Acordo foi assinado pelo presidente do Instituto Pasteur, Christian Bréchot, pelo presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, e pelo vice-reitor da USP, Vahan Agopyan

A Fiocruz, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Pasteur se uniram para atuar de forma conjunta no Brasil, através de plataformas técnico-cientifica-educacionais, visando à futura constituição do Instituto Pasteur no Brasil. As instituições firmaram a parceria nesta segunda-feira (8/6). As plataformas, que vão funcionar como redes para o desenvolvimento de conhecimento, estarão localizadas no campus da USP, em São Paulo, e nos campi da Fiocruz no Brasil. A parceria foi assinada como parte do primeiro simpósio científico sobre doenças infecciosas, biologia computacional e neurociências Fiocruz-Pasteur, que aconteceu nos dias 8 e 9 de junho, no campus da Fiocruz em Manguinhos.

Durante a cerimônia de assinatura do acordo, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, destacou que a cooperação representa uma inovação, pois supera o desafio da complexidade das três instituições e do tempo necessário para a implantação de uma instituição com o porte do Instituto Pasteur no Brasil. “Esse acordo já estabelece imediatamente ações de parceria e formas de pesquisa e financiamento, e já aponta para a construção de um plano de negócios que terá, em um período máximo de um ano, todo o esforço necessário para a base para a construção do Instituto Pasteur no Brasil”, disse.

O presidente do Instituto Pasteur, Christian Bréchot, afirmou que a cooperação vai reunir a expertise das três instituições nos campos de pesquisa em mudanças climáticas, meio ambiente, genética e biodiversidade. Segundo ele, a parceria vai criar projetos que vão incluir estudos com enfoque na interconexão entre doenças não crônicas, como câncer, diabetes e enfermidades neurodegenerativas, e doenças infecciosas, como mal de Chagas e malária. “No Brasil, é visível a mudança no perfil de doenças, que tem se deslocado de enfermidades infecciosas para as não crônicas. E esse é o campo principal de atuação do Instituto Pasteur, onde, por exemplo, já iniciamos estudos focados no câncer decorrente de doenças provocadas por patógenos. Ao mesmo tempo, observa-se no mundo o ressurgimento de doenças infecciosas. É com base nesse contexto que pretendemos juntos trabalhar. Essa cooperação vai contribuir para o futuro da ciência, da medicina e da saúde pública”, disse.

Para o vice-reitor da USP, Vahan Agopyan, o acordo representa um momento histórico da união de três instituições diferentes e ao mesmo tempo complementares. “Para a USP, é um prazer trabalhar com o Pasteur e a Fiocruz e, principalmente, desenvolver projetos em conjunto a longo prazo que buscam a inovação”, ressaltou.

Convênio celebrado no Castelo de Manguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, visa à futura instalação do Instituto Pasteur no BrasilConvênio celebrado no Castelo de Manguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, visa à futura instalação do Instituto Pasteur no Brasil

Inicialmente serão criadas unidades de laboratórios mistos entre as três unidades em São Paulo e Rio de Janeiro, e uma plataforma mista. Os polos de pesquisa vão atuar nos campos de doenças emergentes ou doenças negligenciadas com potencial para novas epidemias, entre elas, dengue, Chagas, leishmaniose, malária e Chikungunya. Também vão trabalhar nas áreas de doenças do sistema nervoso, em outras causas de morbidez e de mortalidade ligadas ao aumento de expectativa de vida e à urbanização (doenças cardiovasculares e respiratórias, hipertensão, diabetes e outras enfermidades metabólicas), biodiversidade e microbioma, pesquisa translacional e computacional, e integração de estratégias para tratamento de mega dados relacionados com a saúde e na busca de soluções para a saúde.
 
O futuro Instituto Pasteur no Brasil pretende contribuir para soluções que visam o bem estar da população, com ênfase em saúde, por meio do desenvolvimento de uma rede científica de pesquisa biológica, biomédica e biotecnológica de nível nacional, regional e internacional, reunindo as competências complementares da Fiocruz e da USP e as potencialidades da Rede Internacional dos Institutos Pasteur (RIIP). Membro associado da RIIP, a Fiocruz é um das instituições mais reconhecidas no desenvolvimento de produtos de saúde, imunobiológicos, farmacêuticos e de diagnóstico, sendo moldada seguindo os princípios do Instituto Pasteur francês, com o qual mantém uma parceria histórica por mais de um século.

Danielle Monteiro e César Guerra Chevrand
Agência FIocruz

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