimos anos entre a França e a Itália. Contribuiu para o livro Gli autonomi. A teorie, a burbot, a storia (DeriveApprodi, 2007) e publicou Movimenti dell’Ingovernabile. Dai controvertici alle lotte metropolitane (Ombre Corti, 2007), além dos mais recentes, traduzidos para várias línguas, Autonomie !: Italie, les années 1970 (La Fabrique, 2012) e Non esiste la rivoluzione infelice: Il comunismo della destituzione (DeriveApprodi, 2017)

Ficha Técnica “Um piano nas barricadas”
Formato 19 X 12 cm, preto e branco, 392 páginas preço de capa R$ 65,00 tradução Edições Antipáticas (Lisboa, Portugal) projeto gráfico GLAC edições colaboração gráfica Érico Peretta revisão de tradução Andrea Piazzaroli preparação Gustavo Motta revisão Lia Urbini

Serviço
15 de dezembro, a partir das 15h, na Galeria Reocupa da Ocupação Nove de Julho (Rua Álvaro de Carvalho 427, São Paulo).

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