Simpósio Internacional sobre Industrialização do Grafeno

O grafeno, um dos materiais mais estudados no mundo devido a suas propriedades únicas, poderá ser usado como dissipador de calor em componentes eletrônicos, baterias e nos circuitos integrados que serão usados nas redes de telecomunicação da internet 5G.

Essa nova função do material foi discutida durante o Simpósio Internacional sobre Industrialização do Grafeno, realizado em 9 de abril, em Shenzen, na China. Organizado pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do distrito de Guangming, o encontrou reuniu representantes de empresas chinesas produtoras de grafeno para discutir os mais recentes avanços no desenvolvimento de tecnologias baseadas no material.

Eunezio Antonio Thoroh de Souza, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenador do Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomaterias e Nanotecnologias (MackGraphe), apoiado pela FAPESP, foi um dos participantes do evento.

Membro do conselho da Federação das Indústrias Produtoras de Grafeno de Shenzen, Thoroh coordenou uma mesa-redonda sobre os desafios tecnológicos para aplicação e uso do material em circuitos para internet 5G e em eletrônica e microeletrônica.

“A China elegeu o grafeno como estratégico e está à frente de todo o mundo no desenvolvimento de tecnologias à base desse material”, disse Thoroh à Agência FAPESP. “Os chineses conseguiram superar um dos principais obstáculos para o uso do grafeno: produzi-lo em grande escala e alta qualidade”, avaliou.

De acordo com o pesquisador, atualmente há mais de 500 empresas produtoras de grafeno na China, das quais mais de 100 situadas em Shenzen. Uma única empresa localizada na região tem capacidade de produzir 5 mil toneladas do material por ano. A primeira planta-piloto para produção de grafeno no Brasil, localizada em Minas Gerais, produz hoje pouco mais de 100 quilos do material, comparou Thoroh.

“A China hoje não só domina o mercado de grafeno, ao produzir o material em alta escala, como também as aplicações”, afirmou o pesquisador.

Novas aplicações

Um dos palestrantes do evento foi o físico Andre Geim, que ganhou o Prêmio Nobel de Física em 2010 por conseguir, juntamente com o físico russo Konstantin Novoselov, isolar o grafeno.

O cientista abordou o potencial uso do grafeno para o gerenciamento térmico de dispositivos eletrônicos. O material é considerado um excelente condutor térmico e estudos recentes apontaram que, teoricamente, poderia absorver uma quantidade ilimitada de calor.

Como também é mais resistente do que o aço, além de leve e flexível, o grafeno poderia ser usado em dispositivos eletrônicos em escala micrométrica e nanométrica (da bilionésima parte do metro), por exemplo, nos quais o calor é um fator limitante, principalmente em componentes menores. Dessa forma, o grafeno poderia dissipar o calor e otimizar a função eletrônica desses dispositivos e de baterias à base de materiais como o lítio.

“Hoje tem se buscado muito desenvolver baterias de grafeno. Um dos problemas das baterias atuais, à base de outros materiais, é que aquecem muito. O grafeno pode ser usado como dissipador de calor dessas baterias”, explicou Thoroh.

Outra aplicação do grafeno como dissipador de calor poderá ser em circuitos integrados das redes de telecomunicações que serão usadas na internet 5G, apontaram os participantes do evento. Tal como as baterias, um dos problemas desses circuitos é o superaquecimento.

“Enquanto não se chega ao desenvolvimento de circuitos integrados feitos de grafeno, o material poderá ser usado para dissipação térmica desses dispositivos existentes hoje. Essa aplicação era inimaginável”, disse Thoroh.

Elton Alisson
Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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