Nada Pode Tudo

O ecletismo literário da poeta Alice Ruiz faz-se presente desde seus livros até as composições musicais eternizadas por importantes vozes, como Itamar Assumpção e Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto, entre outros. A força poética que recheia suas palavras, pela primeira vez, salta do papel para o palco através do novo trabalho da coreógrafa e bailarina Jussara Miller. A artista contaminou-se pela energia literária da poeta brasileira para ganhar novos contornos e perspectivas dramatúrgicas em sua dança. Nasceu então o espetáculo “NADA PODE TUDO”, livremente inspirado na obra de Alice Ruiz, que faz curta temporada no Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153), entre 22 e 25 de outubro, de quinta a sábado às 20h e domingo às 19h.  O Projeto foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura – Programa de Ação Cultural – Proac 2014.

NADA PODE TUDO é uma extensão da pesquisa realizada por Jussara Miller com questões ligadas à investigação da construção da poética do movimento tecida pela articulação entre dança, literatura e fotografia. Um segmento criativo visitado em outros dois espetáculos da artista, como Clariarce (baseado na obra de Clarice Lispector) e Cá entre Nós (inspirado na obra de Adélia Prado), solos mais recentes da coreógrafa, ambos, premiados pelo Proac.

Dramaturgia tem projeção de imagens

Os ecos da palavra escrita de Alice reverberam  na palavra dançada de Jussara Miller. Os textos coreográficos não se preocupam em narrar os textos escritos de Alice Ruiz, e sim em dialogar de variadas formas, pelo movimento, pelas fotografias, músicas, silêncio, pausa, presenças em cena. A construção coreográfica de Nada Pode Tudo bebeu na fonte dos haikais de Alice Ruiz, forma de expressão literária nascida no Japão, no século XVI.  A concepção, criação e dança é de Jussara Miller. Já a direção, dramaturgia e cenografia ficou a cargo de Norberto Presta e a fotografia e trilha sonora são assinadas por Christian Laszlo, que fez a pesquisa das imagens que serão projetadas em cena e que somarão aos movimentos coreográficos de Jussara Miller. Para que a trilha sonora e as projeções dialogassem com a poesia de Alice, foi realizada uma análise das imagens e ambientações sugeridas por Laszlo para a criação do audiovisual com suas reverberações no espaço cênico, estudo este, aliado a uma pesquisa de movimento para compor a coreografia. Desta forma, nascia a dramaturgia do espetáculo. Jussara, Christian e Norberto mantém uma sequência de trabalho criativo, de colaboração mútua entre as linguagens. Essa ética de trabalho é visível em cena, na medida em que não há uma hierarquia entre a bailarina e as colaborações criativas de todos os artistas envolvidos: a direção, a fotografia, a cenografia, a trilha sonora, a iluminação e o figurino recebem igual atenção na relação com a coreografia para dar organicidade a um trabalho dramaturgicamente coerente.

Espetáculo tem momentos de improvisação

“NADA PODE TUDO é contaminado pela poética da palavra de Alice Ruiz, e pontua a linguagem escrita na posição de limite entre o dizível e o indizível, com a sutileza e precisão de sua abordagem sobre o exercício fundamental da reflexão, observação e apreensão a partir de uma percepção instantânea do momento presente”.
Neste solo de Jussara Miller, há vários momentos de improvisação. A artista trabalha com a Técnica Klauss Vianna e denomina um procedimento de sua pesquisa como “mapa coreográfico”, um mapa que abre possibilidades de a cada dia a coreografia acontecer de uma maneira diferente a partir do estado de presença que é priorizado e trabalhado durante todo o espetáculo.

Por que um espetáculo de dança sobre a obra de Alice Ruiz?
O que impulsionou Jussara Miller a entrar no universo de Alice Ruiz foi perceber a sua inquietude como mulher, sua sensibilidade como ser humano em cada palavra, em cada verso, os detalhes, o simples, ou melhor, a complexidade da simplicidade. Segundo a coreógrafa e bailarina, tudo isto é muito presente na obra de Alice Ruiz e foi isto que a encantou. A escolha da poeta brasileira possibilitou Jussara Miller a explorar as fronteiras dramatúrgicas da dança contemporânea, abrindo frestas e novas possibilidades desta pesquisa em constante movimento, acolhendo o desejo de dar continuidade e profundidade nas investigações, reflexões e reformulações de procedimentos dramatúrgicos a cada nova criação.

Artista ministra Oficina gratuita na cidade

A oficina “A Escuta do Corpo” propõe a exploração dirigida do movimento a partir da investigação do corpo sensível com o uso de vetores que potencializam o movimento pelo espaço. Será trabalhado o estado de dança com enfoque na escuta do corpo, contextualizando a preparação do corpo cênico a partir do referencial somático com a prática da Técnica Klauss Vianna. A oficina é direcionada a dançarinos, atores e pessoas interessadas em dança. A oficina acontece na Sala de Ensaio do Teatro Sérgio Cardoso, no dia 24 de outubro, das 15h às 17h. São 20 vagas, a atividade é gratuita e as inscrições podem ser realizadas pelo email This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it..

Quem é Alice Ruiz
Poeta e haikaista, Alice Ruiz nasceu em Curitiba, PR, em 22 de janeiro de 1946. Começou a escrever contos com 9 anos de idade, e versos aos 16. Aos 26 anos publicou pela primeira vez seus poemas em revistas e jornais culturais. Lançou seu primeiro livro aos 34 anos. Alice publicou, até agora, 21 livros, entre poesia, traduções e uma história infantil, que você pode conhecer clicando em Bibliografia. Compõe letras desde os 26 anos - tem diversas canções gravadas por parceiros e intérpretes. Lançou, em 2005, seu primeiro CD, o Paralelas, em parceria com Alzira Espíndola, pela Duncan Discos, com as participações especialíssimas de Zélia Duncan e Arnaldo Antunes

Quem é Jussara Miller
Bailarina, coreógrafa, diretora e educadora somática. É graduada, mestre e doutora em Dança pela Universidade Estadual de Campinas (SP) – UNICAMP. Em 1988 iniciou a pesquisa sobre o movimento consciente, tendo como professores Klauss Vianna e seu filho Rainer Vianna.É autora dos livros “A Escuta do Corpo” (Summus, segunda edição, 2007) e “Qual é o corpo que dança?” (Summus,2012). É docente do curso de pós graduação em Técnica Klauss Vianna na PUC-SP e diretora e professora do Salão do Movimento , em Campinas, SP (www.salaodomovimento.art.br).

Ficha Técnica
Concepção, criação e dança: Jussara Miller Direção, dramaturgia e cenografia: Norberto Presta Fotografia e trilha sonora: Christian Laszlo Assistência coreográfica: Cora Laszlo Figurino: Renata Siqueira Bueno Desenho de luz: Cristiano Pedott Operação de luz: Cristiano Pedott e Lucas Rodrigues Arte gráfica: Ian Takaes Edição de imagem: Igor Capelatto Projeto cenotécnico e sonoplastia: Christian Laszlo Produção: Isabela Razera - Cais das Artes Produção geral: Salão do Movimento Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação

Serviço – “Nada Pode Tudo”
De 22 a 25/10 - Teatro Sergio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
11 – 3288-0136
De quinta a sábado as 20h; domingo as 19h
Ingressos: 10,00 inteira e 5,00 meia entrada

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