LAPREDES é responsável por pesquisas e serviços de extensão universitária

No final deste mês de julho, pesquisadores da Universidade de Harvard, Estados Unidos e da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, de São Paulo, visitam a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP para conhecer o trabalho prestado à comunidade ribeirão-pretana na área de desenvolvimento e promoção de saúde e prevenção de maus-tratos contra crianças de zero a seis anos. O trabalho é desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa em Prevenção de Problemas de Desenvolvimento e Comportamento da Criança (LAPREDES), da FMRP, e coordenado pela professora Maria Beatriz Martins Linhares, e é responsável por pesquisas e serviços de extensão universitária sobre fatores de risco e de proteção ao desenvolvimento de crianças.

Durante o último ano, projeto do LAPREDES recebeu financiamento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e colocou em prática intensivo trabalho de preparação e educação continuada de profissionais da saúde e a orientação dos pais atendidos, principalmente nos Núcleos de Saúde da Família da FMRP e em escolas públicas e particulares da cidade. As especialistas do LAPREDES realizaram projeto com três frentes. A primeira foi direcionada aos profissionais de saúde. “Foram três cursos abertos, com inscrição online que receberam inscrições tanto de profissionais de saúde quanto de educação; todos com grande adesão”, além das comitivas de prefeituras municipais da região e até profissionais de outros estados. Esse primeiro curso, informam as especialistas, tinha como uma das metas definir o que é “desenvolvimento típico e diferenciá-lo do desenvolvimento em condições de risco”.

Na sequência, contam, realizaram workshop com base no programa específico da American Psychological Association (APA), sediada em Washington, nos Estados Unidos, chamado ACT — para educar crianças em ambientes seguros. Esse é um programa de prevenção da violência infantil, lançado em 2001 e já testado em vários países do mundo que ensina “competências parentais positivas aos pais e cuidadores de crianças do nascimento até a idade de oito anos”. Segundo a professora Maria Beatriz foi trabalhada nos cursos uma versão adaptada do ACT, com autorização dos autores do programa nos EUA, para as atividades de ensino e extensão com os profissionais e pais brasileiros.

No final, um evento fechou as atividades com os profissionais, além dos atendimentos aos pais que participaram do programa. Ao todo, o projeto de extensão específico do LAPREDES nesse último ano atendeu 117 profissionais e 58 pais. Os profissionais foram treinados a ficarem “mais sensíveis para identificar questões relacionadas às práticas educativas parentais”.

Atendimento
O curso dirigido aos pais foi realizado em oito sessões diferentes nos Núcleos do Programa de Saúde da Família (NSF) mantidos pela FMRP e em escolas públicas e particulares da cidade. Formaram 11 grupos com mães de crianças entre três e oito anos e, aplicando o programa ACT, trabalharam ‘Compreenda os comportamentos do seu filho’; ‘A violência na vida das crianças’; ‘Como os pais podem entender e controlar a raiva’; ‘Como entender e ajudar as crianças quando elas sentem raiva’; ‘As crianças e os meios eletrônicos de comunicação’; ‘Disciplina e estilos parentais’; ‘Disciplina para comportamentos positivos’ e ‘Leve o programa ACT para sua casa e sua comunidade’.

Tanto as atividades realizadas com os profissionais quanto as com os pais receberam máxima aceitação. Os profissionais não só acharam que conseguiram aprender mais sobre as práticas educativas parentais típicas e diferenciá-las das práticas “negativas” quanto solicitaram participação em mais de um curso e simpósio realizado pelo LAPREDES durante essa atividade de extensão específica. Já as mães relataram “melhoras nos comportamentos parentais, nas práticas educativas relacionadas aos meios eletrônicos e no comportamento em geral”. Segundo a professora, o programa “foi efetivo na modificação e percepção que as cuidadoras têm sobre suas práticas educativas”.

Comparando antes e após a intervenção do programa, as mães observaram que “as crianças diminuíram o total de problemas de comportamento e os sintomas emocionais, os problemas de conduta e hiperatividade e, por outro lado, apresentaram mais comportamentos pró-sociais”. No geral, os especialistas afirmaram que o programa foi eficiente em contribuir na melhoria da qualidade das práticas educativas e na percepção das mães sobre o comportamento de seus filhos; e estes resultados, garantem, valem para famílias de variadas faixas econômicas, pois acompanharam mães de crianças matriculadas em escolas públicas e particulares.

Hoje, além dos atendimentos nos NSFs e das aulas na FMRP, no projeto do LAPREDES trabalha uma equipe de pesquisadores. Lideradas pela professora Maria Beatriz, destaca-se a participação no projeto de Claudia Maria Gaspardo que realiza seus estudos em pós-doutorado junto ao programa de pós-graduação em Saúde Mental assim como a doutoranda Elisa Rachel Pisani Altafim da FMRP e Maria Eduarda Pedro da FFCLRP. A equipe inclui também a psicóloga Francine Belotti e a estudante de Psicologia da FFCLRP Rebeca Cristina de Oliveira (conheça no site do LAPREDES todos os envolvidos nos estudos).

Os resultados que o LAPREDES apresenta agora foram obtidos através do projeto Promoção do desenvolvimento de crianças de zero a seis anos: intervenções educativas para pais e profissionais da saúde. Com ele, os especialistas da FMRP haviam vencido o edital Ações para o Desenvolvimento Integral na Primeira Infância, oferecido pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. A parceria foi feita por meio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. Em 2014, o projeto recebeu destaque entre os projetos de extensão da FMRP.

Foto: Marcos Santos

Mais informações: (16) 3315-9042

Rita Stella, de Ribeirão Preto
Agência USP

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