Sylvio Fraga. Foto: Divulgação

Na série, artistas de movimentos considerados inovadores na criação musical brasileira sobem ao palco. Curadoria deste período da ocupação é do coletivo Chama

Na quinta-feira, dia 27, e na sexta, dia 28, às 19h30, a Sala Funarte Sidney Miller, no Centro do Rio de Janeiro, recebe mais dois shows da série Contemporâneos na Sala Funarte: Sylvio Fraga Quinteto; e Kristoff Silva. O Coletivo Chama (RJ) faz a curadoria. O projeto, que expõe talentos das tendências musicais brasileiras consideradas mais inventivas e inovadoras, é realizado pela Fundação Nacional de Artes – Funarte, com ingressos a preços populares.

Sylvio Fraga é compositor e poeta. Alicerçado em seu peculiar violão “reafinado”, o artista elabora canções nas quais parâmetros musicais como timbre e textura são tão importantes quanto melodias e harmonias. Sua banda, formada por Mac Willian Caetano (bateria), Bruno Aguilar (contrabaixo acústico), José Arimatéia (trompete) e Lucas Cypriano (teclado), não apenas acompanha o o autor-cantor, mas se integra à sua voz e seu violão, de tal modo que todos os elementos se envolvem, “constituindo uma intrigante paisagem sonora que vai se revelando em fluxos contínuos de pequenas suites (canções fundidas umas às outras)” – comenta o Coletivo Chama. Fraga lançou o álbum Rosto, em 2013, em que, pela primeira vez, gravou composições próprias e prepara um novo disco

O repertório do show reúne peças do compositor e algumas criadas em parceria, além de The way you make me feel, de Michael Jackson.

Sobre Sylvio Fraga

Aos seis anos, inspirado por um disco da banda de rock progressivo Yes, Sylvio Fraga Neto pediu aos pais para aprender violão. Isso o levou a formar uma banda cover dos Beatles, com amigos da escola. Viveu boa parte da infância em Nova Jersey (EUA). “Na escola, eu era conhecido como ‘o brasileiro’. Aos treze anos, voltei com a família para o Rio e fui considerado um ‘semi-gringo’ ”, brinca o artista. Na adolescência, tirava músicas no violão e já compunha. Desde então, sua produção musical e poética nunca mais parou. Formou-se em Economia, na PUC-RJ. Dirigiu o Museu Antônio Parreiras, em Niterói. Fez mestrado em Poesia na New York University (EUA). Nessa época, lançou sua primeira obra de poemas, Entre árvores. Em 2012, voltou para o Rio e gravou seu primeiro disco, Rosto, lançado no ano seguinte, em um trio com Marcio Loureiro e Mac Willian Caetano – em que testou arranjos e começou a aprimorar melodias e harmonias de forma profissional. Publicou seu primeiro livro de tradução de textos poéticos, O andar ao lado: três novos poetas norte americanos, também em 2013. Hoje, o artista prepara sua segunda publicação de poemas e seu segundo disco, Cigarra no Trovão, a ser lançado em outubro.

O repertório

No programa do show, à livre escolha do Quinteto, estão as músicas autorais do artista: Fanta laranja, Nogueira, Norte, Samba da cigarra, Clara,  e Bolo de jabuticaba; as parcerias: Blue whale, com o poeta norte-americano Matthew Rohrer; Penteu, com Thiago Amud; Quartinho, e Ave da cidade, ambas com José Arimatéia; Cadela baleia, com Mac Willian Caetano e Lucas Cypriano; Matissiana e Pedras brancas, com Eucanaã Ferraz; Circus, com Pedro Dias Carneiro; além do sucesso The way you make me feel (Michael Jackson).

Mais informações sobre Sylvio Fraga e download gratuito do seu CD estão disponíveis no site do artista: www.sylviofraga.com.br.

28 de agosto – Kristoff Silva

Na sexta-feira (28), é a vez do compositor, violonista e cantor Kristoff Silva subir ao palco da Sala. Considerado uma referência para a geração da nova MPB de Minas Gerais, ele também está envolvido em projetos em colaboração com o grupo Uakti. Em seu trabalho solo, o artista inventa relações incomuns e originais entre elementos da tradição melódico-harmônica da música brasileira e expressões experimentais do pop internacional – como a da islandesa Bjork. O artista “passa do violão erudito ao eletrônico como quem vai do quarto à sala de uma casa espaçosa – como bom lar mineiro, sempre de portas e janelas abertas”, define o Coletivo Chama.

Sobre o Coletivo Chama e o Contemporâneos na Sala Funarte

Com destaque na música brasileira contemporânea, tanto na mediação crítica quanto na criação, o Chama conta com artistas reconhecidos no cenário da canção nacional, como o compositor Thiago Amud – que recentemente lançou o prestigiado De ponta a ponta tudo é praia-palma…(2013) – além de Pedro Sá Moraes – que acaba de levar ao público sua também consagrada composição Além do princípio do prazer (2014). O Coletivo já realizou vários projetos, como o Escambo; além de festivais mostras e seminários, que têm contado com a participação de vários dos mais reconhecidos críticos e músicos do Brasil – entre eles, o renomado violonista e compositor brasileiro Guinga; e o crítico musical e professor de literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Losso Guerreiro. A contribuição do grupo foi apontada pelo New York Times como um dos acontecimentos “mais relevantes” da produção de música brasileira contemporânea. O coletivo é composto por: Cezar Altai, Fernando Vilela, Ivo Senra, Pedro Sá Moraes, Renato Frazão, Sergio Krakowski, Thiago Amud e Thiago Thiago de Mello.

Segundo Marcos Lacerda, Diretor do Centro da Música da Fundação Nacional de Artes – setor responsável pelo projeto Contemporâneos na Sala Funarte – o coletivo Chama vem atuando decisivamente no âmbito de uma “estética da palavra”, com “domínio técnico pleno e delicadeza das formas”. Ele destacou ainda a reconhecida qualidade do trabalho de curadoria do grupo e a excelência musical e poética da obra autoral de seus integrantes, como Thiago Amud e Pedro Sá Moraes. “Vale muito assistir aos shows com curadoria do Coletivo Chama no Contemporâneos na sala Funarte”, conclui Marcos.

Com ingressos a preços populares, as apresentações do Contemporâneos na Sala Funarte são sempre às 19h30.

Próximos passos do Coletivo Chama

Além fazer a curadoria na Sidney Miller, o Chama está elaborando arranjos e ensaiando para um concerto em homenagem aos 70 anos do falecimento de Mário de Andrade – que vai integrar a Bienal de Música Contemporânea da Funarte, em outubro. Nesse concerto, serão relidas, com a direção musical de Ivo Senra e Thiago Amud, peças de compositores como Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, criadas sobre poemas de Mário; além de várias canções do folclore brasileiro, recolhidas pelo poeta e pesquisador. A base do repertório são gravações, lançadas na década de 80 pela Funarte, no álbum duplo de LPs intitulado Mário, 300, 350; e que serão relançadas, como parte das comemorações deste Ano Mário de Andrade.

Também é de Senra e Amud a direção musical do CD Todo Mundo é Bom, primeira criação musical e lançamento conjunto do Coletivo.

Série Contemporâneos na Sala Funarte

Ocupação Coletivo Chama

21, 27 e 28 de agosto e 17 e 18 de setembro de 2015

AGENDA

21/8 – sexta – Graveola e o Lixo polifônico
27/8 – quinta – Sylvio Fraga Quinteto
28/8 – sexta – Kristoff Silva – com Pedro Trigo Santana (contrabaixo) e Yuri Vellasco (bateria)
17/9 – quinta – Renato Frazão e convidados: Luisa Borges, Aline Paes e Pietá
18/9 – sexta – Amazônia Subterrânea: Thiago Thiago de Mello chama o poeta Thiago de Mello, Ilessi, Ivo Senra e Diogo Sili

Sala Funarte Sidney Miller
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16, térreo – Centro
Rio de Janeiro (RJ)
Tel.: (21) 2279 8087

Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Classificação indicativa: Livre

Realização
Fundação Nacional de Artes – Funarte
Centro da Música
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Curadoria: Coletivo Chama
https://www.facebook.com/coletivochama/info?tab=page_info

Funarte

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