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Projeto aproxima pais e bebês prematuros através da fotografia

O período gestacional caracteriza-se pela ocorrência de múltiplas e novas sensações, transformações físicas, psicológicas e sociais. Em relação aos aspectos psicológicos, é interessante destacar que as representações sobre o bebê começam a ser construídas no início da gestação: trata-se do “bebê imaginário”, idealizado pelos pais e que, gradativamente, dará lugar a um bebê real. Tal idealização é importante e esperada durante a gravidez, pois ajuda na construção da parentalidade e na conscientização das responsabilidades e papéis socialmente atribuídos aos pais.

Porém, quando o nascimento impõe aos pais uma realidade diferente da esperada e programada, como por exemplo, um parto prematuro, há um confronto entre o bebê real e o bebê imaginário, gerando decepção para a família. Ainda que lenta e gradual, a aceitação dessa realidade é fundamental para o desenvolvimento saudável da criança e da família. Nessa perspectiva, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), através das fonoaudiólogas Adriana Duarte Rocha e Sabrina Lopes de Lucena e da fisioterapeuta Anniele costa, desenvolveu o Projeto Humanizando Através das Lentes, que tem como objetivo apresentar evidências de que é possível, por meio da fotografia, melhorar a interação e a aproximação dos pais com os bebês, promovendo um ambiente acolhedor no processo da hospitalização humanizada. “A iniciativa nasceu do resultado de conversas com os pais dos recém-nascidos prematuros internados na Unidade de Terapia Intensa Neonatal (UTI) do IFF/Fiocruz, que diziam não poder contar com a festa social do nascimento, as felicitações dos familiares e amigos em função da condição daquela criança”, comentou Adriana.

“Os pais relatam que muitas vezes as fotografias tiradas por eles causam estranheza e desconforto por parte dos amigos e familiares. Nesse contexto, o projeto proporciona, dentro das possibilidades e condições clínicas dos recém-nascidos, um cenário lúdico com acessórios e roupas devidamente higienizados para a produção das fotos”, explicou Anniele. O envolvimento dos pais na participação e elaboração do cenário para realização das fotos reforça o sucesso da iniciativa e aumenta o fortalecimento do vínculo entre o bebê internado e a família. “Eles trazem roupinhas, adereços e participam desse momento com muita alegria, o tradicional ambiente frio e sem vida da UTI é transformado num cenário leve e divertido. As fotos ficam expostas à beira do leito e são vistas pelos pais como uma forma de estímulo e desejo de levar aquela criança pra casa e apresentá-la aos familiares”, enfatizou a enfermeira do Berçário de Alto Risco do IFF/Fiocruz Danielle Bonotto Cabral Reis. Outra vantagem da iniciativa, segundo Danielle, é a aproximação da equipe com os pais dos bebês internados. “O projeto possibilita uma aproximação com os pais, e juntos conseguimos transformar a rotina das visitas e a aproximação da família com o bebê internado mais leve, fazendo com que eles entendam que a criança está passando por uma fase, e que ela é membro de uma família e precisa ser inserida e aceita na mesma”, complementou.

A iniciativa também faz a diferença na vida dos pais que enfrentam, diariamente a rotina de uma UTI Neonatal. “Tive gêmeos e por algumas complicações, eles nasceram prematuros. Fiquei com receio de apresentá-los a minha família e amigos por conta dos comentários, como: nossa, eles são tão frágeis, são tão pequenos, entre outros. Não queria passar essa imagem deles, até porque, apesar de pequenos, tinham uma enorme força, mais do que qualquer um podia imaginar. Foi nesse momento que conheci Adriana, que carinhosamente, apresentou o projeto e nos acolheu com muito carinho. As fotos ficaram lindas, fiquei muito feliz e apresentei os meus bebês a minha família e os comentários foram: nossa, eles são lindos! Como são fortes, né! Sou muito grata à Adriana e a esse projeto que foi tão importante na apresentação dos meus bebês aos nossos familiares e amigos”, contou emocionada Luana Moises Barbosa, mãe dos gêmeos Joaquim Barbosa Santos e João Barbosa Santos.

“O resultado desse trabalho nos mostrou a importância de poder proporcionar a esses bebês e seus familiares um ambiente mais leve e humanizado. As fotografias são exibidas pelos pais aos seus amigos e familiares com orgulho e admiração, além do fortalecimento do vínculo entre mãe-bebê,” finalizou Sabrina Lopes, também idealizadora do projeto.

Suely Amarante
IFF/Fiocruz

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