Tecnologia

lavoura

Quando o trator vem aplicando o biofertilizante na lavoura, já se sabe que aumentará a sua produtividade em torno de 10 a 15%. O que se quer é a produção nacional a partir da união entre empresa, pesquisa e aporte financeiro. Em uma parceria, a Dimiagro, a Embrapa Agroenergia, a Embrapii e o Sebrae promovem o desenvolvimento de uma pesquisa que iniciou em 2018 para a produção de biofertilizantes a partir de macroalgas encontradas na costa brasileira. Em vídeo produzido pela Embrapa, é possível ver na prática como funciona a aplicação do produto.

O diretor comercial da Dimiagro, Gregori Vieira, explica que a grande vantagem para o investimento dessa tecnologia é a redução de custos da importação do extrato de algas oriundas de países com baixas temperaturas, como Canadá e países da Europa. De acordo com Gregori, essa tecnologia atuará na produção em larga escala de extrato de algas no País, reduzindo a dependência de importação de outros países.

 

César Miranda, pesquisador da Embrapa Agroenergia, apresenta o funcionamento e como o produto age nas plantações. O extrato de algas é muito empregado em culturas perenes e também anuais, em países da Europa e nos Estados Unidos. “Queremos produzir um extrato de alga totalmente brasileiro, por isso buscamos a Embrapa. E, com o apoio da Embrapii, isso será possível”, conta Gregori.

Essa pesquisa só foi possível por causa de uma grande parceria. Outras tecnologias também podem ser geradas dessa forma, por meio da Unidade Embrapii/Embrapa Agroenergia. Nesse modelo, a empresa parceira aporta 1/3 do valor, a Embrapa entra com seu quadro técnico e a sua estrutura, além de aportar valor equivalente, e o restante do recurso é proveniente da Embrapii. “São tecnologias personalizadas e que estão de acordo com o produto de interesse da empresa”, destaca Patrícia Abdelnur, pesquisadora da Embrapa Agroenergia e coordenadora dessa Unidade Embrapii. Saiba como ser parceiro: www.embrapa.br/agroenergia/embrapii. Para conhecer mais sobre a tecnologia, assista ao vídeo, que também foi ao ar no programa Dia de Campo da Embrapa.

Daniela Collares (MTb 114/01 RR)
Tel: 61 – 34481581
E-mail: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Colaboração: Victória Basques

Sensor

Um sensor desenvolvido por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) pode ajudar a evitar casos de intoxicação por monóxido de carbono (CO) – possível causa das mortes de seis turistas brasileiros ocorridas no Chile, na semana passada (22/05).

Esse tipo de acidente é comum em vários países em que se utiliza aquecimento a gás, incluindo o Brasil. Na Argentina, por exemplo, são registradas 250 mortes e 2 mil casos de intoxicação pelo gás tóxico todos os anos.

O dispositivo foi apresentado no dia 24 de maio durante o Simpósio de Pesquisa e Inovação em Materiais Funcionais, promovido na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) pelo CDMF – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

Nas próximas semanas, o Congresso Nacional da Argentina vai votar um projeto de lei que torna obrigatória no país a inclusão do sensor em todos os aparelhos a gás para uso domiciliar. Em carta enviada na semana passada a Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, os deputados argentinos Eduardo Bucca e Fernanda Raverta, autores da norma, enfatizaram a importância do projeto no combate a intoxicações por CO e agradeceram o apoio da FAPESP.

“O sensor pode ajudar a evitar mortes por inalação de monóxido de carbono tanto nos países vizinhos como no Brasil, onde esse tipo de acidente é registrado principalmente na região Sul e, mais recentemente, no Nordeste, devido ao uso de aquecimento a gás”, disse Elson Longo, diretor do CDMF e um dos autores do dispositivo, à Agência FAPESP. O projeto tem a participação de pesquisadores da UFSCar e das universidades Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, de Mar del Plata, da Argentina, Jaime I, da Espanha, e de Ferrara, da Itália.

O dispositivo consiste em um circuito integrado, do tamanho de um chip, com um sensor eletrônico de CO e outro de metano, já desenvolvidos e patenteados pelos pesquisadores.

Os sensores são compostos por óxidos semicondutores, como de cério, em escala nanométrica (da bilionésima parte do metro). Em contato com o CO e outros gases, esses óxidos apresentam uma mudança de resistência, que é processada e interpretada pelo circuito eletrônico como um sinal para interromper o fluxo de gás no equipamento em que o sistema está instalado, como um aquecedor de água.

“O monóxido de carbono é produzido pela combustão incompleta do gás natural pela falta de oxigênio no ambiente. Por isso, ao detectar a presença de CO acima do limite de segurança, o sensor corta o fluxo de gás natural para o queimador”, explicou Miguel Adolfo Ponce, professor da Universidade de Mar del Plata e um dos idealizadores do projeto.

De acordo com o pesquisador, a exposição a uma concentração de 0,02 partes por milhão (ppm) de CO não causa efeitos nocivos à saúde. Acima desse nível começa a causar sintomas perceptíveis, como sonolência e dor de cabeça. A exposição a 1.400 ppm de CO por uma hora é capaz de levar à morte.

Alguns fatores dificultam a detecção de CO no ambiente. O gás é incolor, insípido, inodoro e não irrita as mucosas. A única forma de percebê-lo é pela coloração da chama do queimador – se ela não estiver azulada, característica da combustão completa do gás natural pela quantidade correta de oxigênio, pode ser um indício de emissão de CO, afirmou Ponce.

Os aparelhos a gás responsáveis pela maior quantidade de acidentes domésticos por inalação de CO são os aquecedores de água para banho, causadores de 87% dos acidentes, seguidos pelos calefatores (8%) e fogões (5%), disse o pesquisador.

“O sistema que desenvolvemos pode ser facilmente instalado nesses equipamentos de combustão de gases tanto residenciais como comerciais”, afirmou Ponce.

O dispositivo já gerou duas patentes e despertou o interesse de uma empresa argentina e outra brasileira, dispostas a fabricá-lo em conjunto.

Com base nessa tecnologia, os pesquisadores desenvolveram outro tipo de sensor que pode ser acoplado a um smartphone e é capaz de detectar e indicar a presença de CO não só pela mudança da resistência elétrica, mas também pela cor, e indicar o perigo por meio de um aplicativo.

“Esse sistema de monitoramento pode ser usado em minas, onde também são registradas mortes por intoxicação por monóxido de carbono”, disse Longo.

Elton Alisson, de São Carlos
Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

pecuária brasileira

Profissionais da Embrapa Gado de Corte (MS) desenvolveram um método para calcular o quanto uma cultivar de forrageira custa para ser desenvolvida. Iniciado em 2014, o trabalho foi coordenado pelo analista Edson Espindola Cardoso e contou com dois pesquisadores da área de economia rural, Fernando Paim Costa e Mariana de Aragão Pereira, todos da Embrapa. Eles avaliaram 16 cultivares desenvolvidas por aquela unidade de pesquisa e estimaram os custos de seu desenvolvimento (veja quadro). O estudo foi divulgado na publicação Custo das cultivares forrageiras lançadas pela Embrapa Gado de Corte: metodologia e resultados.

As gramíneas e leguminosas forrageiras têm importância especial à pecuária de corte. De acordo com os participantes do trabalho, o aumento de oferta de carne na mesa do brasileiro nos últimos 30 anos deve-se, em grande parte, ao desenvolvimento de pastagens de maior valor proteico, das quais o gado se alimenta. Somente o capim marandu gerou impactos da ordem de R$ 2,7 bilhões ao País devido à sua expressiva adoção em sistemas de produção leiteiro e de corte, relataram os autores. No bioma Cerrado, por exemplo, o marandu forma praticamente a metade das pastagens. As sementes de forrageiras geradas no Brasil também são produto de exportação, aumentando a importância dos investimentos em sua pesquisa e desenvolvimento.

O retorno da Embrapa à sociedade

Vem de longa data a preocupação da Embrapa em avaliar suas tecnologias e divulgar os retornos dos investimentos feitos na pesquisa agropecuária. Em 1997, a Empresa lançou o seu primeiro Balanço Social , atualizado anualmente.

Nessa publicação, são revelados os impactos das tecnologias sobre o aumento da produtividade, redução de custos, agregação de valor, expansão da produção, geração de empregos, além de benefícios à sociedade e ao ambiente. O Balanço Social é disponibilizado na internet e contém resultados de diversas tecnologias agropecuárias da Embrapa, incluindo as plantas forrageiras que representam a maior eficiência de retorno dos custos.

“Os custos obtidos na nova metodologia permitem conhecer com mais profundidade os retornos dos investimentos na pesquisa e subsidiam os tomadores de decisão a alocar com mais eficiência os recursos utilizados no desenvolvimento”, acredita Cardoso, frisando ser possível agora calcular parâmetros econômicos sólidos como taxa interna de retorno (TIR) e valor presente líquido (VPL). Ele ressalta também o ineditismo do trabalho: “Por não haver metodologia específica, criamos um modelo para calcularmos o custo de cada forrageira e quanto o governo dispendeu de recursos para sua conclusão”, conta.

Custo Pastagem
Arte Custo Pastagem - Foto: Gabriel Faria

 A metodologia criada

Para os cálculos, a equipe considerou os custos diretos e indiretos desde o início das pesquisas até o lançamento da tecnologia. Foram considerados valores de projetos de pesquisa; plantas que não foram selecionadas; manutenção do banco de germoplasma; manutenção de setores da Unidade; despesas com trabalhadores envolvidos, como pesquisadores e pessoal de apoio, proporcionais ao tempo de dedicação; despesas com material de consumo; serviços de terceiros e investimentos; custo de depreciação de imóveis e equipamentos.

Todos os valores foram corrigidos pelo Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação Getúlio Vargas. “Algo que ajudou muito na elaboração de cálculos foi uma normativa baixada pela Embrapa criando uma tabela de custo de mão de obra dos trabalhadores da Empresa, o que nos deu uma boa base”, conta Cardoso. Da tabela à qual ele se refere constam os custos de mão de obra de trabalhadores por categoria profissional com valores médios por mês, semana, dia e hora.

Os materiais estudados e que serviram de base para as análises foram uma coleção de 450 acessos Brachiaria, outra de 426 acessos de Panicum maximum e uma terceira coleção de 650 acessos do gênero Stylosanthes. Para ter uma visão geral dos trabalhos, Cardoso precisou entrevistar líderes dos projetos e vários outros pesquisadores envolvidos, como os das áreas de entomologia, solos, fitopatologia, nutrição, produção de sementes e socioeconomia. “Com base nas entrevistas, identificamos o número de acessos ou germoplasmas de cada gênero forrageiro - Brachiaria, Panicum e Stylosanthes - recebido pela Embrapa Gado de Corte a partir de 1982, que passaram a compor o patrimônio genético da instituição.”

Por que não se calculou o custo da marandu

Cardoso conta que não foi possível fazer o levantamento do custo da cultivar marandu. Essa forrageira foi introduzida no Brasil por volta de 1967 pelo produtor de sementes Paul Rankin Rayman, e foi submetida a diferentes estudos e cultivada por vários anos no estado de São Paulo, de onde foi distribuída para várias regiões. Em 1977 essa gramínea foi fornecida à Embrapa Gado de Corte e incluída no processo de avaliação de forrageiras da Unidade. Nos anos seguintes, outros centros de pesquisa da Embrapa receberam amostras da planta, que foram submetidas a estudos.

Segundo o especialista, não foi possível resgatar os valores dispendidos durante essas fases, bem como de governos ou instituições privadas que investiram em seus estudos. “Entendemos que se nos apropriássemos apenas dos valores utilizados a partir do momento em que a Embrapa Gado de Corte iniciou seus estudos, em 1977, a informação não retrataria com fidelidade o montante de recursos dispendidos até seu lançamento, em 1984”, explica.

Eliana Cezar (MTb: 15.410/SP)
Embrapa Gado de Corte

soja

Alguns toques na tela de um smartphone ou tablet, e em segundos o agricultor obtém um balanço nutricional de sua plantação de soja, com as quantidades de nutrientes e corretivos de que a lavoura necessita. É o que oferece o aplicativo Nutri Meio-Norte, módulo soja, o primeiro do gênero desenvolvido pela Embrapa, que será apresentado nesta quarta-feira, 23 de maio, na feira agropecuária AgroBalsas, no município de Balsas, no sul do Maranhão. A tecnologia traz rapidez, economia e precisão na gestão de uma lavoura de soja, já que a cultura necessita de muitos insumos cotados em dólar.

Desenvolvido no ano passado pelo então estagiário de tecnologia da informação Filipe Ribeiro Chaves, da Associação de Ensino Superior do Piauí (Aespi-FAPI), da equipe vencedora da maratona Hackathon Acadêmico Embrapa 2017, no Piauí, o aplicativo foi construído para ser uma plataforma digital ampla. Nesse primeiro módulo, o Nutri Meio-Norte permite, a partir da análise foliar, conhecer a fertilização adequada para o cultivo da soja, mostrando os dados nutricionais das plantas, como os nutrientes em excesso e outros com deficiência, gerando o desequilíbrio nutricional.

A dinâmica do aplicativo

É simples operar a tecnologia. Primeiramente, o produtor terá de realizar a análise foliar da lavoura, feita por um laboratório especializado. Após abrir o aplicativo, o agricultor deverá inserir na página “análise foliar” dados obtidos na análise laboratorial das amostras de sua lavoura, como as quantidades dos macro e micronutrientes encontrados. Depois, ele deve escolher o método de análise (DRIS ou CND, veja quadro abaixo) e clicar no botão “enviar”. Em seguida, aparecerão os índices nutricionais em formato de gráficos de barra e radar. Ele deve clicar, então, em “gerar relatório” para abrir um formulário a ser preenchido sobre dados da propriedade, em talhão ou lavoura, como área plantada, data da coleta da folha diagnóstica e algum manejo realizado na área. Finalmente, ao clicar em “baixar”, os resultados gerados são armazenados no dispositivo em forma de relatório que poderá ser compartilhado por e-mail ou programas de mensagens, como o WhatsApp.

aplicativo

A ferramenta, disponível gratuitamente na internet para sistema Android (Play Store) e em breve para iOS (App Store), é indicada para o Maranhão e o Piauí, por analisar apenas amostras de folhas coletadas nesses dois estados. O uso do aplicativo poderá ser ampliado para Bahia e Tocantins, alcançando assim toda a área de produção de grãos da região Matopiba, quando o banco de dados receber informações desses estados.

“Com o resultado, o produtor pode adequar a adubação e ter eficiência no uso de nutrientes”, garante o pesquisador Henrique Antunes, que gerencia a plataforma e é, com o professor Danilo Eduardo Rozane, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), responsável pelas informações técnicas. Segundo ele, a ferramenta traz mais segurança ao produtor na aquisição e uso de fertilizantes e corretivos, ao recomendar a adequada nutrição das plantas.

A avaliação final do balanço nutricional da planta, por meio da ferramenta, sempre dependerá de uma análise de tecido vegetal feita em laboratório especializado. “É uma inovação tecnológica de fácil acesso ao banco de dados criado pela Embrapa Meio-Norte (PI), que gerou os sistemas Integrado de Recomendação e Dianóstico (DRIS) e o Diagnose da Composição Nutricional (CND)”, destaca Antunes.

Examinando as folhas

A análise de tecido vegetal, também conhecida como análise foliar, tem como princípio básico de amostragem a seleção de partes da planta, como as folhas. No estudo dessa parte da planta, a folha diagnóstica (usada para análise dos nutrientes) é a que melhor representa o estado nutricional da lavoura. Após a coleta de amostras em lavouras de soja e análise de macro (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre) e micronutrientes (boro, cobre, ferro, manganês e zinco), os resultados são usados para fazer o balanço de nutrientes, obtido pelos métodos Diagnose da Composição Nutricional (CND) e Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS), que comparam os teores encontrados com um banco de dados de alta produtividade.

A ideia de construção dessa plataforma, segundo o pesquisador, surgiu da necessidade de se ter um banco de dados regional, já que as cultivares plantadas no Nordeste são diferentes das semeadas no centro-sul, por exemplo. “As condições de clima e solo também são diferentes das encontradas nos demais estados da região do Matopiba. O manejo das lavouras foi outro ponto determinante para a necessidade de criação dessa ferramenta”, conta o cientista.

Feijão-caupi é o próximo

O próximo módulo a ser lançado é o de feijão-caupi, e também apresentará o balanço nutricional da planta. Os pesquisadores Francisco Brito e Henrique Antunes já estão trabalhando o banco de dados para iniciarem os testes com a ferramenta.

Economia e segurança no cultivo

Os primeiros testes com o Nutri Meio-Norte foram positivos e animaram grandes produtores. A observação do gaúcho Fernando Devicari, gerente da Fazenda Barbosa (com 680 hectares), grande produtora de soja no município de Brejo, no leste do Maranhão, é o retrato do otimismo: “Os resultados obtidos com o aplicativo mostram com melhor exatidão, comparando com os do DRIS, o estado nutricional da planta. Com esse diagnóstico mais apurado, esperamos conseguir resultados de produtividade cada vez melhores, visto que o programa foi desenvolvido especificamente para nossa região”, relata.

Do município de Uruçuí, a 453 quilômetros ao sudoeste de Teresina, onde o cultivo de soja é o carro-chefe da produção agrícola, vem mais expectativa de ganho com o Nutri Meio-Norte. O produtor Altair Domingos Fianco, que deixou a cidade de Pato Branco, no Paraná, há 22 anos, aposta alto no aplicativo: “Essa plataforma possibilita ao agricultor conhecer seu solo exatamente como ele se encontra, proporcionando a aplicação de fertilizantes de uma maneira equilibrada, com economia e segurança”.

aplicativo

Dono de 7.232 hectares na fazenda Condomínio União 2000, Fianco, que já foi presidente da Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja-Piauí), entidade que reúne 245 membros, acredita no aplicativo como ferramenta de gerenciamento: “Ele facilita na tomada de decisões. Com a tecnologia, podemos comprar os insumos certos, na quantidade correta, exatamente do que a planta precisa”.

Salto nas exportações

A produção de soja no Brasil continua em alta. Segundo o Levantamento Sistemático de Produção Agrícola do (IBGE), foram produzidas 117,8 milhões de toneladas em 2018. A área colhida foi de 34,8 milhões de hectares. O estado do Mato Grosso (31,6 milhões de toneladas) permaneceu como o maior produtor, seguido pelo Paraná (19,2 milhões de toneladas) e Rio Grande do Sul (17,5 milhões de toneladas).

No Nordeste, a Bahia é destaque. No ano passado, os baianos alcançaram uma safra de 6,2 milhões de toneladas da leguminosa. Maranhão (2,7 milhões de toneladas) e Piauí (2,4 milhões de toneladas), respectivamente, tiveram também produções expressivas em 2018. Em 2017, a soja produzida no País chegou a 114,5 milhões de toneladas, em uma área colhida de 33,9 milhões de hectares.

O Brasil é o segundo maior produtor de soja do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos. O País deu também um salto nas exportações da leguminosa no ano passado. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, foram exportadas 83,8 milhões de toneladas. Esses números são superiores em 23,1% na comparação com 2017.

A China permanece como o país que mais comprou a soja brasileira. A receita do complexo soja (grãos, farelo e óleo) com as exportações alcançaram US$ 40,963 bilhões em 2018. O volume de recursos foi de 29,6% acima do total comercializado ao exterior em 2017, que foi de US$ 31,603 bilhões.

Fernando Sinimbu (MTb 654/PI)
Embrapa Meio Norte

Agrobrasília

Embrapa divulga estudo que avalia a aplicação da lignina em manejo integrado de pragas em lavouras

A Embrapa Agroenergia expõe três tecnologias na Agrobrasília 2019, que acontece de 14 a 18 de maio, na Coopadf. A lignina como suporte para promover a liberação controlada do semioquímico cis-jasmone é a novidade para esta edição da Feira.

“A lignina apresenta alto potencial para ser utilizada como suporte para a promoção da liberação controlada do cis-jasmone, que pode ser estendido a outras moléculas de agroquímicos”, explica o pesquisador Silvio Vaz Jr. Por ser capaz de liberar, quando manipulada corretamente, semioquímicos que têm como função o controle de insetos em campo, a lignina se torna aliada dos produtores agrícolas que buscam novas formas de combater as pragas nas lavouras sem agredir tanto o meio ambiente. “A região Centro-Oeste tem agronegócio forte na produção de grãos e essas iscas podem ser uma alternativa ao controle de pragas”, destaca o pesquisador.

“Além dessa tecnologia, preparamos para o público da Agrobrasília pesquisas com a macaúba, uma palmeira que vem se destacando para vários mercados”, conta Alexandre Alonso, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia. A Embrapa tem desenvolvido pesquisas com a proposta de torná-la uma cultura, que visam ao manejo da colheita, à qualidade do óleo, ao cultivo em sistemas agroflorestais, etc.

Outra tecnologia é o uso de macrofungos (cogumelos) para nutrição animal. “Por meio desses macrofungos, tortas estão sendo destoxificadas a partir da semente de algodão, por exemplo”, explica o pesquisador da Embrapa Agroenergia Félix Siqueira. “Assim, a expectativa é que a destoxificação abra para o caroço de algodão o mercado de suínos e aves, o que mais consome ração no Brasil”, ressalta. Outros mercados são o de peixes e o de animais de estimação, que também poderiam ser consumidores do produto livre de gossipol.

“A Embrapa Agroenergia busca parceiros para colocar no mercado os produtos que essas pesquisas podem gerar”, destaca Alonso. Para isso, durante a Feira, os técnicos da Unidade estarão visitando empresas visando à prospecção de demandas para futuros projetos em parceria, tanto na cocriação e no codesenvolvimento de soluções tecnológicas como também na utilização dos ativos desenvolvidos. A proposta é desenvolver, juntamente com parceiros, tecnologias que gerem produtos, o que pode ser feito diretamente com a Embrapa ou por meio da Unidade Embrapa Agroenergia/Embrapii.

Um dos projetos em parceria com a iniciativa privada/Embrapii/Embrapa Agroenergia é para produção de biofertilizantes à base de algas marinhas oriundas da costa brasileira. A Dimiagro está na Agrobrasília e quem for visitar a feira poderá saber mais sobre a tecnologia no estande da empresa parceira do projeto. Veja como ser parceiro por meio da Unidade Embrapii/Embrapa Agroenergia.

Vitrine

Acesse nossa vitrine e saiba também como ser nosso parceiro no desenvolvimento e codesenvolvimento de tecnologias: www.embrapa.br/agroenergia/vitrine

Links das tecnologias que estarão na Agrobrasília

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/quimica/ativo-oleo-bruto-de-polpa-de-macauba

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/quimica/ativo-refino-de-oleo-de-polpa-de-macauba

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/quimica/ativo-secagem-de-frutos-de-macauba

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/biotecnologia-industrial/ativo-destoxificacao-enzimatica-de-semente-de-algodao

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/biotecnologia-industrial/ativo-destoxificacao-microbiana-de-semente-de-algodao

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/biotecnologia-industrial/ativo-destoxificacao-microbiana-de-semente-de-pinhao-manso

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/biotecnologia-industrial/ativo-destoxificacao-enzimatica-de-semente-de-pinhao-manso

https://www.embrapa.br/agroenergia/vitrine/quimica/ativo-formulacao-de-liberacao-lenta-de-bioativos

Daniela Garcia Collares MTb: 114/01/RR
Embrapa Agroenergia
This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
(61) 3448-1581

https://esteta.com.br/administrator/index.php?option=com_content&view=article&layout=edit#

grão

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) validaram uma tecnologia pós-colheita que reduz fungos e micotoxinas em grãos de milho com a aplicação do gás ozônio. A técnica não afeta a qualidade química, tecnológica e sensorial dos alimentos, com a vantagem de ser de implantação imediata pelo setor produtivo em linha industrial. A tecnologia limpa e sustentável também não agride o meio ambiente, e pode ser utilizada em silos de armazenamento de cereais e de outros tipos de alimentos, inclusive orgânicos. O resultado é a redução da carga microbiana e o aumento da vida útil dos alimentos. Derivada de mais de 20 anos de pesquisa, a tecnologia é simples e fácil de ser aplicada, podendo ser utilizada na descontaminação de vários tipos de grãos e castanhas.

O ozônio é reconhecido como substância segura para aplicação como sanitizante em alimentos pela Food and Drug Administration (FDA), órgão de vigilância sanitária dos Estados Unidos. Nos últimos anos, houve um crescente interesse na aplicação desse elemento no processamento de alimentos, devido à sua eficácia em baixas concentrações, pouco tempo de contato e sua decomposição em subprodutos não tóxicos.

Entra o ozônio, sai o cloro

Sua utilização na sanitização dos alimentos representa uma alternativa ao tradicional tratamento à base de cloro. “O ozônio possui alto poder de oxidação, pode ser aplicado na forma gasosa ou em solução aquosa e é de fácil obtenção pelo baixo custo de produção. Quando utilizado em alimentos, altera pouco as características químicas e sensoriais, por isso é uma alternativa vantajosa para a indústria de alimentos”, detalha o pesquisador da Embrapa Otniel Freitas, líder do projeto que avaliou o uso de ozônio na descontaminação de grãos.

O uso de tratamentos físicos, químicos ou biológicos na tentativa de remoção ou destruição das micotoxinas em grãos tem resultado, na maioria dos casos, na inviabilização do alimento para consumo. Ao contrário desses métodos, a tecnologia desenvolvida na Embrapa consiste no tratamento para descontaminação de fungos e de micotoxinas em grãos de milho utilizando ozônio gasoso. A aplicação de ozônio realiza a descontaminação microbiológica e a degradação de resíduos e contaminantes, pois arrebenta instantaneamente as paredes celulares dos microrganismos. “Quimicamente, o ozônio quebra as duplas ligações da molécula de oxigênio e neutraliza os efeitos tóxicos decorrentes dessa reação, desagregando e provocando uma mudança estrutural na molécula do agente nocivo”, explica Freitas.

A aplicação de ozônio em alimentos

Na pesquisa liderada pelos pesquisadores da Embrapa foram avaliados os efeitos de diferentes condições de ozonização gasosa e aquosa na redução de fungos e micotoxinas em milho. A ozonização gasosa apresentou reduções de até 57% nos níveis de aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) e redução na contagem de fungos totais. A tecnologia é simples, fácil de ser aplicada, derivada de muito conhecimento agregado nas últimas décadas e pesquisa de ponta, podendo ser utilizada na descontaminação de vários grãos como milho e arroz, ou mesmo de algumas sementes oleaginosas como a castanha-do-brasil.

Para os grãos de milho, os resultados obtidos demonstraram que a ozonização gasosa é uma tecnologia eficaz para reduzir a contaminação por micotoxinas. “Os tratamentos de ozonização mais drásticos, ou seja, aqueles com maior concentração de ozônio, maior tempo de exposição e menor massa de grãos, apresentaram melhores resultados na redução de contaminação por aflatoxinas totais, alcançando valores próximos a 45%”, revela Yuri Porto, que desenvolveu a pesquisa para seu mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) sob orientação dos pesquisador da Embrapa José Ascheri e Otniel  Freitas. Contudo, Freitas frisa a necessidade de adotar corretamente os procedimentos de segurança para aplicação adequada do ozônio a fim de evitar danos aos operadores/analistas e também ao meio ambiente. “Há de se manter uma estrutura física segura capaz de monitorar e controlar a emissão de gases para evitar superexposição ao gás ozônio. Os empregados devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) como: máscaras, jalecos, botas e luvas apropriadas”, recomenda o pesquisador.

Diagnóstico da contaminação do milho por micotoxinas

Após tratamento por ozonização em milho, para avaliação dos efeitos sobre as concentrações de micotoxinas, as amostras foram analisadas a partir de um método multianalítico desenvolvido pela equipe do Laboratório de Resíduos e Contaminantes da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Essa abordagem de análise múltipla determina simultanemente treze micotoxinas em milho como aflatoxinas, fumonisinas, ocratoxinas e outras micotoxinas de Fusarium por cromatografia líquida de ultraeficiência acoplada à espectrometria de massas sequencial (CLUE-EM/EM). Essas toxinas são contaminantes de alimentos que causam danos à saúde dos consumidores e ainda são os principais entraves (barreiras técnicas) para os produtos agrícolas brasileiros no exterior.

Risco à saúde e barreira comercial

Devido ao potencial risco à saúde humana pela sua toxicidade, os níveis de aflatoxinas e de outras micotoxinas passaram a ser monitorados por um número crescente de países, que passaram a regulamentar seus limites máximos permitidos em diversos produtos de alimentos e rações. Especialmente no Brasil, a presença de micotoxinas é uma complicação recorrente nos complexos agroindustriais de armazenamento de grãos, representando um grave problema de qualidade e segurança dos alimentos. Sua ocorrência é controlada por legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo o Sistema de Alerta Rápido para Alimentação Humana e Animal (RASFF) da União Europeia, as micotoxinas integram a categoria de perigo com o maior número de notificações em alimentos. Os produtos agrícolas brasileiros vêm enfrentando barreiras técnicas no exterior por apresentarem micotoxinas acima dos limites máximos estabelecidos.

“O desenvolvimento e o aperfeiçoamento de métodos analíticos para a determinação de micotoxinas em alimentos devem ser constantes, a fim de adequá-los às exigências das análises de rotina, e principalmente para atender aos restritivos limites máximos tolerados (LMT) nas regulamentações para controle dessas toxinas”, afirma Izabela Castro, pesquisadora da Embrapa líder da equipe do Laboratório de Resíduos e Contaminantes, formado pelas analistas Marianna dos Anjos e Alessandra Teixeira.

O método desenvolvido pela Embrapa se mostrou mais preciso, mais seguro e avalia uma gama de micotoxinas de uma única vez, ao contrário da opção disponível no mercado. Pode ser utilizado para avaliar o nível de descontaminação de milho após a ozonização. A aplicação de ozônio com equipamentos chamados ozonizadores popularizou seu uso no campo da ciência e tecnologia de alimentos. Atualmente, as principais aplicações são como sanitizante no processamento de frutas e vegetais frescos, peixes, queijos, sucos e cereais.

Contaminação em milho

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias do Milho, esse cereal é considerado uma das principais culturas do País. Em 2017, foram produzidas cerca de 87 milhões de toneladas de grãos, terceiro lugar no ranking mundial. Segundo o pesquisador Jamilton Pereira dos Santos, da Embrapa Milho e Sorgo (MG), o milho é uma das culturas mais amplamente difundidas e cultivadas no Brasil, pois se adapta a diferentes ecossistemas. Em todo o território nacional, cerca de 12 milhões de hectares respondem por aproximadamente 98% da produção nacional, em áreas concentrada nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

As estratégias de mitigação das micotoxinas em milho e outros grãos são baseadas na prevenção no campo, com uso de boas práticas agrícolas e cultivo de variedades resistentes. Na pós-colheita, dependendo das condições de armazenamento e das variações de umidade e temperatura, há uma proliferação de fungos e das micotoxinas resultantes de seu metabolismo nos grãos.

Há uma relação estrita entre fungos e grãos. Assim, os fungos possuem uma ação ecológica nos grãos, pois favorecem sua germinação. “Mesmo que o grão apresente micotoxinas, é preciso mantê-las em níveis aceitáveis para a saúde humana”, pondera a pesquisadora Izabela Castro. Para ela, são necessários investimentos para a descontaminação dos grãos armazenados não só em alimentos, mas também em ração para animais, já que o milho é um dos principais componentes da alimentação de rebanhos. Isso porque as micotoxinas são altamente resistentes, estáveis e, em altos níveis, podem provocar câncer e outras doenças em animais e humanos.

 Aline Bastos (MTb 31.779/RJ)
Embrapa Agroindústria de Alimentos

cana-de-açúcar

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um software capaz de mapear, de maneira rápida e econômica, porções específicas do genoma de plantas poliploides – aquelas que têm mais de dois conjuntos de cromossomos, como é o caso da cana-de-açúcar. A ferramenta pode ser útil para projetos que visam ao melhoramento genético de plantas de interesse comercial.

O trabalho, apoiado pela FAPESP, foi coordenado por Marcelo Falsarella Carazzolle, do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Os resultados foram divulgados na revista DNA Research.

Como explicou Carazzolle, o genoma da cana-de-açúcar – composto por 10 bilhões de pares de bases, distribuídos entre 100 e 130 cromossomos – é muito difícil de sequenciar pelos métodos genômicos atuais. "Decifrá-lo exige um aparato computacional muito poderoso. Mesmo em se tratando do estado da arte em termos de processamento, ainda assim é difícil, o custo é muito alto. É um desafio para a bioinformática”, disse.

A título de comparação, o genoma humano é composto por 3,2 bilhões de pares de bases espalhadas por 23 pares de cromossomos. O do trigo (Triticum aestivum), outra planta de grande importância comercial, tem 17 bilhões de bases divididas em 21 pares de cromossomos.

Outro fato complica o estudo do genoma da cana-de-açúcar: a espécie hoje cultivada, Saccharum hybridum, é um híbrido criado a partir do cruzamento de duas espécies – Saccharum officinarum, a cana originalmente domesticada na Índia há 3 mil anos, e uma gramínea chamada Saccharum spontaneum.

Há anos laboratórios em vários países têm tentado sem sucesso mapear o genoma completo da Saccharum hybridum. O Projeto Genoma Cana – conhecido como Projeto FAPESP Sucest, por exemplo, mapeou 238 mil fragmentos de genes funcionais da planta.

Há poucos meses, um consórcio que envolve cientistas de vários países, incluindo o Brasil, obteve sucesso em mapear entre 50% e 60% do genoma monoploide da cana (apenas um cromossomo de cada par). O trabalho, publicado na Nature Communications em 2018, teve a participação de Marie-Anne Van Sluys, professora titular do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Coordenação Adjunta de Ciências da Vida da FAPESP.

A estratégia usada pelo consórcio envolveu computação em larga escala e um grande investimento. Já no artigo recém-publicado na DNA Research, Carazzolle e colegas apresentam uma estratégia diferente, muito mais econômica e veloz, capaz de mapear porções específicas do genoma da cana e de plantas poliploides.

O trabalho contou com uma bolsa de doutorado para Karina Yanagui de Almeida e outra de pós-doutorado para Juliana José, ambas orientadas pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, do IB-Unicamp.

“Conseguimos desenvolver um software para reconstruir esses genomas complexos e aplicá-lo à cana. Não buscamos montar um genoma completo, como fizeram anteriormente, onde reconstruíram todo o DNA da planta. Nossa estratégia foi focar em pequenas parcelas do genoma, algo entre 1% e 2% do DNA, exatamente onde se encontram os genes de interesse para o melhoramento genômico da planta”, disse Carazzolle.

Com a estratégia não há necessidade de despender dezenas de milhões de dólares com o mapeamento completo da cana. Quando o trabalho foi realizado, o grupo do consórcio ainda não havia publicado seus resultados, de modo que os geneticistas brasileiros tiveram de usar genomas públicos conhecidos – como do sorgo, do arroz e do milho, que são gramíneas aparentadas em maior ou menor grau da cana – para localizar nas regiões análogas do genoma da cana as porções de DNA que desejavam decifrar.

O trabalho por analogia é possível, uma vez que todas as gramíneas contam com um ancestral comum que viveu há mais de 50 milhões de anos. Em outras palavras, decorrido esse longo período, o DNA de qualquer gramínea atual, seja ela a cana-de-açúcar, o trigo, sorgo, arroz ou milho, ainda preserva a filigrana daquele ancestral original, somada aos bilhões de mutações acumulados desde então.

Montador de genes

O resultado do trabalho feito na Unicamp foi a criação de um software denominado Polyploid Gene Assembler (PGA, ou Montador de Genes Poliploides). “O PGA representa uma nova estratégia para realizar a montagem do espaço genético a partir de genomas complexos usando sequenciamento de DNA de baixa cobertura”, disse Carazzolle.

Se o PGA exige menos poder computacional do que o processamento maciço de um DNA poliploide completo, ainda assim para rodar em tempo hábil o programa necessita de um grande aparato computacional. Para isso, entrou em cena o cluster de máquinas do Centro de Engenharia e Ciências Computacionais (CCES), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP. Carazzolle é um dos pesquisadores principais do CCES na área de bioinformática. “O trabalho exigiu o emprego dos computadores de alto desempenho e com muita memória existentes no CCES”, disse.

O novo programa PGA usa como referência loci gênicos (locais fixos no cromossomo onde estão localizados os genes de interesse) conhecidos de genomas públicos, a partir dos quais são empregadas estratégias de montagem para construir sequências genômicas de alta qualidade na espécie investigada. A validação do processo foi realizada com trigo, uma espécie hexaploide, usando como referência a cevada (Hordeum vulgare), que resultou na identificação de mais de 90% dos genes, inclusive vários ainda desconhecidos.

Além disso, o PGA foi usado para montar o conteúdo gênico em Saccharum spontaneum, o capim do mesmo gênero da cana-de-açúcar tradicional (Saccharum officinarum), usado na linhagem parental para cultivares híbridos de cana cultivada atualmente (Saccharum hybridum).

“Identificamos um total de 39.234, dos quais 60,4% agrupados em famílias de genes de gramíneas conhecidas. Trinta e sete famílias de genes foram expandidas quando comparadas com outras gramíneas, três delas destacadas pelo número de cópias de genes potencialmente envolvidas no desenvolvimento inicial e resposta ao estresse”, disse Carazzolle.

“Nossos achados do genoma do S. spontaneum destacaram pela primeira vez as bases moleculares de algumas características notáveis dessa biomassa, como a alta produtividade e a resistência frente ao estresse biótico e abiótico. Esses resultados podem ser empregados em futuros estudos funcionais e genéticos, além de apoiar o desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar para a indústria agronômica”, disse.

“Usando o PGA, fornecemos uma montagem de alta qualidade de regiões gênicas em T. aestivum e S. spontaneum, demonstrando que o PGA pode ser mais eficiente do que estratégias convencionais aplicadas em genomas complexos e usando sequenciamento de DNA de baixa cobertura. O baixo requisito de memória do PGA em comparação com a estratégia de montagem convencional também é uma vantagem”, disse Carazzolle.

O pesquisador ressalta que, mesmo com grandes avanços nas tecnologias de sequenciamento, a montagem de genomas complexos ainda representa um gargalo, principalmente devido à poliploidia e alta heterozigosidade.

De acordo com Carazzolle, o desenvolvimento de novos esforços de bioinformática pode contribuir para a superação dessas restrições, especialmente usando genomas completos dos organismos intimamente relacionados, nos quais os métodos baseados em conjuntos de referência possam ser aplicados.

O artigo Unraveling the complex genome of Saccharum spontaneum using Polyploid Gene Assembler (doi: https://doi.org/10.1093/dnares/dsz001), de Leandro Costa Nascimento, Karina Yanagui, Juliana José, Eduardo L. O. Camargo, Maria Carolina B. Grassi, Camila P. Cunha, José Antonio Bressiani, Guilherme M. A. Carvalho, Carlos Roberto Carvalho, Paula F. Prado, Piotr Mieczkowski, Gonçalo A. G. Pereira e Marcelo F. Carazzolle, está publicado em https://academic.oup.com/dnaresearch/advance-article/doi/10.1093/dnares/dsz001/5320315.

Peter Moon
Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Pedro Paulo e Pedro Alcantara

Muito se fala sobre agricultura de precisão, mas você sabia que também existe a pecuária de precisão? Quem participou do 1º Simpósio Pecuária Dinâmica, que ocorreu nos últimos dias 09 e 10 de maio na Agrotins, pôde conhecer as maravilhas que a adoção de tecnologias na pecuária pode promover na criação intensiva ou extensiva de gado. Diversos pecuaristas do estado se mostraram interessados em modernizar sua criação.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte Pedro Paulo Pires, que falou sobre o desenvolvimento de softwares e hardwares para uso na pecuária, diversos produtores ficaram impressionados com as possibilidades trazidas pela adoção de tecnologias no pasto. “Nós mostramos as ferramentas, equipamentos, softwares que já estão disponíveis para que o produtor e o técnico gerenciem a produção, saibam quais são os números, o rendimento de cada animal, informações do meio ambiente, bolsa de valores, campanhas de vacinação, etc”, pontua Pires. 

Atualmente é possível  controlar eletronicamente todas as atividades em campo, incluindo a altura de pastagem e o tempo de permanência dos animais por área. Também é viável verificar se determinado piquete está engordando da mesma forma que o piquete vizinho, o que indicaria o nível de fertilidade do solo. “A pecuária de precisão te dá essas informações, mede os números para que você tome as decisões”, destaca o pesquisador, que lamenta a baixa a adoção dessa modalidade entre os criadores brasileiros. “Trata-se de uma grande mudança de comportamento e o pecuarista é muito resistente. O nosso papel é mostrar que esse caminho não tem volta: se o Brasil quiser produzir o que ele se propôs, ele obrigatoriamente tem que passar pelo controle da produção”, enfatiza o pesquisador. 

Elevação de produtividade – Quem também falou sobre pecuária de precisão durante o seminário foi o analista Pedro Alcântara, da Embrapa Pesca e Aquicultura. Na sua palestra, ela abordou sobre como elevar a produtividade e rentabilidade na recria e terminação a pasto. Por esse sistema, é priorizada a capacidade de suporte (com adubação nitrogenada) e o desempenho individual (por meio de suplementação), visando o abate com idade até 24 meses. “Por esse método há um potencial produtivo de 40 a 50 arrobas por hectare ao ano”, destaca ele. 

O analista também falou sobre o ABC Corte que está sendo desenvolvido no Tocantins. Trata-se do projeto Rede de Transferência de Tecnologias do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono para a Bovinocultura de Corte do Tocantins com ênfase na intensificação da produção de carne em pastagens. Aqui, cada técnico assume a responsabilidade de implantar uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) entre os produtores que ele já acompanha. Essa URT é então utilizada pra disseminar tecnologias e validar os sistemas para aquela região.

Pastagens degradadas – Se a tecnologia pode ser uma poderosa aliada para o produtor, o cuidado com a pastagem é a base para a boa produtividade. E na hora de recuperar a pastagem degradada vários fatores devem ser considerados, tais como: um bom diagnóstico do que precisa ser recuperado; a análise do ambiente interno e externo da propriedade; o conhecimento das alternativas de recuperação disponíveis e a escolha da opção mais adequada. Para Marcelo Cunha, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura que falou sobre Recuperação e Reforma de Pastagens Degradadas, não existe solução única para alcançar boas produtividades em sistemas de produção animal em pastagens, nem uma solução é melhor do que a outra. “Os técnicos precisam evitar aplicar a mesma receita de bolo para todos os casos. Cada propriedade deve ser tratada de forma diferenciada, para que as chances de sucesso aumentem”, destaca o pesquisador.

Elisângela Santos (19.500 Mtb-RJ) 
Embrapa Pesca e Aquicultura 

João Dória

O governador João Dória anunciou no dia 23 de maio o programa Polos de Desenvolvimento de São Paulo. O objetivo da iniciativa é mapear as demandas de diversos setores da indústria para estabelecer pacotes de benefícios, como simplificação tributária, facilitação de linhas de crédito e necessidades de capacitação. O programa não envolve incentivos fiscais, sublinhou o governador em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes.

“São quase 7 milhões de desempregados e subempregados no Estado de São Paulo. Geração de emprego e renda é a prioridade do nosso governo. E isso não se faz com assistencialismo. Queremos incentivar o setor produtivo, criando condições adequadas para o setor privado produzir, criar, gerar empregos, remunerar adequadamente, criando estabilidade e condições econômicas adequadas”, disse o governador.

O objetivo do governo é organizar o ambiente do setor empresarial, industrial e de comércio, remover barreiras que comprometam a eficiência das empresas e aumentar a produtividade para assim ampliar investimentos privados e a geração de emprego e renda. Entre as estratégias para otimização das políticas públicas estão desburocratização, simplificação tributária e regulatória (incluindo licenças ambientais), unificação de impostos, criação de linhas de financiamento, investimentos em infraestrutura.

O plano também envolve investimento em pesquisa e capacitação. Dória reiterou que não fará cortes na área de pesquisa e de educação. “Não fizemos e nem faremos nenhum corte nessa área. As universidades têm autonomia. A única coisa que fizemos foi pedir atenção com a gestão na área fiscal”, disse o governador.

“Não vamos cortar os recursos de pesquisa nem de educação. Os recursos referentes a 1% do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] para a FAPESP estão mantidos. O grande segredo da pesquisa não será aumentar o financiamento público neste momento, mas sim criar condições favoráveis ao financiamento privado em pesquisa e desenvolvimento. Com os polos, queremos dar segurança para que a iniciativa privada faça os seus investimentos”, disse o vice-governador Rodrigo Garcia.

Dória afirmou que o plano não é um programa de incentivo fiscal. A expectativa do governo é, pelo contrário, que a arrecadação aumente por causa da maior eficiência e simplificação da tributação.

Para o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, que esteve presente no lançamento do programa, o Estado de São Paulo é o local do Brasil em que há mais investimento privado em pesquisa científica e tecnológica. “E há espaço para crescer”, ele afirmou, citando o exemplo dos Centros de Pesquisa em Engenharia [CPE] constituídos pela FAPESP em parceria com a Shell, GlaxoSimthKlein, Natura, Equinor, Grupo PSA, entre outras.

O programa destaca 11 polos (ou clusters) econômicos: saúde e fármacos; metal-metalúrgico, máquinas e equipamentos; automotivo; químico, borracha e plástico; derivados do petróleo e petroquímico; biocombustíveis; alimentos e bebidas; têxtil, vestuário e acessórios; couro e calçados; tecnologia e eco florestal.

Entre as cidades beneficiadas nos polos de desenvolvimento estão São Paulo e Região Metropolitana, Campinas, Ribeirão Preto, Piracicaba, Marília, Bauru, São Carlos, Itapetininga, Barretos, Sorocaba, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Araçatuba e Franca, além das regiões do ABC, Vale do Paraíba, Vale do Ribeira, Alto Tietê e Baixada Santista.

Em agosto, deve ser lançado o programa Indústria 4.0. “ Estamos trabalhando em parceria com o governo federal para o lançamento dos pacotes de otimização desses polos de desenvolvimento econômico”, disse Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico.

Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Alunos da USP

O projeto criado por alunos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, e intitulado Robosquadrão foi escolhido como um dos finalistas da sétima edição do programa Campus Mobile.

Robosquadrão é um game em que o jogador pode aprender uma habilidade, treinar, lutar, cooperar, resgatar e curar um robô virtual. A autoria é de Eleazar Braga, Gabriel Simmel e Óliver Becker, que fazem parte do grupo Fellowship of Game, voltado ao desenvolvimento de jogos.

Os robôs não podem ser controlados diretamente, é necessário criar um código para controlá-los. Cada fase demanda uma nova tarefa, que precisa ser codificada e inserida no script, para que o robô dê mais um passo, realize mais uma missão e tenha um novo aprendizado.

A iniciativa tem como objetivo promover o contato dos jovens com a programação de um jeito mais atraente e inclusivo. Por isso, o trio desenvolveu o jogo direcionado para jovens do ensino médio que, assim, poderão ser estimulados a aprender os primeiros conceitos de programação.

O Robosquadrão está disponível para jogar on-line.

O Campus Mobile é uma competição de ideias e soluções para plataformas mobile que se encontra na fase final, depois de 64 propostas de todo o país serem selecionadas nas categorias diversidade, educação, smart cities e smart farms.

O cumprimento de todas as fases da meta final garante aos participantes das categorias um prêmio no valor de R$ 6 mil. Os melhores de cada categoria ganharão uma viagem, em setembro, para São Francisco e para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde realizarão atividades de imersão em tecnologia.

Mais informações: www.institutonetclaroembratel.org.br/nossas-novidades/programa-campus-mobile-anuncia-os-finalistas-da-7a-edicao/

 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

combustíveis

O ciclo de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis está com os dias contados e as alternativas energéticas renováveis abrem um novo campo de pesquisa e de emprego mais bem remunerado e qualificado para as futuras gerações.

A conclusão é de especialistas participantes do terceiro episódio do programa Ciência Aberta em 2019, lançado nesta quarta-feira (15/05). O programa é uma parceria da FAPESP com o jornal Folha de S. Paulo.

Segundo os pesquisadores, a bioenergia é mais democrática do que as fontes tradicionais. “Ela não pode ser gerada de forma tão centralizada como uma refinaria de petróleo ou uma central nuclear. A bioenergia pressupõe uma distribuição maior [dos empregos e recursos]”, disse Luiz Augusto Horta Nogueira, pesquisador associado do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp) e consultor de agências das Nações Unidas.

Rubens Maciel Filho, professor da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), destacou que a produção de cana-de-açúcar para fabricação de etanol levou ciência e tecnologia para o interior do Estado de São Paulo, inclusive para regiões onde nem sequer havia estrutura para produzir alimentos.

“Temos exemplos muito interessantes, do próprio BIOEN, que mostram a evolução da qualidade do emprego, o desenvolvimento das regiões onde se produz o etanol e de como ele trouxe toda uma indústria em volta dele”, disse Maciel, coordenador do Centro de Inovação em Novas Energias (Cine).

Com unidades na Unicamp, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e no Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), o centro tem apoio da FAPESP e da Shell, no âmbito do programa Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE).

Do ponto de vista educacional, Maciel destacou que as biorrefinarias – que além de combustíveis podem produzir insumos químicos, alimentos, fertilizantes e energia, entre outros – levarão cada vez mais doutores e outros profissionais de alta qualificação para o interior do Estado, promovendo seu desenvolvimento.

Estudos mostram ainda que a instalação de uma usina de etanol e açúcar traz ganhos para três ou quatro cidades no seu entorno, demonstrando como o impacto social da chamada bioeconomia é uma realidade no Brasil.

“Os municípios em volta se beneficiam diretamente do ponto de vista da educação dos seus cidadãos. Os funcionários de uma usina têm os seus filhos educados em nível melhor do que a média e ganham mais do que a média na agricultura”, disse Glaucia Mendes Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e coordenadora do BIOEN.

Melhor opção

Com a demanda por energia aumentando no mundo todo, fontes renováveis como a cana-de-açúcar, a energia solar e a eólica são apontadas pelos especialistas como algumas das melhores alternativas.

“A cada segundo se queima neste planeta mil barris de petróleo. É o equivalente a uma piscina olímpica. Imagine em um ano! Então, nós estamos frente a uma nova mudança”, disse Nogueira.

Segundo o pesquisador, embora o petróleo ainda seja a principal fonte de energia no Brasil, correspondendo a 57% da matriz energética, o país é menos dependente do que a média dos países desenvolvidos, onde o índice chega a 80%.

Respondendo por 18% da nossa matriz, a cana-de-açúcar tem ainda a vantagem de ser muito produtiva, ocupando apenas 1% das terras disponíveis para agricultura no Brasil. Ainda assim, só metade desse porcentual é usado para plantar cana para produção de biocombustível. A outra parte é destinada à produção de açúcar.

“Todo biocombustível líquido que foi produzido no mundo até recentemente ocupou 13 milhões de hectares [em área plantada]”, disse Souza.

No mundo todo, há 13 bilhões de hectares de terras agriculturáveis, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês). A pesquisadora afirmou que, desta área, 3 bilhões de hectares são usados para plantar alimentos e outros 3 bilhões para pastagens.

“Estou falando de 13 milhões [de hectares para a produção de biocombustíveis]. É uma fração de uma fração que, no caso brasileiro, produz 20% da energia consumida. São dois séculos usando petróleo e se imagina que não tem alternativa, mas tem. Com poucas plantas se resolve essa equação”, afirmou.

O aumento da demanda em países em desenvolvimento como Brasil, Índia e China traz um desafio, mas também uma oportunidade para desenvolver novas formas de gerar energia.

“Estamos falando de algo em torno de 4 bilhões de pessoas. Certamente elas querem e precisam usar mais. Porque a energia está associada com a qualidade de vida. Quanto mais energia o país tem, maior o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), melhor a educação, melhor a condição de saúde, maior a longevidade”, disse Maciel.

Segundo o pesquisador, a biomassa, como a da cana, é uma saída inteligente e propícia para vários lugares do mundo obterem energia de forma sustentável, além de ser uma oportunidade de desenvolver pesquisa científica de alto nível.

“As tecnologias têm de ser desenvolvidas aqui, porque a biomassa é nossa”, disse.

O novo episódio de Ciência Aberta, “Bioenergia e outras opções para o Brasil”, pode ser visto em: www.fapesp.br/ciencia-aberta.

Confira também os episódios anteriores, que abordaram temas como origens do universo, a contribuição das mulheres para o avanço da ciência, depressão em jovens e adolescentes, os novos desafios das cidades, envelhecimento e oceanos ameaçados.

André Julião
Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.