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Category: Tecnologia
Manejo Matte

A Embrapa Florestas (PR) acaba de lançar o Manejo Matte, aplicativo para tablets e celulares que auxilia a realizar diagnósticos em ervais plantados e sugerir melhorias no manejo. Disponível para dispositivos com sistema operacional Android, a tecnologia é de fácil operação. O produtor escolhe um talhão do erval e responde a perguntas objetivas e o programa gera um diagnóstico e indica soluções para melhorar o potencial produtivo da cultura.

A base de análise do aplicativo é o Sistema Erva 20, um conjunto de práticas em ervais plantados que visam ao aumento da eficiência e sustentabilidade do cultivo de erva-mate. A adoção de melhorias no sistema de produção é capaz de incrementar a produtividade e aumentar a qualidade dos plantios por meio de boas práticas do dia a dia como plantio, poda, adubação, controle de plantas daninhas, renovação do erval entre outras.

“O Manejo-Matte vem, justamente, como um apoio ao produtor rural para melhorar o seu sistema de produção”, explica o engenheiro-agrônomo e analista da Embrapa Florestas (PR) Ives Goulart, que coordena o projeto “Disponibilização e inserção de tecnologias do Sistema Erva 20”. Esse sistema foi concebido a partir da organização de tecnologias e práticas de manejo desenvolvidas pela Embrapa Florestas e parceiros durante os últimos 30 anos.

Como funciona o aplicativo

AppMateO produtor responde a 40 questões sobre seu erval, subdivididas em seis tópicos. Para cada questão, há respostas de múltipla escolha, como, por exemplo: “Características das folhas das mudas: folhas descoloridas ou com muitos danos devido a pragas e doenças / mudas com folhas descoloridas, possivelmente por deficiência de nutrientes / mudas com folhas sadias...”

Ao terminar a análise, o aplicativo gera um gráfico de fácil visualização e interpretação, e um relatório, que apontam como está o manejo do erval. O relatório traz, para cada tópico, informações e orientações de como proceder, de acordo com o Sistema Erva 20. Dessa forma, o produtor consegue identificar gargalos e pontos a melhorar dentro dos seis tópicos, e também já recebe imediatamente a orientação sobre como adequar e melhorar a forma de conduzir seu erval.

O diagnóstico pode ser baixado, compartilhado ou enviado por e-mail a partir do próprio aplicativo. Com o diagnóstico, o produtor também acessa o link para o Manual do Sistema Erva 20, com mais informações e orientações técnicas. “Ou seja, procuramos desenvolver uma ferramenta efetiva em apontar erros e já mostrar as soluções possíveis”, relata Goulart.

Com a orientação adequada e uso das tecnologias corretas, é possível fazer novos diagnósticos e acompanhar a evolução do erval com a adoção das medidas orientadas pelo Erva 20.

Temas analisados

O Manejo Matte organiza o questionário em seis grupos:

- qualidade de mudas;
- implantação do erval;
- manejo e condução;
- pragas e doenças;
- condições do erval e
- colheita.

Erva com pouca tecnologia

O agronegócio ervateiro é uma atividade de grande importância ambiental e socioeconômica no Sul do Brasil, com relevância econômica para muitos municípios, especialmente como fonte de emprego e renda no meio rural. Entretanto, os sistemas de produção de erva-mate no Brasil têm pouco aporte tecnológico em comparação a outras culturas.

Mais tecnologias para o setor mateiro

Além do Manejo-Matte, os produtores de erva-mate já contam também com o Planin-Matte, que possibilita a análise econômica dos plantios de erva-mate considerando os diversos custos operacionais de implantação, manutenção, manejo e colheita do erval. Voltado ao produtor, o sistema controla fluxos de caixa e realiza avaliações segundo os critérios de análise econômico-financeira mais utilizados no agronegócio.

No segundo semestre, deve ser lançado o Ferti-Matte, que vai auxiliar profissionais de ciências agrárias a interpretar e recomendar a adubação de ervais plantados nas fases de plantio, formação de copa e produção.

“Temos observado que o desempenho dos ervais comerciais, de cerca de oito toneladas por hectare (ton/ha), está muito abaixo dos ervais experimentais, com produtividade média de 20 ton/ha, com alguns chegando a 35 ton/ha, dependendo do potencial produtivo do erval”, analisa Goulart. “Por conta desse imenso potencial de crescimento, há a necessidade de ferramentas de apoio ao produtor”, completa.

Levantamento de necessidades da cadeia produtiva

AppMateAo iniciar um diagnóstico, o usuário informa se está fazendo uma simulação ou um diagnóstico real. Por isso, o aplicativo serve tanto para quem está planejando ações futuras ou mesmo implantando um erval e quer simular condições, quanto para aqueles que querem trabalhar com ervais já existentes e busca melhorias.

Já para a Embrapa, as informações inseridas no aplicativo vão compor uma base de dados a ser utilizada para pesquisas e diagnósticos sobre as necessidades dos produtores rurais. “Esse tipo de informação pode tanto direcionar ações de pesquisa como identificar necessidades de capacitação de extensionistas

e produtores rurais”, explica Joel Penteado Júnior, economista da Embrapa. “Se identificamos que, em uma determinada região, muitos usuários estão com problemas de manejo e condução, por exemplo, podemos, com a extensão rural, realizar um trabalho mais pontual e efetivo”, completa.

A erva-mate na agricultura digital

“Qualquer cadeia de produção agrícola que não estiver digitalizada está fora do mercado.” Com essa afirmação, o diretor da Inovamate Agrotecnologia, Helinton Lugarini, atesta a importância da agricultura digital.

Almejando esse nicho de mercado, há cerca de um ano e meio a empresa lançou o DataMatte - aplicativo para gestão, controle e rastreabilidade de erva-mate, presente hoje em mais de mil áreas de cultivo no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e na Argentina.

A validação do sistema da erva-mate foi tão positivo que hoje está servindo de base para novos produtos lançados pela startup em diversas novas culturas como café, farinha, peixes, queijo e tabaco.

“Produtores preocupados com boas práticas agrícolas (BPA) não têm como não usar ferramentas digitais”, acredita Lugarini. O diretor afirma ainda que a inovação de base tecnológica no campo é uma questão importante para a sucessão familiar no mundo rural. “Os filhos só permanecerão no campo se tiverem acesso a tecnologias e sistemas de apoio à gestão, para que possam produzir mais e melhor, e principalmente, ganhar mais”, analisa.

Katia Pichelli (MTb 3.594/PR)
Embrapa Florestas