Diretor científico da FAPESP apresentou os primeiros resultados do diagnóstico do sistema paulista de CT&I

Em palestra na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), no dia 19 de maio, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, apresentou os primeiros resultados do diagnóstico do sistema paulista de Ciência, Tecnologia e Inovação. Essas informações subsidiarão o Plano Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (PDCTI).

Proposto pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI) e desenvolvido com o apoio da FAPESP, o plano fornecerá diretrizes para políticas para o setor ao longo das próximas duas décadas, possibilitando a intensificação e a expansão da pesquisa científica, do desenvolvimento tecnológico e da inovação de maneira estratégica para o estado.

De acordo com Brito Cruz, os objetivos do PDCTI são consolidar São Paulo como referência em educação superior de excelência, aumentar o impacto científico da pesquisa acadêmica realizada no estado e ampliar seu impacto econômico e social com base na expertise local.

“São Paulo é o principal centro inovador do país, formado por uma grande rede institucional de ciência, tecnologia e inovação amparada por um forte conjunto de programas de fomento. Mas para tornar esse sistema ainda mais efetivo é preciso conhecer seus potenciais e elaborar estratégias que contribuam para seu desenvolvimento de forma plena, e é nisso que trabalham agora as equipes dedicadas à formulação do PDCTI”, disse.

Na ocasião, Brito Cruz apresentou avaliações da atividade científica em São Paulo realizadas por grupos de trabalho coordenados pela FAPESP.

“Os grupos buscam conhecer em profundidade as ações públicas e privadas relacionadas à pesquisa, identificando eventuais obstáculos ao seu desenvolvimento. Trata-se de um esforço para sinalizar para esse conjunto de organizações e pessoas quais os desafios e as prioridades para o estado, considerando o investimento feito pelo contribuinte e a necessidade de revertê-lo em benefícios para a sociedade como um todo.”

Em 2013, de acordo com os dados levantados pelos grupos, foram investidos R$ 25 bilhões em atividades de pesquisa e desenvolvimento no Estado de São Paulo.

Ainda de acordo com os dados apresentados, São Paulo conta hoje com mais de 57 mil pesquisadores em atividade, sendo 25 mil em instituições de ensino superior, 3 mil nos institutos de pesquisa e 29 mil em empresas.

O sistema de ciência e tecnologia do estado é composto por três universidades estaduais, quatro instituições de ensino superior federais, pelo menos 19 institutos estaduais de pesquisa e três federais, além de institutos de pesquisa particulares e entidades privadas de ensino superior.

Grupos de trabalho

Os grupos de trabalho, formados por especialistas, membros da comunidade acadêmica, dos institutos de pesquisa e do setor privado, foram divididos em seis áreas de interesse.

Os relatórios gerados pelos grupos serão utilizados pela coordenação do projeto na elaboração do documento final, com recomendações preliminares para o desenvolvimento do PDCTI, que será encaminhado ao Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (Concite).

O grupo dedicado aos sistemas de ciência e tecnologia (C&T) é coordenado por Hélio Nogueira da Cruz, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP; a formação de recursos humanos em C&T é o tema do grupo coordenado por Elizabeth Balbachevsky, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; o grupo com foco em pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas empresas tem coordenação de Gerson Valença Pinto, da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

A atividade dos institutos de pesquisa estaduais, federais e privados é discutida no grupo coordenado por Cylon Gonçalves da Silva, membro da coordenação adjunta de Programas Especiais da FAPESP; a pesquisa acadêmica é tratada pelo grupo coordenado por Marcelo Knobel, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e o grupo dedicado a setores focais é coordenado por Renato Corona, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Carlos Pacheco, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Prioridades

É tarefa dos grupos identificar prioridades em cada área tratada. Nos setores industriais, por exemplo, foram identificadas oportunidades importantes, a médio prazo, na produção de etanol de segunda geração e em setores como aeronáutica, automotivo, fármacos e vacinas e equipamentos médicos e hospitalares. Também foram apontadas três áreas com grande potencial de desenvolvimento em São Paulo: energia eólica, energia solar, aeroespacial e defesa.

Os grupos discutem ainda desenvolvimentos em biocombustíveis, petróleo e gás; meio ambiente, em especial mudança climática global, biodiversidade e oceanografia; tecnologia de informação e comunicações, com foco em equipamentos e serviços de telecomunicação; indústria aeroespacial; agronegócio, em especial citricultura e risco sanitário; nanotecnologia; saúde, com desdobramentos em equipamentos médicos e hospitalares, pesquisa clínica, neurociências, fármacos e vacinas e câncer; setor automotivo; tecnologia industrial básica; metrópoles e violência; e educação.

“Todo esse trabalho tem o objetivo de identificar os setores que, do ponto de vista do desenvolvimento do Estado de São Paulo, deveriam chamar mais atenção, especialmente quando se tem quantidade limitada de recursos e é preciso escolher prioridades”, explicou Brito Cruz.

Dessa forma, quando finalizado, o PDCTI apresentará propostas de ações em diversas frentes, instituindo uma política abrangente de expansão e intensificação da pesquisa científica, do desenvolvimento tecnológico e do processo de inovação no estado nos próximos 20 anos.

A primeira versão do documento deverá ser finalizada até setembro.

Agência FAPESP

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