Cúpula de Nairóbi

A experiência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em saúde e produção de conhecimento e como essa expertise pode beneficiar países em desenvolvimento serão temas de um exclusivo painel na Cúpula de Nairóbi, evento co-organizado pelos governos do Quênia e Dinamarca e pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), que começa nesta terça-feira (12/11). A Cúpula reunirá governos, sociedade civil, acadêmicos e ativistas do mundo inteiro para avaliar os avanços em saúde sexual e reprodutiva nos últimos 25 anos, desde que foi pactuado o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), e reforçar as promessas feitas pelo mundo na ocasião.

Em julho deste ano, a Fiocruz firmou uma parceria com o Fundo de População da ONU para desenvolver projetos a nível mundial, por meio da Cooperação Sul-Sul e Triangular (instrumento que permite que dois ou três países se ajudem mutuamente a se desenvolverem em áreas específicas). A prioridade já definida desta parceria deve levar a expertise brasileira em redução de mortes maternas a países do continente africano, como Angola, Senegal, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Guiné-Bissau, que também vão compartilhar sua experiência em saúde. Como essa parceria pode ajudar os países envolvidos na cooperação deve ser um tópicos apresentados no painel da fundação, marcado para o primeiro dia da Cúpula, no início da tarde.

Zerar as mortes maternas evitáveis no mundo é um dos compromissos estimulados pelo Fundo de População da ONU até 2030, assim como também zerar o número de mulheres que querem evitar a gravidez mas nao acessam contraceptivos ou tem informações inadequadas sobre o seu uso, e zerar a violência contra mulheres e meninas. Esses três objetivos, que estão alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, vão nortear as discussões ao longo de toda a Cúpula de Nairóbi.

Para a representante auxiliar do Unfpa Brasil, Júnia Quiroga, a participação da Fiocruz é um dos destaques da programação. “Será bastante oportuno expor ao mundo que a experiência brasileira de pesquisa e atenção à saúde voltada à redução de mortes maternas e ao cumprimento da Agenda do Cairo pode ser levada a países parceiros por meio do instrumento de Cooperação Sul-Sul. Juntos, podemos aprimorar a qualidade e o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva”, afirma.

A presidente da entidade, Nísia Trindade Lima, celebra a oportunidade. “Nós concordamos que o foco prioritário da ação conjunta, no escopo desta parceria, seria a redução das mortes maternas evitáveis entre os países, especialmente fortalecendo os sistemas nacionais de vigilância de mortes maternas.Compartilharemos boas práticas, oportunidades e recursos de cooperação técnica nas iniciativas propostas em conjunto”, adiantou.

CIPD

Nos últimos 25 anos, uma mudança global na abordagem dos direitos reprodutivos provocou uma revolução na vida de milhares de homens e mulheres, que passaram a ter mais informações e liberdade para decidir sobre a possibilidade ou não de ter filhos, quando tê-los, com quem e quantos. Essa visão foi consolidada na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada no Cairo, em 1994, ocasião em que 179 países firmaram um programa de ação comprometendo-se a firmar políticas públicas que colocassem as liberdades individuais e a equidade de gênero no centro do debate. 

Alguns dos avanços resultantes deste processo foi o aumento do acesso a contraceptivos e a queda de fecundidade observada no mundo inteiro: de uma média mundial de 2,9 filhos por mulher, em 1994, este índice caiu para 2,5 neste ano. No Brasil, há 25 anos, as mulheres tinham em média 2,6 filhos, e passaram a ter 1,7. Mas ainda há muito a ser feito para que os direitos reprodutivos sejam realidade para todos e todas, e a Cúpula de Nairóbi, enquanto evento de alto-nível, discutirá como acelerar a implementação dessa agenda, de forma que sua promessa se cumpra.

Fundo de População da ONU

O Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) é a agência de desenvolvimento internacional da ONU que trata de questões populacionais. Desde sua criação, em julho de 1967, tem sido um ator chave nos programas de desenvolvimento populacional relacionados com os temas de saúde sexual, reprodutiva e direitos. 

Informações para a imprensa:

Rachel Quintiliano
(61) 30389261
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Fabiane Guimarães
(61) 30389268
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