moinhos do quixote

A partir de adaptações célebres e outras não tão conhecidas da obra de Miguel de Cervantes, o curso oferecerá um panorama da representação desse personagem imortal da literatura no âmbito da tradução intersemiótica com o audiovisual. Serão mostrados trechos de filmes realizados na Espanha, França e União Soviética.

El Ingenioso hidalgo Don Quijote de La Mancha no cinema

O número de adaptações cinematográficas de Don Quijote já passa de trinta conhecidas, muitas delas só temos referências em documentos da literatura da área, são filmes perdidos ou dados como.

A primeira versão é a francesa do início do cinema, feita em 1898, lembremos que o cinema nasceu em 1895. O grande criador da ficção no cinema, o francês Georges Méliès, fez uma versão em 1909; o reconhecido cineasta austríaco Georg Wilhelm Pabst fez uma em 1933. A bela Grace Kelly, antes de tornar-se princesa em Mônaco, foi a Dulcinea em uma adaptação para a Rede de TV americana CBS, o Quixote dessa versão foi vivido por Boris Karloff, que eternizou o monstro Frankstein no clássico de 1931. Sophia Loren foi a Dulcinea mais famosa, no filme Man of la Mancha, em 1973. Orson Welles dirigiu uma versão em 1955 na Espanha, que ficou incompleta e sem montagem, como alguns de seus trabalhos, ela foi finalizada pelo cineasta espanhol Jesus Franco somente em 1992, com um fraco resultado. Outra versão inacabada e famosa é a dirigida por Terry Gilliam, que foi iniciada e abandonada em 2002, foi retomada recentemente e vai estrear em 2017, segundo divulgação.

A melhor de todas as versões é a espanhola feita em 1991, da primeira parte, com roteiro de Camilo José Cela, escritor ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1989, com Fernando Rey, o melhor Quixote do cinema sem sombra de dúvidas e acompanhado pelo conhecido comediante Alfredo Landa, que faz um impagável Sancho. A segunda parte deste Quixote não foi realizada, pois Fernando Rey morreu em 1994, uma pena.

O poeta, ensaísta, tradutor, além de advogado e jornalista Guilherme de Almeida (1890-1969) nasce praticamente junto com o Cinema, que ficou conhecido como a Sétima Arte, e por ela teve grande fascinação. É pouco conhecido que Guilherme de Almeida manteve uma coluna de crítica sobre cinema no jornal O Estado de S. Paulo, entre 1927 e 1940, chamada Cinematographos. Também escreveu o livro Gente de cinema em 1929 e atuou como roteirista na     natimorta Companhia Cinematográfica Vera Cruz, no início dos anos 1950.

Nesta coluna Cinematographos, numa teça-feira 4 de junho de 1929, Guilherme de Almeida publica uma bem cuidada e sensível análise da adaptação dinamarquesa da obra de Miguel de Cervantes, com o título de ‘Dom Quixote no (cinema) São Bento’.

Guilherme faz uma crítica à falta de tempo para a leitura dos clássicos, e mostra ser conhecedor profundo do romance de Cervantes, a análise da figura de Don Quixote é muito pertinente. Ele não o caracteriza, como faz a crítica mais superficial e preguiçosa, como um louco, mas sim como um sonhador, um iluminado que possui ‘a voluptuosa angústia da ilusão’ e ‘o martirizante prazer do ideal’.

O que surpreende na crítica de Guilherme é a sua validade passados 87 anos. Ele recebia o filme através de sua cultura geral, apoiava-se na literatura e criava intuitivamente um modelo de crítica cinematografia, que não existia no Brasil e tinha poucos expoentes no mundo, pois o cinema como invenção tinha só 34 anos e a sua linguagem estava estabelecida há 20. No último parágrafo de sua coluna Guilherme aconselha o leitor a não perder o filme, pois ele é acima de tudo um ‘aula de vida’ que muita gente está precisando assistir. Pena que na atualidade não possamos seguir a sugestão de Guilherme, pois o filme, assim como a maioria das edições de Dom Quixote, está catalogado, guardado e inacessível, por diferentes razões, ao público ao qual ele se destina prioritariamente.

Conferência de encerramento com Prof. Dr. João Eduardo Hidalgo da UNESP e a Cervantista Profa. Dr. Maria Agusta da Costa Vieira da USP.

Serviço
Dom Quixote no Cinema
22/10 | 14h às 17h
Local: Sala Cinematographos - Casa Guilherme de Almeida
Por João Eduardo Hidalgo
Informações: http://migre.me/v9M4b

* Participação livre. Não é necessário ter acompanhado os dois encontros anteriores. 

Atividade Gratuita, inscrições pelo site:

http://www.casaguilhermedealmeida.org.br/programacao

https://www.facebook.com/museucasaguilhermedealmeida/

João Eduardo Hidalgo é professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp de Bauru
Portal Unesp

Pin It